Deixo para amanhã o lucro que posso embolsar hoje?

Saiba o que considerar na hora de decidir vender ou manter em carteira os títulos públicos que entregaram grandes retornos em 2016

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Deixo para amanhã o lucro que posso embolsar hoje?

Saiba o que considerar na hora de decidir vender ou manter em carteira os títulos públicos que entregaram grandes retornos em 2016

Praticamente 50 por cento de alta em 2016.

Título público de maior destaque no ano.

Renda fixa batendo a Bolsa.

Conservadorismo superando o risco.

Resultado do relato acima, exposto na newsletter de estreia do Bonds & Buys?

Enxurrada de e-mails com a pergunta que vale 1 milhão de reais: qual o melhor momento para vender meu título público?

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Afinal, se meu papel teve valorização de quase 50 por cento no ano passado, o que eu ainda estou fazendo com ele?

Se eu ganhasse 1 real para cada pergunta dessa recebida, estaria rica. Mentira, não é para tanto. Mas, de verdade, estaria numa trajetória acelerada de construção de riqueza.

E é natural esse interesse. Nada menos que 150 mil pessoas passaram a investir pelo Tesouro Direto em 2016, número que representa por volta de 25 por cento dos investidores pessoas físicas da Bolsa de Valores. Que tal?

O “problema” é que 2016 não foi qualquer ano. Foi O ANO para o Tesouro Direto, com uma rentabilidade completamente fora da curva.

Separei abaixo alguns exemplos de retornos de títulos que estiveram disponíveis para compra ao longo do ano.

Quis ilustrar com outros papéis além da NTN-B com vencimento em 2035, até para responder a leitores com o Rogério P., que me enviou o seguinte e-mail.

E a recomendação do Felipe para comprar NTN-B 2050 que ia explodir? O que deu? Por que não explodiu e perdeu pra 2035?

O papel segue dentre as recomendações da Carteira Empiricus. Como já falei para o Rogério, acho que não foi nada mal ter um retorno de 34,20 por cento com a NTN-B 2050, certo? Principalmente olhando no retrovisor. Sabe quanto esse mesmo papel rendeu em 2015? Míseros 3,13 por cento…

Mas nossa conversa continuou, com o seguinte questionamento do Rogério.

A hora de vender ela [NTN-B 2050] vai ser mais ou menos a mesma hora de vender as outras? Quando a Selic chegar a 8 por cento?

Vamos por partes. A primeira questão a ser considerada é que o mercado de juros  futuros antecipa qualquer movimento do Banco Central. Não foi só em outubro, quando o BC começou a cortar a taxa Selic, que as taxas ofertadas no Tesouro Direto começaram a diminuir.

Selic x Tesouro Direto

Peguemos como exemplo a NTN-B Principal com vencimento em 2035, a queridinha de 2016. Se no começo de 2016 você conseguia travar uma taxa prefixada de 7,4 por cento com o papel, já em maio ele pagava menos de 6 por cento. E sabe como a taxa Selic se comportou no período? De forma absolutamente entediante, estagnada em 14,25 por cento ao ano.

Por isso, ainda que o mercado (conforme o Boletim Focus) tenha a expectativa de que a Selic caia dos atuais 13 por cento para 9,5 por cento no fim deste ano (com gordura para cair mais um pouco em 2018), o ajuste no Tesouro Direto não deverá ser na mesma medida. Grande parte dele já está incorporado aos preços.

Isto posto, se seu objetivo for embolsar o lucro dos papéis em 2016, dá para esperar mais um pouco. Estamos atentos no Você Investidor ao melhor timing para essa venda e vamos avisar quando a maré começar a mudar.

Mas, antes de colocar o dinheiro no bolso, reflita sobre a razão por trás dessa decisão. Se você precisa do dinheiro no curto prazo, ótimo, nem tem o que pensar. Aproveite o ganho fácil de 2016.

Porém, se esse investimento na NTN-B Principal com vencimento em 2035, por exemplo, tem como foco sua aposentadoria, vale a pena se desfazer de papéis que garantem a você um retorno da ordem de 6 ou 7 por cento ao ano por cerca de 20 anos?

Resgatar os títulos públicos hoje significa reaplicar o dinheiro em ativos muito menos rentáveis, com retornos prefixados na casa de 5 por cento.

Portanto, seja cauteloso com suas decisões. No Você Investidor, seguimos confiantes com a “Estratégia do Investimento Consistente”. Ainda que o retorno seja menor daqui para frente.

Nos vemos na semana que vem!

Um abraço!
Beatriz
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