Dia da RIQUEZA, não do Trabalho

Ainda dá tempo de ganhar com dólar. Veja como comprar

Dia da RIQUEZA, não do Trabalho

Durante os preparativos para lançar o Criando Riqueza, estávamos discutindo qual seria o assunto da primeira newsletter. Pensamos numa lista de temas que fossem interessantes e úteis. Então nos demos conta de que o texto seria enviado pela primeira vez aos leitores justamente no dia do Trabalho.

E nada melhor do que o Dia do Trabalho para descansar, certo? Errado. Bom mesmo é um Dia do Trabalho para começar a ficar rico! Timing perfeito para a estreia.

Dentre as opções que listamos, optamos por um tema oportuno para o momento atual. Afinal de contas, por pior que esteja a situação do Brasil, isso não quer dizer que a sua situação financeira vá piorar. Pelo contrário, é possível usar o momento da economia a seu favor. Lembre-se sempre: “Enquanto uns choram, outros vendem lenço”.

Então escolhemos o dólar, assunto que ganhou força nos noticiários nos últimos meses e continua a gerar inúmeras dúvidas:

“Ainda vale a pena comprar dólares para investir, ou já perdi a oportunidade?”
“Vou sair de férias em outubro e o dólar está um absurdo, como eu faço?”
“Quero morar no exterior daqui a alguns anos, como guardo dinheiro para levar?”

Vamos então às respostas:

Para a primeira questão, o que tenho a dizer é que sim, ainda vale a pena comprar dólares como investimento.

Perguntei a opinião do Renato Breia, economista e consultor financeiro do Criando Riqueza e ele disse o seguinte: “quem não investiu em dólares obviamente já perdeu o grande movimento de alta. Mas não perdeu totalmente a oportunidade.”

Nosso consultor disse ainda que o cenário atual, de incertezas em relação à economia brasileira e melhora da situação americana, ainda justifica investir em dólar. “Seja para tentar algum ganho e, principalmente, para proteger o patrimônio. Ainda mais depois de uma pequena queda recente”.

Perguntei também ao Felipe Miranda, que é economista e analista da Empiricus, grupo do qual o Criando Riqueza faz parte. Ele vem recomendando a compra de dólares há mais de um ano – desde quando a cotação estava em R$ 1,90 – e me disse que o investimento ainda vale a pena.

É difícil dizer para onde o dólar vai, mas o Felipe acha que seria razoável pensar em algo em torno de R$ 3,40 no fim deste ano. Enquanto escrevo essa linha, veja bem, o dólar comercial está em R$ 2,88, abaixo de R$ 3,00.

 

Analista da Empiricus explica o movimento do dólar

Felipe Miranda: A alta do dólar nos últimos 12 meses não é exclusividade do Brasil, ela está relacionada com seu fortalecimento no exterior, que foi resultado de alguns movimentos importantes. No Brasil, a queda da moeda local foi mais forte do que em outros países por causa de alguns aspectos particulares: um deles é a desvalorização das commodities, como o minério de ferro. Moedas emergentes enfraquecem com a queda das commodities, pois os termos de troca desses país pioram. Além disso, o Brasil responde com mais sensibilidade aos ciclos da economia global do que outros países. Ou seja, quando o dólar “ganha” no exterior, o real “perde” mais do que a média. O Brasil é percebido como um pais de alto risco cambial. A deterioração dos fundamentos da economia brasileira nos últimos meses também ajudou o real a cair.

 

É ainda mais interessante comprar dólares se o objetivo não é puramente o retorno da aplicação, mas também a busca por segurança, para o caso de precisar de dólares no médio prazo. Pode ser para uma eventual viagem para fora do país, por exemplo.

Dito isso, vou dividir o assunto em duas partes: Primeiro, indico como comprar dólares para viagens, cursos fora do país ou outros planos que vão envolver gastos nessa moeda. Em seguida, com a ajuda do nosso consultor financeiro, mostro como investir dólares como uma forma de aplicação.

Uma pequena economia é melhor que nenhuma

Minha sugestão quanto a compra da moeda em espécie é, antes de tudo, fazer uma pesquisa em corretoras de câmbio para tentar encontrar o melhor preço.

Quando vou viajar, eu costumo ligar ao menos em três corretoras diferentes para ver quanto eles estão cobrando pelo dólar.

Como elas vendem o dólar turismo, é bom já ficar preparado para ouvir um valor cerca de 10 centavos maior do que a cotação do dólar que você vê nos jornais.

Em geral, depois de pechinchar consigo uma redução de 4 a 6 centavos no valor que foi pedido incialmente.

Como já se passaram alguns meses desde quando fiz essa pesquisa pela última vez, repeti  nessa semana. Liguei em quatro corretoras de câmbio. Obtive os seguintes preços para a compra de US$ 1 mil.

 

Corretora de câmbio Preço do dólar em 28 de abril/2015 (em R$)
Cotação De R$ 3,10 para R$ 3,02
GetMoney De R$ 3,11 para R$ 3,04
Fair Corretora R$3,04
First Câmbio R$3,01

 

Telefonei primeiro na corretora Cotação, que me passou um preço de R$ 3,10 para o dólar sem o imposto (IOF) e de R$ 3,11 com o imposto. O corretor ofereceu desconto de 2 centavos quando questionei se aquele seria, mesmo, o melhor preço.

Como o dólar abriu o dia em baixa, os preços começaram a cair nas corretoras. Conforme eu ligava nas outras, conseguia valores levemente mais baixos, sempre perguntando se não seria possível fazer uma cotação melhor. Depois de uns 25 minutos de ligações, o mínimo que encontrei foi R$ 3,01. Ou seja, a diferença foi de 9 centavos em relação ao primeiro contato telefônico.

Para US$ 1 mil, a diferença é de R$ 90. Não é muito, mas cada real importa. E, convenhamos, isso custou apenas o tempo gasto para telefonar. Mesmo para US$ 500 – e uma diferença de R$ 46 -, eu sugiro fazer a pesquisa de cotação. As casas de câmbio costumam oferecer os descontos como uma estratégia de fidelizar os clientes. Eles nunca sabem quanto você vai comprar da próxima vez, certo?

Mas veja bem, se o valor for muito mais baixo, talvez não compense gastar muito tempo na pesquisa. Se for muito mais alto, vale mais ainda. Para US$ 10 mil, a diferença seria de R$ 900.

Também vale fazer uma conta simples de quanto você gastaria – em tempo e em dinheiro – para ir de carro, taxi, bicicleta ou transporte público até a corretora que tem o melhor preço. Dependendo da cidade, o preço do estacionamento do local já reduz a economia que você teria comprando em um local, e não em outro.

Nos lugares em que liguei, os corretores de câmbio ofereceram de entregar em casa, sem custo adicional. Sempre pergunte se a sua corretora oferece esse serviço, o que pode lhe poupar algum esforço. Lembre-se que qualquer economia é um passo para a criação de riqueza.

Acabei comprando apenas US$ 500 nessa experiência, e o atendente manteve o mesmo preço oferecido para US$ 1 mil. Lembrando que para volumes maiores de dinheiro a cotação costuma ficar mais baixa.

Para fechar a compra, o procedimento é simples. Em geral, basta abrir uma conta na corretora, o que é possível fazer com uma ligação telefônica e o envio, por e-mail, de alguns documentos (RG, CPF e comprovante de residência, basicamente).

Depois é preciso fazer uma transferência bancária (TED) para a corretora e enviar o comprovante, por e-mail mesmo.

Colecionando dólar

Quem vai viajar nos próximos meses o conselho é fazer um planejamento e ir comprando aos poucos. Dessa forma, você evita o risco de encontrar um preço horrível na véspera da viagem e não sentirá arrependimento por não ter comprado antes.

Ao fim você terá pago um preço médio. Além disso, quem viaja com frequência tem que comprar sempre. “Essa pessoa tem que colecionar dólar”, me disse o Renato.

Agora, se a necessidade de dólares for pontual e o montante de dinheiro for pequeno, talvez também não valha a pena ir à corretora a cada quinze dias…

Há alguns anos, era comum a compra de cartões de viagem que funcionavam no estilo “pré-pago”. Agora, essa solução deixou de ser tão interessante, pois passou a ter o imposto adicional de 6%, que antes era exclusividade do cartão de crédito (além dos 0,38% de IOF, que sempre é cobrado).

Mesmo assim, o cartão “pré-pago” ainda é útil para quem vai estudar fora, por exemplo, e receberá dinheiro periodicamente de sua família no Brasil. Com esses cartões, é possível fazer recargas à distância.

O cartão de crédito, que acaba sendo muito usado nas viagens ao exterior pela praticidade, tem como principal desvantagem a impossibilidade de se prever quanto você vai pagar pelo dólar, já que a cotação que o banco vai te cobrar é a do dia do fechamento da fatura do cartão. Por outro lado, tem a vantagem do acúmulo de pontos no programa de milhagem.

Melhores formas de investir

Com uma busca básica no Google, você vê que existem várias maneiras de investir em dólar. Mas tenha cuidado. Na prática, o Renato avisa que só algumas valem a pena…

A compra de ações de empresas exportadoras, ou mesmo de papéis de empresas estrangeiras negociados na bolsa brasileira (chamados de BDRs), é mais complexa do que eficaz. E acaba não sendo exatamente um investimento em dólares, mas sim em ações de empresas que oscilam conforme uma série de variáveis.

Se você tem hábito e aptidão para fazer esses tipos de aplicações, tudo bem, siga em frente. Mas as recomendações do nosso consultor financeiro são as seguintes:

1 – As verdinhas: A compra de papel moeda, da qual já tratamos aqui, também pode ser uma forma de investir em dólar. Lembrando que essa modalidade, embora também possa ser usada como uma forma de investimento, combina mais com quem sabe que vai gastar o dinheiro em algum momento futuro.

2 – Um bom fundo cambial: O Renato me disse que o fundo cambial é um produto comum nas plataformas de investimentos de bancos e corretoras, principalmente os maiores.

Resolvi testá-lo. Procurei na minha corretora, encontrei um. Então ampliei a pesquisa e, com ajuda do Renato, reunimos na tabela abaixo algumas das opções.

Banco Fundo de Bancos Aplicação mínima Taxa de Administração Retorno 12 meses
BB BB Cambial Dolar LP mil 1.000,00 1,50% 37,74%
BB BB Cambial Dolar LP 20 mil 20.000,00 1,00% 38,54%
BB BB Cambial Dolar LP 100 mil 100.000,00 0,80% 38,85%
Bradesco Bradesco Prime FIC FI Cambial Dólar 10.000,00 1,50% 36,94%
Itaú Itau Personnalite Cambial Dolar 5.000,00 1,50% 36,69%
Santander Van Gogh Santander FIC FI Cambial 1.000,00 2,0% 34,87%
HSBC HSBC Cambial Dólar 25.000,00 1,50% 39,18%

 

Corretoras Fundos em Corretoras Aplicação mínima Taxa de Administração Retorno 12 meses
XP/Rico/Ativa/Guide BTG Pactual Cambial FI Cambial 25.000,00 1,00% 37,55%
XP/Ativa Votorantim FIC de FI Cambial Dolar 1.000,00 0,85% 37,28%
Ativa Mapfre FI Cambial 10.000,00 1,10% menos de 1 ano
Ativa Western Asset Hedge Dolar Cambial 25.000,00 1,00% 37,39%

 

Você pode encontrar outras opções, diferentes dessas que encontramos, se procurar em outras corretoras de valores ou bancos.

Na hora de escolher o seu fundo cambial, é importante olhar o investimento inicial, para que você já filtre a opção que cabe no seu bolso. Em seguida, veja a taxa de administração. Quanto menor essa taxa, que é como uma “comissão” cobrada pela administração do fundo, melhor.

Para uma aplicação mínima de R$ 1 mil, por exemplo, há três opções na nossa tabela. Entre elas, a que tem uma menor taxa de administração (de 0,85%) é um fundo que leva o nome de “Fundo Votorantim FIC de FI Cambial Dólar”.

Esse mesmo produto estava disponível nas corretoras XP e Ativa (também pode ser oferecido em outras, mas só olhamos essas). Neste caso, o retorno obtido nos últimos 12 meses foi de 34,71%. Sabemos que esse período foi o que concentrou a maior valorização do dólar, por isso um retorno tão alto. Como os bancos e corretoras sempre alertam, é preciso ter sempre em mente que resultados passados não garantem performances futuras.

Nesta semana um leitor nos enviou um e-mail dizendo que estava justamente em dúvida para escolher entre dois tipos de investimentos em dólares:

Meu nome é Juliano C., sou assinante de alguns produtos de vocês, dentre os quais a Carteira Empiricus. Vejo que vocês continuam recomendando o investimento em dólar, mas tenho dúvidas em como escolher o melhor produto.

Verifiquei junto a meu banco, e atualmente existem dois fundos disponíveis indexados pelo dólar. Estou enviando em anexo a lâmina destes dois produtos e gostaria do conselho de vocês, sobre qual dos dois é mais atrativo, ou se existem opções melhores no mercado que eu deva verificar. Obrigado antecipadamente.”

Uma das opções que ele tinha era um fundo cambial com aplicação mínima de R$ 5 mil, taxa de administração de 1,5%. A outra era um investimento estruturado vinculado à cotação do dólar com aplicação mínima de R$ 25 mil.

Os dois produtos que Juliano tinha em mãos tinham perfis diferentes. O fundo era mais arriscado, por não têm proteção para o caso da queda do dólar. Já o investimento estruturado era mais conservador e garantia a devolução do valor investido caso o dólar não suba. Mas tinha ganhos limitados a 12%. O restante ficaria com o banco.

Dada a nossa perspectiva de valorização do dólar no médio prazo, a sugestão do Renato para o Juliano foi a de optar pelo fundo.

3 – Abrir uma conta nos EUA: Uma terceira maneira de investir em dólares é a abertura de uma conta nos Estados Unidos. É possível fazer isso de algumas formas…

3.1 Durante uma viagem aos Estados Unidos, você pode levar seu passaporte a um banco local e abrir uma conta corrente. Por esse caminho, o banco não costuma exigir um depósito inicial alto.

A desvantagem é que o acesso  a produtos de investimentos do banco, em geral, é restrito às opções mais básicas e com menores retornos. O tratamento que você vai receber provavelmente será semelhante ao que tem com um gerente de uma conta básica no Brasil.

3.2 Caso você tenha conta, aqui no Brasil, em um banco internacional como o Citi e o HSBC, é possível abrir uma conta no exterior. Nesse caso, a vantagem é poder receber um atendimento melhor do gerente, com mais atenção. A variedade de aplicações também é maior, o que significa que seus dólares podem ser aplicados de forma a render mais.

Mas como “não existe almoço grátis”, o aporte inicial é o complicador: costuma ser alto. O banco pode exigir US$ 100 mil ou US$ 200 mil, por exemplo.

Entre outras opções mais específicas, está a abertura de uma conta no BB Américas, que é uma subsidiária do Banco do Brasil em Miami.

Em todos esses casos, você poderá fazer remessas de dinheiro de vez em quando. E, se fizer uma viagem, poderá usar um cartão de débito para seus gastos, evitando o IOF de 6,38% do cartão de crédito e do pré-pago das casas de câmbio brasileiras.

Por favor, não invista todo o seu dinheiro em dólares. A não ser que você esteja indo embora do Brasil para sempre.  Como é um investimento de bastante risco, por causa da alta volatilidade e da imprevisibilidade de comportamento da moeda, é melhor colocar só um pouco do valor que você tem para investir.

Por fim, preferimos descartar fundos multimercados como opção. Se procurar na internet, você vai encontrar essa sugestão em alguns sites. De fato, pode ser um caminho. Mas esses fundos, como o nome já diz, aplicam em vários tipos de mercados. Assim, pode ser que a exposição em dólares seja mínima.

Aqui, estamos mantendo o foco nos dólares. Certamente falaremos dos multimercados no Criando Riqueza em outra ocasião.

Antes de concluir, faço um último alerta: O investimento em dólar via fundo cambial terá imposto sobre os rendimentos. A regra que vale para esse caso é a da chamada tabela regressiva, que começa com 22,5% dos ganhos. Com o passar do tempo, diminui. O mínimo é 15%.

Voltando ao Dia do Trabalho, você já deve ter ouvido por aí a brincadeira de que “quem trabalha não tem tempo de ficar rico”.

É bem possível que, assim como eu, tenha pensado que isso faz mesmo sentido. Bom, mas eu não deixei de trabalhar por isso. E imagino que você também não tenha deixado…

Espero que o conteúdo do Criando Riqueza mude essa ideia. Vamos fazer de tudo para te ajudar a conseguir, sim, ficar rico enquanto trabalha para que possa se aposentar mais rápido.

Botão amarelo4

Cuidado com armadilhas no aeroporto –> Conteúdo PRO

Por: Olivia Alonso

Mini-contratos de dólar valem a pena? –> Conteúdo PRO

Por: Renato Breia

Quanto do meu dinheiro coloco em dólar? –> Conteúdo PRO

Por: Renato Breia

Entenda os tipos de dólar:

 

Ptax: Essa é a taxa média calculada pelo Banco Central.
Dólar comercial: É utilizado pelas empresas em negócios que envolvem importações e exportações.
Dólar turismo: É utilizado em viagens internacionais, compra de dinheiro em espécie e débitos em moeda estrangeira no cartão de crédito.
Dólar à vista: É a referência utilizada em contratos no mercado financeiro.
Dólar futuro: É o tipo de contrato negociado no mercado financeiro que representa a compra ou venda de moeda americana em uma data futura a um preço pré-determinado.

Conheça outros termos. Acesse: http://www.criandoriqueza.com.br/glossario/

 

Um abraço,
Olivia Alonso

 

Conteúdo relacionado