Contra as fake news

Fique por dentro dos verdadeiros mitos que rondam (e tanto atrapalham) as corretoras independentes

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Contra as fake news

Muito bom o seu trabalho ao abrir a mente das pessoas quanto às corretoras independentes.
Eu mesmo só vou ao banco todos os dias, porque eu trabalho em um deles (os Big Five), se é que podemos chamá-los assim.
Mas há algum tempo que não invisto minhas economias no próprio banco em que trabalho. Pois senti a necessidade de duas coisas que não tinha na corretora do banco em questão: custos [leia-se, isenção] de custódia e acesso a outros serviços, como locação de ações.
D.P.

O primeiro passo foi dado. Depois da nossa última conversa, que virou até tema de vídeo, presumo que já esteja claro que corretoras são diferentes de bancos — se não estiver, sugiro dar uma olhada no depoimento acima, enviado por um assinante que trabalha justamente num banco.

Há uma oferta mais ampla de produtos financeiros, custos mais baixos e uma estrutura, digamos, 99% digital (tem sempre aquele 1% “vagabundo”). Riscos existem, mas podem ser mitigados, e não há tratamento diferenciado em corretoras — sem aquela de só poder acessar os bons produtos se topar deixar XX mil reais aplicados.

Contrariando os sinais de que escrevemos majoritariamente para quem já investe, recebi incontáveis e-mails de interessados em ingressar no mercado financeiro e percebi que as corretoras ainda são um baita entrave para esse começo.

Por isso, sigo aqui na missão de destravar essa porta de entrada no mundo dos investimentos.

Respondo hoje a algumas das dúvidas enviadas nos últimos dias.

Para investir por meio de uma corretora independente, é preciso que ela esteja em minha cidade?

Não! O processo de abertura de contas é inteiramente digital. Mesmo nas corretoras mais arcaicas — cada vez mais raras no mercado —, a exigência inclui apenas o envio de documentação pelos Correios. Do ponto de vista operacional, não faz nenhuma diferença sua corretora ter uma sede em sua cidade, especialmente porque a maior parte dos investimentos poderá ser feita pelo computador, celular e/ou tablet.

É preciso pagar para ter conta em uma corretora independente?

Se assim fosse, eu, Bia, estaria quebrada! Não é preciso pagar nada para abrir ou manter uma conta em corretora. E é ótimo ter mais de um cadastro, para entender como cada casa funciona, numa espécie de “drive thru” antes de escolher a melhor para seu perfil. As instituições variam muito entre si e são poucas as que permitem visualizar as ofertas disponíveis sem você ter uma conta aberta, o que é uma pena…

Dá para investir em qualquer ativo por meio das corretoras de valores?

Eu diria que dá para investir em QUASE tudo. Afinal, as moedas virtuais, que andam no radar de nove em cada dez investidores, não são negociadas pelas plataformas das corretoras tradicionais. Ainda. A XP já declarou que pretende entrar nesse mercado em 2018. Por enquanto, bitcoins e companhia devem ser comprados por meio de plataformas específicas de negociação de moedas virtuais (chamadas de “virtual currency exchanges”), não regulamentadas no Brasil.

As corretoras tradicionais — foco das minhas newsletters — são supervisionadas tanto pelo Banco Central quanto pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Investir por meio de corretoras independentes é mais arriscado do que aplicar por meio de grandes bancos?

Assim como existem bancos e bancos, existem corretoras e corretoras. Os balanços financeiros dessas instituições também estão a seu alcance e é possível fuçar bastante sobre como cada uma delas opera, inclusive checando as reclamações e os elogios a cada uma. Se você pesquisa até para comprar um eletrodoméstico, por que deveria ser diferente com uma instituição financeira?

Há quem reclame do fato de que grande parte das marcas ser desconhecida do grande público, mas não dá para achar que as corretoras têm força para brigar com os bancos em termos de marketing. Cabe a você procurar saber sobre essas casas e ficar atento aos serviços e custos, o que faz parte do nosso trabalho no Você Investidor.

Se minha corretora quebrar, vou perder todo o meu dinheiro?

Não é bem assim, não. Tudo depende de onde estiver seu dinheiro. De forma bem objetiva, dinheiro na conta é sinal de perigo.

No caso de uma liquidação extrajudicial, se você tiver dinheiro parado — ou seja, não aplicado — provavelmente vai precisar entrar na massa falida da corretora para buscar o ressarcimento. E aí não tem como assegurar que o patrimônio da instituição que foi à bancarrota será suficiente para pagar todos os investidores…

Já se os recursos estiverem de fato aplicados, seja em títulos públicos, ações, ETFs, fundos de investimentos ou em tantos outros ativos, não há razão para se preocupar. Na pior das hipóteses, de quebra da corretora, basta transferir os ativos para outra instituição.

É claro que esse é o cenário que queremos sempre evitar, até mesmo para que uma eventual demora na transferência não prejudique você, investidor. O importante é saber que a aplicação não vai virar pó.

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Semana que vem falarei mais sobre a tal portabilidade, que está bem longe de ser um bicho de sete cabeças.

Até lá!

E se quiser me contar mais de sua experiência com corretoras, envie um e-mail. Vou adorar!

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