Como viver de renda?

Saiba o quanto de dinheiro você precisará e comece a poupar hoje para viver de renda. Aproveite as oportunidades de investimentos com alto retorno.

Como viver de renda?

O que vem a sua mente quando você ouve alguém dizer que quer viver de renda?

Você já se imaginou deitado em uma espreguiçadeira almofadada na praia, com uma água de coco gelada? Imaginou como seria acordar sem preocupações detrabalho, sem medo de não conseguir manter seu padrão de vida? E ainda ter o dia inteiro livre para fazer o que quiser, com tempo para viajar e se divertir?

E o melhor de tudo: com saúde e dinheiro disponível para viver tranquilamente?

Pois bem. Difícil encontrar alguém que não deseje algo assim para seu futuro, não é mesmo?

Esse é o tema da newsletter de hoje, que será bastante prática.

Vamos revelar qual conta você deve fazer para saber quanto dinheiro irá precisar acumular para viver de renda. O Renato Breia e o Walter Poladian me ajudaram nas contas e orientações de investimentos com objetivo de acumular dinheiro para o futuro.

Antes de começar, é preciso ter a consciência de que a aposentadoria paga pelo governo não vai ajudar muito. Não queremos te desanimar, mas é preciso ser realista. Talvez o que você receberá do INSS dê para pagar a água de coco, mas é mais sensato não contar apenas com isso.

Explico o motivo por ser tão cismada com a previdência social: nosso governo não me parece previdente com a sua previdência. Previdente, no dicionário, quer dizer: que prevê ou antevê; acautelado, prudente; previsor.

As contas da Previdência Social no Brasil são deficitárias. Sabe a expressão “rombo da previdência”? É exatamente disso que estou falando.

Para explicar melhor, pedi uma explicação ao nosso especialista em aposentadoria, o Rodolfo Amstalden. A resposta não foi animadora.

“Estamos suando sangue para ver se conseguimos migrar de um déficit primário de 0,15% do PIB para superávit primário de 0,70% do PIB em 2016. Enquanto isso, o gasto com o INSS está crescendo e deve chegar a aproximadamente 11% do PIB quando você se aposentar, daqui a 20 ou 25 anos. Isso dá uma boa dimensão do problema.

Se as regras de previdência continuarem como estão (com o fator 85/95), rodaremos com um déficit da previdência de cerca 2% do PIB. Ao compor isso ao longo de décadas percebemos o desastre que nos aguarda em caso demanutenção das regras atuais no nosso país.”

Quando o Rodolfo cita aos 11% da relação da previdência com o PIB, ele quer dizer o quanto o governo gasta para pagar as aposentadorias equivalerá a 11% de todas as riquezas produzidas pelo país. No ano passado, esse número estava em 7% (veja a projeção no gráfico abaixo).

Enquanto isso, a arrecadação foi de 6,1% do PIB em 2014. Ou seja, nossa previdência gasta mais do que arrecada, o que é insustentável.

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Por isso, é essencial que você tenha uma ideia de quanto dinheiro você vai precisar juntar com seu próprio suor.

E completamente necessário que comece poupar a partir de agora.

O exercício que faremos agora é importante sobretudo para ajudá-lo a perceber a importância de pensar em seu futuro e também a influência de algumas variáveis econômicas em sua vida. É o caso da inflação.

Vamos começar!

1 – Com quanto você quer viver?

O primeiro passo é definir com quanto dinheiro de renda você quer viver no futuro.

Então você precisa calcular quanto de dinheiro pretende usar todos os meses e subtrair o valor que estima receber da previdência social. Sugerimos que você seja conservador neste cálculo e coloque o valor mínimo. E caso tenha algum rendimento de aluguel de imóvel, subtraia também.

Para chegar ao número que você quer gastar mensalmente o melhor caminho é observar qual o seu custo de vida atual.

A partir desse valor, faça um ajuste de acordo com o que você espera para o futuro. Se acredita que pode ter uma vida mais modesta e viver com menos do que hoje, subtraia a diferença. Se pretende ter um estilo de vida mais caro e luxuoso do que o atual, some o quanto imagina que será essa diferença.

2 – Quantos anos você terá para juntar dinheiro?

Em seguida, é preciso saber por quantos anos você ainda pretende trabalhar para acumular o dinheiro que vai lhe garantir a renda posteriormente.

3 – Por quantos anos você quer viver de renda?

Agora, é necessário definir por quanto tempo você pretende viver dependendo desse dinheiro.

4 – Quanto o dinheiro de hoje valerá no futuro? Correção pela inflação.

O quarto passo é o cálculo de quanto o montante mensal desejado vai valer no futuro, na hora que você começar a viver de renda.

Por exemplo, se você imagina que pode viver com R$ 5 mil ao mês, é preciso aplicar o efeito da inflação neste valor para saber qual será, daqui a algumas dezenas de anos, o valor equivalente aos R$ 5 mil de hoje.

5 – Quanto seu dinheiro vai render?

Chegou a hora de estimar o quanto a sua montanha de dinheiro vai render no futuro.

Ou seja, é preciso projetar qual será o retorno financeiro da aplicação de todo o montante que você acumulou (é isso mesmo, primeiro vamos descobrir isso para depois chegar no montante).

Para isso, é bom considerar um investimento conservador, como faremos no exemplo mais abaixo.

6 – Fazendo as contas.

Finalmente, o último passo é a conta que mostrará qual será o valor necessário para o momento que você quiser começar a viver de renda.

Nesse cálculo é considerado o valor que você precisará resgatar anualmente desuas aplicações.

Vamos a um exemplo para a conta ficar mais clara.

Na ponta do lápis

Suponha que João tem 40 anos e pretende se aposentar aos 60, ou seja, ainda tem 20 anos para acumular dinheiro. O objetivo dele é viver com R$ 10 mil ao mês após a aposentadoria, durante mais 30 anos, até os 90 anos.

Faremos agora cada um dos passos acima:

1 – Já sabemos que ele quer viver com R$ 10 mil ao mês.

2 – Já sabemos que ele terá 20 anos para juntar dinheiro.

3 – Já sabemos que ele pretende viver 30 anos de renda.

4 – Agora vamos ver quanto esses R$ 10 mil valerão daqui a 20 anos.

Considerando uma estimativa de inflação média de 5% ao ano, os R$ 10 mil serão aproximadamente R$ 26.530,00 daqui a 20 anos.

Para fazer essa conta, usamos uma calculadora financeira. No conteúdo PRO para assinantes colocamos uma planilha de Excel que faz o cálculo a partir da inserção dos dados.

Veja que nesta primeira conta tivemos que usar uma projeção para a inflação.

Nossos consultores sugerem usar 5% ao ano. Mas eles enfatizam que é muito difícil acertar a previsão para indicadores como a inflação, principalmente para prazos tão longos. Portanto, aproveito para reforçar que o número que chegaremos neste exercício serve mais para dar uma ideia geral e mostrar a importância de poupar.

Se a inflação for muito maior – hoje, por exemplo, temos no Brasil uma inflação anual de cerca de 9% -, a conta será muito diferente.

Mas vamos seguir com os 5%, pois acreditamos que a inflação vai cair no médio prazo.

Como o valor que chegamos acima (R$ 26.530,00) é mensal, é preciso multiplicar por 12 meses para chegar ao valor anual. Temos então um resultado próximo deR$ 318.400,00.

Ou seja, esse será o valor necessário todos os anos, durante 30 anos. Não caia na tentação de multiplicar esse valor por 30! Como o seu dinheiro será aplicado e irá render, o rendimento também precisa ser considerado.

A partir daqui não precisamos mais considerar a inflação, já explico o porquê.

5 – Agora vamos estimar o retorno dos investimentos. Aqui, vamos trabalhar com um valor de rendimento de 3% ao ano. Poderíamos chamar esse número de “juro líquido infinito”.

Para chegar nesses 3%, tivemos que fazer outra projeção. Neste caso, consideramos um juro de 10% para a sua aplicação financeira. Em seguida, descontamos o imposto de renda que incide sobre os investimentos, inflação e outras taxas e custos diversos do mercado financeiro. Repare que essa conta já desconta a inflação, por isso não precisamos deduzir a inflação novamente.

Estamos sendo conservadores ao considerar 10%. Atualmente, é possível conseguir juros de mais de 14% ao ano investindo em renda fixa no Brasil, como nos títulos do Tesouro Direto.

Mas usamos os 10% pois acreditamos que no médio prazo o juro de nosso país começará a ser reduzido.

6 – Por fim, fazemos a conta considerando que ao final de 30 anos o João terá usado todo o dinheiro que acumulou.

Esse cálculo também é feito na calculadora financeira (e está incluído na planilha que damos no conteúdo PRO).

Para o exemplo acima, o resultado foi de aproximadamente R$ 6,3 milhões. Essa será a quantia que João terá que acumular em 20 anos.

6b – Caso ele queira viver apenas do rendimento do dinheiro, a conta seria outra.

Nesse caso, o dinheiro acumulado não seria usado e ficaria para os seus herdeiros.

Ou seja, assim ele consumiria apenas o retorno do investimento. Esse cálculo busca descobrir quanto dinheiro ele precisa ter para que o rendimento chegue nos R$ 318 mil ao ano.

O resultado para a manutenção do patrimônio é de aproximadamente R$ 10,6 milhões.

A partir desse exemplo você pode ter uma ideia de qual seria o seu número para viver de renda.

Os assinantes podem fazer a conta na planilha que damos no conteúdo PRO 1.

Repare que será necessário um grande esforço para poupar e investir nos próximos anos para conquistar o futuro desejado.

A boa notícia é que hoje o Brasil tem boas oportunidades de investimentos em renda fixa, o que ajuda bastante o aumento do patrimônio em aplicações mais conservadoras. Muitos produtos financeiros e títulos do Tesouro Direto permitem retornos superiores a 14% ao ano, ou 11% ao ano após o pagamento dos impostos. Portanto, embora tenhamos sido muito conservadores nas contas, supondo um juro real de 3% ao ano, atualmente é possível alcançar um valor maior, de 6% ao ano, por exemplo.

No conteúdo PRO 2 damos as primeiras orientações de como investir para acumular o dinheiro necessário para viver de renda.

Um acompanhamento financeiro semanal

Um projeto mais sólido de aposentadoria fica mais fácil com um acompanhamento financeiro contínuo e dedicado a este fim.

Aos os leitores que já enviaram e-mails perguntando sobre isso, recomendo a série Aposentadoria Milionária, escrita pelo economista e analista Rodolfo Amstalden.

Seus relatórios são semanais, então o leitor pode acompanhar os textos para ir ajustando sua carteira de investimentos. Nas orientações para a construção do patrimônio, ele leva em consideração as opções de investimentos mais adequadas para o momento econômico.

 

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