Confiança ou negligência?

Conheça a fundo as particularidades do FGC e reflita sobre por que não vemos razões para você correr esse risco

Confiança ou negligência?

Você se jogaria sem pensar de um prédio de 20 andares se alguém afirmasse que uma rede de proteção salvaria sua vida?

Você mudaria de emprego para ganhar 30 por cento a menos se te prometessem uma rápida ascensão, com um cargo de chefia depois de um ano?

Você colocaria todo seu patrimônio em um fundo de investimento se um suposto gestor assegurasse que o retorno seria de 20 por cento ao ano?

Imagino que, para todas as perguntas, a resposta foi não, certo? Salvo se houver muito leitor aventureiro dando sopa por aí…

E a explicação para esse comportamento reside em apenas uma palavra: desconfiança.

Todo mundo desconfia quando alguma oferta parece muito promissora, quando uma situação aparentemente arriscada conta com tantas garantias de acerto, quando alguém faz uma proposta incrível sem ter meios para cumpri-la.

Se você tem desconfiança ao refletir sobre questões que envolvem sua vida, seu emprego e todo o patrimônio construído ao 

longo de tantos anos, por que não desconfia de altos retornos prometidos por seu banco ou corretora?

Eu credito a uma sigla de três letras grande parte da “culpa” dessa cultura de confiança cega: FGC.

O Fundo Garantidor de Créditos, popularmente conhecido como FGC, foi criado lá em 1995, mas só ficou mais em evidência nessa década, diante da quebra de alguns bancos médios, está lembrado?

De forma resumida, o FGC é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que, dentre outras atividades, oferece uma espécie de seguro a investidores de produtos bancários no caso de intervenção, liquidação extrajudicial e insolvência de alguma instituição associada ao FGC.

E quais produtos entram nessa cobertura do FGC?

  • Depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio; 
  • Depósitos de poupança; 
  • Depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado – RDB (Recibo de Depósito Bancário) e CDB (Certificado de Depósito Bancário); 
  • Depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheques destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos referentes à prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares; 
  • Letras de câmbio; 
  • Letras imobiliárias; 
  • Letras hipotecárias; 
  • Letras de crédito imobiliário (LCIs); 
  • Letras de crédito do agronegócio (LCAs); 
  • Operações compromissadas que têm como objetivo títulos emitidos após 8 de março de 2012 por empresa ligada.

Desta forma, não estão cobertos pelo FGC títulos públicos vendidos pelo Tesouro Direto, debêntures, Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) ou Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).

Limite de cobertura

O FGC garante uma cobertura de até 250 mil reais por pessoa, por instituição financeira. Isso quer dizer que, se você investir 200 mil reais num CDB do banco XYZ e outros 100 mil reais numa LCI da mesma instituição, e ela falir, você só terá cobertura para 250 mil reais, ou seja, os outros 50 mil reais podem virar pó.

Além disso, em contas conjuntas, o valor de 250 mil reais é dividido entre os titulares.

Se você aplicar por meio de uma corretora, fique ainda atento para conferir o emissor do título antes de investir, para ver se é um banco que está por trás do ativo.

(Recomendo a você assistir a este vídeo com Fabio Mentone, diretor do FGC, explicando tudo sobre o fundo.)

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Quando a esmola é demais, o santo deveria desconfiar

Por que você acha que o banco ZZ oferece um retorno de 90% do CDI em uma LCA? Será que sua má reputação, com uma desconfiança generalizada em relação à sua gestão e seu envolvimento em operações investigadas pela Polícia Federal, não coloca o banco em maior risco e impõe melhor remuneração aos seus investidores?

E por que será que o banco XXX está entregando, de bandeja, um retorno de 117,5% do CDI em um mero CDB? Por acaso, você já se atentou ao balanço desse banco e às notícias envolvendo sua participação em operações políticas escusas?

Esses são casos tentadores e reais de investimento, chequei hoje mesmo em algumas plataformas. Mas não são nada indicados…

Mesmo com avaliações das agências de classificação de risco, CDBs, LCIs e LCAs podem representar um risco muito além do desejado, especialmente se você lembrar que essas avaliações são defasadas. Elas mostram um retrato de uma situação passada, não futura.

E digo mais: você está disposto a esperar até três meses para receber um dinheiro de volta pelo FGC se seu banco quebrar? Porque esse foi o prazo médio dos pagamentos nos últimos cinco casos de intervenção pelo Banco Central, segundo apontou matéria do “Valor Econômico”.

Ainda que os retornos possam ser melhores, não vemos razões para você colocar seu dinheiro em risco na renda fixa. Se está tão disposto a correr riscos, a ponto de encarar a possibilidade de prejuízo total, por que não parte, então, para a renda variável? Não seria uma troca justa?

O FGC é um ótimo instrumento de segurança, mas você não deve se apoiar apenas nele para tomar suas decisões de investimento.

Por isso que nossas recomendações evitam instituições mal avaliadas pela equipe de renda fixa da Empiricus. Simplesmente não vemos razão para você se expor ao risco de bancos mal avaliados com tantas outras ofertas atrativas por aí.

Inclusive nos apoiamos nas análises da Marília para fazer nossas recomendações. Se você leu o relatórioVocê Investidor de fevereiro, no qual destrinchamos oportunidades de cada corretora, sabe do que eu estou falando.

E estamos preparando um novo relatório para quem é apegado aos queridos CDBs, LCIs e LCAs. Quer saber o que tem de bom nas corretoras e por que a oferta é tão superior a dos bancos, mesmo para os chamados clientes “alta renda”? Fique de olho no Você Investidor!

Um abraço,

Beatriz

PS: Tem alguma dúvida ou inquietação sobre o mercado de renda fixa? Escreva, então, um e-mail para beatriz.cutait@empiricus.com.br. Quem sabe esse não vira o tema da próxima newsletter?

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