Existe retorno além do Tesouro Direto

Títulos como debêntures, CRIs e CRAs podem e devem ser analisados para diversificar sua carteira e turbinar seus rendimentos

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Existe retorno além do Tesouro Direto

Sou notoriamente péssima com ditados e expressões populares. O pior é que adoro utilizá-los em meus textos, como talvez você já tenha notado. Uso e abuso, mas sempre preciso recorrer ao “oráculo” (mais conhecido como Google) para me certificar de que não estou equivocada.

O curioso é que esse traço vem de família. Meu pai e irmão sempre cometeram verdadeiros crimes contra os provérbios, e eu não fugi à regra…

Até outro dia, não tinha ideia que o correto era “ir com muita sede ao pote”, não ao podium. Eu sei, soa ainda mais ridículo agora que escrevo.

Mas, enfim, fiz todo esse preâmbulo só para começar a newsletter de hoje com uma provocação em forma de dito popular.

Nos investimentos, é preciso estar sempre com um olho no peixe, e outro no gato.

Não adianta pensar que uma decisão acertada de alocação de recursos vai garantir sossego até a aposentadoria. Infelizmente, não é tão simples assim. Bobeou, dançou.

O cenário macroeconômico é bastante dinâmico, e mudanças de rumo podem (e devem!) levar você a repensar certas decisões. Leitores com mais de 30 anos conhecem de perto esse comportamento tupiniquim e, se não tiveram que agir, certamente lembram-se de seus pais preocupados com a inflação galopante especialmente na década de 1980.

Para trazer um tom mais poético ao artigo de hoje, peço licença ao Gabriel García Márquez para fazer referência a uma de suas conhecidas citações. “A vida não é mais do que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver.”

Tenho certeza de que o nobre escritor não se referia às finanças, mas aproveito a declaração para falar do assunto de hoje e para ir além da sobrevivência. Quero tratar de sua carteira de investimentos.

Estou ciente de que o brasileiro ainda está engatinhando no mercado de renda fixa. E é por isso que às vezes preciso ser redundante.

Mesmo com o Brasil detendo o troféu de país com maior juro do mundo, parece que só agora o investidor está realmente perdendo o medo de investir em renda fixa. Ainda conservador, o brasileiro padrão reluta em tirar o dinheiro da poupança e transferi-lo para um CDB, para depois começar a olhar para um fundo DI, em seguida para uma LCI, para enfim chegar ao Tesouro Direto.

Eu já comemoro quando os assinantes do Você Investidor, o relatório de acesso aqui da Empiricus, me escrevem contando que começaram a comprar títulos públicos e estão em busca de mais informações sobre o mercado. Acho um ótimo sinal de interesse!

Mas me preocupa que as pessoas parem ali. Dá para ir mais longe, dá para correr mais riscos, adquirindo mais conhecimento (e segurança) no mercado e seguindo na renda fixa.

Estou falando de papéis de dívidas corporativas. Da mesma forma que, no Tesouro Direto, você recebe uma remuneração para emprestar dinheiro ao governo, ao investir em debêntures, por exemplo, você pode obter retorno para financiar empresas privadas. A lógica e o funcionamento são bastante semelhantes.

Mas estamos tratando de papéis mais arriscados, afinal, nenhuma empresa será mais segura do que o próprio governo. E é um investimento que não tem a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), por isso, é preciso exigir mais retorno.

Diferentemente do Tesouro, em que a decisão de compra passa pelo retorno, pelo horizonte de investimento e pelas oportunidades do momento, no mercado de títulos privados, é preciso conhecer mais a fundo as empresas. Afinal, para que serão destinados os recursos captados? E qual é o risco de a companhia não conseguir honrar o pagamento da dívida?

Essa lógica também passa pela escolha dos chamados CRIs e CRAs, que você já deve ter visto na plataforma de seu banco ou de sua corretora. De forma bem resumida, ambos são títulos de renda fixa destinados a financiar transações do mercado imobiliário e de agronegócio.

Assim como nas LCIs e LCAs, o grande apelo está na isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos. A diferença, contudo, está na cobertura inexistente do FGC e no fato de CRIs e CRAs serem emitidos por empresas securitizadoras de direitos creditórios.

Na prática, o investidor poderá não receber a remuneração de um CRI, por exemplo, se os devedores dos recebíveis que compõem o lastro do CRI não quitarem suas obrigações junto à securitizadora.

É renda fixa? Sim! Mas tem risco, e você precisa estar ciente dele antes de investir.

À medida que a economia melhore, a tendência é vermos mais emissões de debêntures, de CRIs e CRAs, assim como LCIs e LCAs. Antes disso, é melhor estar por dentro desses mercados e ter bem claras suas vantagens e suas diferenças.

Os retornos compensam os riscos? Você está disposto a carregar os papéis até o vencimento, se necessário? As emissões foram bem avaliadas?

Tudo isso precisa ser levado em conta.

A Marília está sempre acompanhando as emissões e revelando oportunidades aos assinantes do Empiricus Renda Fixa. Chegou a conferir a última recomendação da analista?

Pensando no investidor que está começando a se abrir para mais investimentos de renda fixa, de olho na tal da diversificação, explicarei em detalhes o universo das debêntures no relatório Você Investidor de abril. Espero que me acompanhe e envie suas dúvidas para beatriz.cutait@empiricus.com.br.

O entendimento é fundamental para você analisar seu portfólio e avaliar as oportunidades à medida que os juros fiquem cada vez menores. Nossa missão aqui é ajudar você a encontrar os melhores retornos possíveis no atual cenário!

Um abraço!
Beatriz

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