Controle de riscos

Quais cuidados você adota ao analisar um investimento de renda fixa? Você vai além do retorno?

Controle de riscos

Arriscar.

1. Colocar em perigo ou risco. [td. : O alpinista arriscou a vida numa escalada insensata.: Não me arrisco no mar bravo.] [int. : Nos esportes radicais, muitos são os que arriscam.]

2. Expor (algo ou alguém, inclusive si mesmo) às circunstâncias da sorte, tentando sem a certeza de sucesso. [td. : O centroavante arriscou um chute de fora da área.: Arriscou-se em investimentos duvidosos.: Arriscou muito dinheiro na roleta.] [int. : Quem não arrisca não petisca.]

A definição do dicionário Caldas  Aulete não deixa dúvida. Arriscar-se implica colocar-se numa situação cujo desfecho é imprevisível. É tentar, sabendo que é possível não conseguir atingir o objetivo.

Se eu perguntar aqui quantos leitores já se arriscaram a saltar de paraquedas, tenho certeza de que a maior parte responderá que nunca saltou. Por medo, por pânico, por ponderar o alto risco da aventura.

Mesmo eu, que desde pequena sonhava com o dia em que pularia de um avião, tremi quando chegou a hora H. O medo de dar errado me paralisou e, se não fosse o instrutor praticamente me empurrar para fora do avião, eu teria ficado imóvel na aeronave até o fim do voo.

O fato é que, quando se trata da nossa vida, todo mundo analisa uma situação de  risco de forma bastante cautelosa, afinal, sabe-se que pode ser um caminho sem volta.

Mas, falando de forma objetiva, e seu dinheiro, não merece o mesmo cuidado? Tudo bem, se você perder tudo num investimento errado, ainda terá uma vida (inteira ou fracionada) para reconquistar a fortuna. Não vou discordar desse ponto e nem quero que você pense que estou dizendo que viver se resume a ter dinheiro…

No entanto, sejamos sinceros. Quantas pessoas, quantos familiares você não tem que passaram uma vida inteira na ruína por conta de más decisões financeiras? Decisões que levaram a consequências praticamente irreversíveis ao longo de uma vida?

Tenho certeza que todo mundo conhece alguém que se encaixe nesse perfil!

Por isso, hoje quero falar sobre riscos. E sobre o quão criteriosa precisa ser sua análise sobre investimentos.

Hoje mesmo, a Lourdes A. me escreveu:

Oi Beatriz!

Acompanho suas dicas e orientações no meu e-mail e gosto muito. Não sou investidora, não entendo muito desse mundo, mas você explicando dá até vontade de investir. Gostaria, se você me permitisse, de uma orientação. Você acha que, se aplicar 3 mil reais em algum fundo durante 1 ano, ja é um começo?

 

Como eu disse para a Lourdes, é um começo, sim. Só não sei dizer se um BOM começo, afinal, se o fundo escolhido for caro e com uma má alocação dos recursos, o dinheiro investido poderá minguar ao longo do tempo. Isso a Luciana Seabra poderá dizer com mais propriedade que eu…

Por isso, é essencial ter certos cuidados antes de decidir onde investir seu patrimônio, mesmo na renda fixa.

  • No que consiste o investimento? Onde o dinheiro estará alocado?
  • Qual a instituição por trás do investimento, o emissor? É o governo, uma empresa ou um banco? E qual o nível de risco (leia-se rating) dessa instituição?
  • Quais as garantias de pagamento? Existe cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), por exemplo?
  • Se precisar, você poderá resgatar os recursos antes do vencimento? E quais os riscos de perda associados a uma retirada antecipada?
  • Como seu investimento será remunerado? O retorno é nominal ou real (quando já desconta a inflação?)

Percebeu que deixei o retorno em último lugar na lista? Sei que a tentação de olhar puramente para a rentabilidade é grande, mas sua análise precisa ir além desse ponto.

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Ontem mesmo, ao fechar o relatório Você Investidor de abril, conversei com a Marília sobre as taxas prometidas por algumas debêntures no mercado secundário. O retorno real chegava a quase 7% em certos papéis, bem acima dos juros dos títulos públicos ofertados no Tesouro Direto.

Uma debênture em particular entregaria um retorno anual de 8,4% mais a variação da inflação até 2028. Nada mau, né? Infelizmente, bem mau. A empresa não traz nenhuma segurança para nossa equipe de renda fixa e passa longe de receber uma recomendação de compra. Apesar do retorno.

Por isso, olhe sempre fora da caixa, procure pelo não óbvio, porque, quando o retorno é grande, qualquer bom investidor precisa desconfiar.

Um abraço,

Beatriz

PS: Tem alguma dúvida ou inquietação sobre o mercado de renda fixa? Escreva, então, um e-mail para beatriz.cutait@empiricus.com.br. Quem sabe esse não vira o tema da próxima newsletter?

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