Ensine economia para seus filhos

Guia Crianças Ricas: Tudo que você precisa saber para educar financeiramente uma criança

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Ensine economia para seus filhos

Caro leitor,

Quando conheci meu marido, ele me perguntou se eu queria ter filhos.

Sim, quero três! E você?

Eu não quero ter nenhum.

Quase me despedi e fui embora. Mas ainda bem que fiquei. Depois desse dia o assunto foi tema de diversas conversas que tivemos. Passávamos horas e horas conversando sobre filhos e, obviamente, sobre os custos para educar uma criança.

“A mensalidade da escola onde você estudou está R$ 2.900. Se tivermos dois filhos, pagaremos R$ 5.800 só de mensalidade escolar”, eu disse em uma das ocasiões (Sim, dois filhos. Depois de um tempo eu cedi um pouco e ele cedeu um pouquinho mais).

Não é apenas os custos da escola nos preocupam, mas também a educação que daremos a eles dentro de casa. O assunto parece não ter fim – e muito menos consenso entre pais.

Ontem enviamos a você um texto do Mark Ford com uma entrevista sobre educação dos filhos na escola e na faculdade, não sei se chegou a ler.

Resumidamente, o entrevistado, Tom Dyson, diz ser favorável à educação em casa (“home schooling”) e diz preferir que o filho use o dinheiro que gastaria em uma faculdade na abertura de um negócio ou em uma viagem.

Nem preciso dizer que foi a newsletter mais polêmica que tivemos desde o início do Criando Riqueza. Recebemos dezenas de e-mails.

Enquanto alguns disseram: “Absurdamente sensacional. Fantástico”; “Adorei o texto”; “Um dos melhores texto que já li”, outros disseram que o texto era uma “loucura” e que “detestaram”.

Foi mais uma evidência do quanto o assunto é controverso.

Como ainda não sou mãe e como a educação financeira para crianças não é exatamente o meu foco, busquei informação de boas fontes para escrever para nossos leitores. Pedi a ajuda à Camila e à Bruna nesse trabalho.

Nos últimos dois meses, nós três nos dedicamos bastante a fazer pesquisas e entrevistas com especialistas. Trabalhamos com o objetivo de montar um guia para que os pais se orientem na educação financeira de seus filhos.

Descobrimos com a Dra. Cássia D’Aquino Filocre, por exemplo, que os pais já podem começar a adotar uma postura educativa a partir do momento em que a criança começa a entender o que é o dinheiro. Elas percebem que os pais possuem algo que é usado para comprar coisas divertidas, coloridas e gostosas

Essa percepção começava a surgir aos dois anos e meio de idade da criança, mas a Dra. Cassia afirma que isso vem acontecendo mais cedo nos dias atuais.

Dra. Cássia é especialista em educação para crianças e autora de artigos e livros sobre educação financeira voltados para o público infantil. Quem conversou com ela foi a Camila, que nos conta um pouco da conversa:

Perguntei à Dra Cássia por que isso está acontecendo cada vez mais cedo. Ela me disse que essa percepção prematura sobre dinheiro está acontecendo pelo fato dos pais trabalharem a semana inteira e aproveitarem o final de semana para ir ao supermercado, fazer compras, ou seja, consumir.

“Então é nesse movimento que a criança começa entender que estar com os pais é sinônimo de ter coisas divertidas, coloridas e gostosas. Desse modo os filhos começam a fazer essa associação”, ela me disse.

A sugestão dela é que os pais optem por outros programas, como ir a um parque, assistir séries e filmes na sala de casa ou fazer uma caminhada em família no domingo de manhã.

Também perguntei à especialista como os pais podem orientar o filhos sobre a publicidade que veem nos canais infantis na televisão.

Se você parar para acompanhar esses canais junto às crianças perceberá a imensa quantidade de comerciais sobre brinquedos, calçados e roupas voltados para o público.

“Os anunciantes dos comercias se utilizam de recursos marcantes para atingir a criançada”, disse a Dra. Cassia.

Sem rodeios, a educadora afirma que é possível e necessário orientar as crianças para que construam um espírito crítico a respeito da publicidade. “É preciso também estar atento ao processo de  amadurecimento da crianças e do desenvolvimento cognitivo de cada fase”.

Durante o comercial daquele brinquedo que eles tanto querem, mas que sua intuição ou condição financeira não permitem que você compre, a sugestão dela é que pergunte: por que você quer esse brinquedo? Você irá levá-lo para escola? Você poderá brincar com outras crianças? É importante transmitir aos filhos a ideia de que não necessitamos, de fato, de todas essas coisas que passam na televisão.

Outros trechos da entrevista – incluindo orientações sobre como dar mesada – estão no nosso segundo relatório especial de Dia das Crianças: “Guia Crianças Ricas: Tudo que você precisa saber para educar financeiramente o seu filho”.

Das escolas para dentro de casa?

Também descobrimos nos últimos meses que o Brasil está avançando – lentamente, mas para frente – na educação financeira nas escolas.

Não sei se você teve aulas desse assunto em sua escola, mas eu me lembro de algumas aulas relacionadas com o tema durante minha infância, em Ribeirão Preto.

A escola se chamava COC e tinha dentro de seu terreno uma mini cidade chamada COClândia, com direito à prefeitos e vereadores, inclusive. Guardo na memória aulas sobre como preencher folhas de cheque e fazer compras na “papelaria” da COClândia.

Mas, na realidade, eu atribuo aos meus pais, à faculdade de Economia, ao trabalho e aos cursos posteriores tudo o que aprendi sobre finanças. Felizmente, isso está mudando.

A Bruna fez as pesquisas sobre isso e nos conta que tudo começou a mudar em 2010, com a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF).

O projeto piloto, criado pela Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF) e pelo Comitê Nacional de Educação Financeira (Conef), tinha como meta inicial ensinar as crianças do ensino médio a lidar bem com as suas finanças.

O programa foi aplicado em aproximadamente mil escolas brasileiras, durante um ano e meio, e os professores transmitiram os conteúdos a vinte mil alunos.

As atividades da ENEF foram distribuídas nas disciplinas tradicionais e os resultados mostram que os alunos compreenderam a importância de atitudes simples como pesquisar preços, economizar recursos naturais e poupar parte da renda.

Os estudantes também fizeram desafios práticos, de modo a vivenciarem os conteúdos teóricos (no relatório especial, sugerimos algumas atividades que retiramos dos livros da ENEF e que os pais também podem fazer em casa).

“Ampliamos o projeto para 3.000 escolas brasileiras e capacitamos 9.000 professores. Queremos mostrar aos jovens que por meio de um planejamento financeiro eficiente é possível transformar a realidade que vivem”, disse à Bruna o Yael Sandberg, gerente de projetos da AEF-Brasil.

Agora, o programa de educação financeira começa a alcançar os estudantes do ensino fundamental.

Neste ano, 200 escolas em Joinville (SC) e Macapá (AM) tiveram o conteúdo da ENEF na grade curricular e vinte mil alunos. “Percebemos que as crianças assimilaram bem o conteúdo e transmitiram as ideias para seus familiares”, disse o gerente da AEF.

Assim esperamos que continue a acontecer, Yael!

 

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Como se divertir com crianças gastando pouco (ou nada) 

Para construir riqueza, é preciso cortar gastos. Para inspirar os pais neste “mês das crianças”, a Bruna relacionou algumas atividades que podem ser feitas com os pequenos sem gastar uma fortuna:

Faça um piquenique no parque

Separe comidas que as crianças gostam – e por que não envolvê-las durante o preparo? Lembre-se de levar frutas e sucos para refrescar. Preparar uma cesta ou sacola com a toalha, alguns livros e brinquedos.

Quem estiver em São Paulo pode aproveitar o tradicional Parque do Ibirapuera, levar o cachorro da família ou ainda visitar alguns museus como o de arte moderna e o de arte contemporânea.

Já as famílias de Belo Horizonte, podem fazer o piquenique na orla da Lagoa da Pampulha. O espaço conta com cerca de 30 hectares de área verde e tem uma das mais belas paisagens da cidade. Se você mora em outras cidades, experimente os parques locais.

Filmes

No cinema há vários deles, mas eu indico a graça e beleza do “Pequeno Príncipe”. A animação francesa retrata a amizade entre um aviador idoso e uma garotinha solitária. O aviador revela a consagrada história do príncipe de um planeta distante, presente na obra do autor Antoine de Saint-Exupéry.

Se você está a fim de curtir com a criançada em casa, o Netflix tem ótimas opções para entreter a família. Faça uma pipoca e aproveite animações como “Up-Altas Aventuras”, “Procurando Nemo” ou ainda a trilogia “Toy Story”.

Quem consegue acessar a internet pela televisão pode transmitir às crianças de 7 a 10 anos os episódios da série “Turma da Bolsa – O Porco e o Magro”, da BM&FBovespa. Também conversamos com Daniel Pfannemuller, da área educacional da bolsa, que nos deu algumas orientações para elaborar o relatório especial 2.

Na série, o Porco é um personagem de meia idade, formado em Economia pela universidade norte-americana de Harvard. O Magro tem 28 anos e é formado em Assistência ao Porco pela fictícia Escola Técnica de Magrópolis. Como você já pode imaginar, o Magro segue as orientações do porquinho para cuidar de suas finanças pessoais.

 

As três temporadas estão disponíveis no canal da BM&FBovespa no Youtube.

Para completar a diversão incentive os pequenos a fazerem ilustrações sobre o que viram. Pode ser uma atividade animada que ajudará a discutir a mensagem dos filmes e dos episódios da série.

Exposições

Visitar museus e centros culturais também pode ser uma boa opção.  A mostra do Castelo Rá-Tim-Bum, que já fez sucesso em São Paulo, chegou ao Rio de Janeiro no dia 12 de outubro.

Os visitantes poderão entrar nos ambientes do Castelo e ainda conferir de perto os bonecos originais de personagens como o monstro Mau e a cobra Celeste.

Em São Paulo, recomendo a exposição “80 anos de Maurício de Souza”, que estará no Centro Cultural SP até o dia 15 de dezembro, celebrando o aniversário do desenhista.

Zoológico

Não hesite em visitar o zoológico da cidade. As famílias que estiverem em Salvador, por exemplo, têm a disposição o Parque Zoobotânico, onde há 1500 animais.

Entre os exemplos inspiradores para uma viagem (veja a possibilidade de comprar a passagem com suas milhas) está o Parque das Aves, próximo ao Parque Nacional do Iguaçu, onde ficam as Cataratas, o espaço é um dos maiores da América Latina e desenvolve projetos de conservação e procriação de espécies.

 

Aviso: A partir de agora, enviaremos a newsletter semanal da série Criando Riqueza PRO às segundas-feiras, para que nossos leitores já comecem a semana com nossas orientações de melhores hábitos financeiros. Sugiro que reservem um horário no mesmo dia para ler o nosso conteúdo semanal. Que tal fixar a segunda-feira à noite como o dia oficial de cuidar de suas finanças pessoais? Nesta segunda-feira, 19 de outubro, disponibilizaremos o relatório 2 do especial Dia das Crianças. Para o dia 26, estamos preparando uma newsletter para ajudá-lo a conversar de igual para igual com seu gerente de banco.

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