Dando nome aos bois

CDB, LCI, LCA, CRI, CRA, fundo DI: você conhece as semelhanças e diferenças desses investimentos?

Dando nome aos bois

Maria vai com as outras, influenciável, sem opinião, aquele que segue o fluxo. Pode chamar de como quiser, mas, para minha insatisfação, esse tipo anda em alta entre os leitores da Empiricus.

Falo daquele típico personagem, que, vez ou outra, recebe uma “dica quente” do amigão sabe-tudo de investimento; do pai de família que ouviu dizer no trabalho que aquela aplicação era a bola da vez; que voltou de viagem e está desesperado para multiplicar o patrimônio em 10 vezes para recuperar o tempo (e o dinheiro) perdido.

“Sei dos riscos, Beatriz, mas PRECISO desesperadamente aumentar minha renda”, dizem uns. “Ficaria feliz em receber umas ideias de investimentos de ALTO retorno”, falam outros.

E parece que fica todo mundo ali, inerte, à espera de um milagre. Alguns ousam até ir mais longe, e logo nos jogam aquele pergunta de ouro: “Se vocês sabem tanto, por que não vivem só dos investimentos?.” Aí eu desisto.

Porque eu tenho uma teoria. Quanto mais o leitor cobra retorno, menos ele entende de investimento. Menos conhecimento ele tem sobre o BÁSICO do universo econômico.

Mas eu não quero esnobar esse leitor, não. Muito pelo contrário. Quero mostrar, por A+B, que  a realidade vai muito além do que se vê. E que, na seara dos investimentos, superficialidade não está com nada.

Por isso, hoje quero voltar ao básico, ao início de tudo. Quero que você pare de querer adivinhar o futuro e assimile, de uma vez por todas, as diferenças entre os principais tipos de investimento de renda fixa.

E não me entenda mal! Não estou dizendo para você parar de ter ambição. Mas siga com os pés no chão para respirar fundo e não perder o fôlego no caminho.

Certificado de Depósito Bancário (CDB)

Investir em um CDB significa emprestar dinheiro para seu banco e ser remunerado pelo empréstimo. Simples assim. Já no momento da aplicação, você fica por dentro do prazo e das condições do rendimento.

Você pode escolher entre um CDB prefixado e saber exatamente quanto vai receber no vencimento, e um título pós-fixado, com um rendimento em percentual do CDI (o ideal é buscar aqueles que paguem pelo menos 100% do CDI). Há também uma opção intermediária, com remuneração vinculada à variação do IPCA no período acrescida de juros prefixados na contratação (te lembra alguma coisa no Tesouro Direto?).

O Imposto de Renda, aplicado na hora do resgate ou do vencimento do CDB, segue tabela regressiva:

  • 22,5 por cento quando o prazo do investimento for de até 180 dias;
  • 20 por cento quando o prazo for de 181 a 360 dias;
  • 17,5 por cento quando o prazo for de 361 a 720 dias;
  • 15 por cento quando o prazo superar 720 dias.

Não é cobrada taxa de administração para investir em CDBs, mas há a penalidade do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre os rendimentos se você resgatar o dinheiro antes de a aplicação completar 30 dias, com uma alíquota SALGADA que varia de 96% a zero, conforme o prazo da aplicação. O CDB ainda conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCIs e LCAs)

As queridinhas e cada vez mais sumidas LCIs e LCAs são títulos emitidos por bancos para financiar participantes do setor imobiliário e da cadeia do agronegócio. Com rendimentos em geral pós-fixados, expressos por um percentual do CDI, os papéis têm prazos definidos no momento da contratação e também têm garantia do FGC.

Seu grande atrativo: a isenção tributária sobre os rendimentos, já que não é cobrado Imposto de Renda na aplicação!

Exigência: há um prazo mínimo para resgate de 90 dias.

Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio (CRIs e CRAs)

Como já falei na semana passada, esses papéis também são destinados a financiar transações do mercado imobiliário e de agronegócio, respectivamente, e contam igualmente com o benefício da isenção de IR sobre os rendimentos. A diferença para as LCIs e LCAs está na ausência de cobertura do FGC e no fato de CRIs e CRAs serem emitidos por empresas securitizadoras de direitos creditórios.

O risco está nos tomadores finais do empréstimo. Se os devedores dos recebíveis que compõem o lastro do CRI não quitarem suas obrigações junto à securitizadora, você pode não receber o retorno prometido.

Em grande parte dos casos, a remuneração é atrelada ao CDI, mas há outras opções, como as de taxas prefixadas mais a inflação (IPCA ou IGP-M) do período.

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Fundos DI

Os chamados fundos referenciados DI parecem aqueles ex-colegas de trabalho. Você já viu um dia, já até bebeu uma cerveja junto no happy hour, mas, quando reencontra, lembra o nome, mas não tem ideia de onde conhece a pessoa e o que ela fazia.

A maior parte dos assinantes do Você Investidor conhece fundo DI. Mas no que eles investem exatamente, você sabe?

Com liquidez diária e apelo conservador, os fundos oferecem rendimento próximo ao do CDI. Nada menos que 95% da carteira desses fundos precisa ser composta por ativos que busquem acompanhar as variações do CDI ou da taxa Selic. Dessa forma, na prática, a maior parte dos recursos está alocada em títulos públicos pós-fixados, mais especificamente em Tesouro Selic (nossa preferência para a formação do colchão de liquidez).

Com essa estrutura tão simples, não faz sentido seu banco cobrar uma taxa de administração alta para você investir num fundo DI. E digo mais: se a taxa passar de 0,3 por cento ao ano, melhor partir para o investimento direto no Tesouro Selic. Está lembrado que, para investir no Tesouro Direto, não é obrigatório pagar nada além da taxa de custódia de 0,3 por cento ao ano?

O Imposto de Renda dos fundos DI segue a tabela regressiva, variando de 22,5 por cento até 15 por cento ao ano sobre os rendimentos. Mas não cabe ao investidor se preocupar com esse tributo, já que o IR é recolhido antecipadamente no último dia útil dos meses de maio e novembro, em um sistema denominado “come-cotas”.

Ufa! Por hoje está bom, né?

Se quiser acompanhar as indicações para o pequeno investidor, me encontre no Você Investidor, meu canal direto para as orientações financeiras.

Semana que vem, falarei dos riscos da renda fixa. Se tiver dúvidas, escreva para beatriz.cutait@empiricus.com.br.

E fique de olho nos principais temas do Você Investidor de abril: debêntures e mais perguntas e respostas sobre a declaração do Imposto de Renda. Tem dúvidas sobre portabilidade de ações ou de títulos públicos? Confira nossas orientações!

Até lá!

Um abraço!
Beatriz

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