BOVA11 – Fundo de índice, mas pode me chamar de ETF

Entenda como funciona o mercado, sua estrutura e os custos envolvidos

BOVA11 – Fundo de índice, mas pode me chamar de ETF

Caro leitor,

Você está ouvindo falar do tal “rali do impeachment”, tem notado que os ânimos estão mais exaltados no mercado financeiro, tem visto grandes instituições financeiras começarem a apostar na virada da Bolsa brasileira e tem se perguntado como lidar com isso tudo? Saiba que você não está sozinho!

Qualquer investidor do mercado de ações ou mesmo apenas interessado na dinâmica da Bolsa está acompanhando o movimento frenético dos últimos tempos, associado em grande parte ao noticiário político.

E a expectativa de que uma ruptura política leve a uma reversão da trajetória negativa do mercado brasileiro, com a possibilidade de forte valorização do Ibovespa, nos traz ao tema da newsletter de hoje: os ETFs.

ETF é o “apelido” de Exchange Traded Fund, ou Fundo de Investimento em Índice. Popularmente conhecidos por fundos de índices, os ETFs têm cotas negociadas em Bolsa e correspondem a uma carteira teórica que busca espelhar o desempenho de um índice de referência, antes de taxas e despesas.

A operação é bem semelhante à de uma ação, já que, ao longo de um pregão, você pode negociar as cotas de um ETF por meio de sua corretora.

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Na cola do Ibovespa

Pensemos no Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira. Como acompanhar seu desempenho, já que ele não é um ativo negociado diretamente em bolsa?

A primeira opção, praticamente impossível de ser colocada em prática por um investidor pessoa física, seria comprar todas as ações que integram a carteira teórica do índice (hoje são 61) e balancear o portfólio com o peso de cada papel no Ibovespa, adequando essa carteira toda vez que o índice sofrer alterações em sua composição.

Com base na pontuação de fechamento do Ibovespa em março, isso significa um investimento aproximado de R$ 50 mil (correspondente aos 50.055 pontos do pregão de 31 de março). Praticamente inviável, certo?

Vamos, então, à segunda alternativa: o ETF. Ao comprar cotas de um fundo de índice que espelhe o Ibovespa (como o BOVA11 e o XBOV11), você indiretamente passa a deter todos os papéis da carteira teórica do índice sem ter o trabalho de gerenciar o portfólio, ou seja, sem ter que comprar todos as ações que o compõe e mantê-lo atualizado após cada rebalanceamento. Esse trabalho fica a cargo de um gestor, que recebe uma taxa de administração pela atuação.

O principal ETF do mercado brasileiro é o BOVA11, que tem como objetivo obter um retorno bem próximo ao do Ibovespa. Em 2015, por exemplo, o Ibovespa registrou queda de 13,31%, enquanto o BOVA11 caiu 13,49%.

Embora fuja da nossa discussão principal, é preciso dizer que há uma terceira opção, na qual você tem menor controle, pois delega integralmente a gestão (no ETF, embora haja a figura de um gestor, é você o responsável pela decisão de comprar e vender as cotas). Essa terceira via se dá pelos fundos indexados não listados, que tenham como mandato replicar o desempenho do Ibovespa. Vendidos por bancos e gestoras, esses fundos costumam ter taxas de administração maiores que as dos ETFs, ainda que haja outros custos embutidos nos fundos de índice, como veremos a seguir.

E é preciso estar atento para a estratégia do fundo indexado, já que há casos de carteiras que replicam os ETFs, ou seja, você paga para um gestor aplicar em um produto no qual você poderia investir diretamente, pagando menos. Seu custo é maior e, consequentemente, seu retorno tende a ficar menor. Logo…

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Nosso planejador financeiro Walter Poladian ainda vai entregar um passo a passo para você não ter mais nenhuma dúvida sobre como mexer no home broker, plataforma on-line para negociação de ações.
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Custos

Além da diversificação, um dos grandes apelos dos ETFs está no baixo custo. Segundo a BM&FBovespa, é possível iniciar uma aplicação com cerca de R$ 200, lembrando que o investimento mínimo é o do lote-padrão de negociação na Bolsa, ou seja, dez cotas do fundo, multiplicado pelo preço da cota no mercado.

As taxas de administração dos 14 ETFs disponíveis atualmente no mercado brasileiro, todos de renda variável, variam de 0,059% a 0,69% ao ano, o que é baixo em relação à indústria tradicional de fundos de ações, mas há outros custos que precisam ser levados em consideração.

Os ETFs também estão sujeitos aos encargos que incidem sobre operações com ações: taxas de corretagem (que variam conforme a instituição e a quantidade de operações realizadas) e de custódia da corretora, e os emolumentos da Bolsa.

Dica: uma forma de diminuir os custos é alugar seu ETF, uma operação bastante procurada em momentos de baixa do mercado.

Tributação

A tributação dos ETFs é semelhante à dos fundos de ações, com um imposto de 15% sobre o lucro no momento da venda das cotas. Cabe ao próprio investidor recolher esse imposto até o último dia do mês subsequente via DARF. Por isso, lembre-se de anotar o preço da aquisição da cota para poder calcular o lucro obtido e o valor a ser pago.

E, diferentemente do mercado de ações, não se aplica a isenção do imposto de renda para vendas abaixo de R$ 20 mil no mês.

Cardápio variado

Há hoje no mercado brasileiro 14 ETFs, geridos pela BlackRock, pelo Itaú Unibanco, pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. Todos são fundos de índices de ações, que buscam replicar o comportamento de referenciais como o Ibovespa e o IBrX, além de índices de dividendos, de small caps, de governança corporativa, de sustentabilidade, do setor financeiro e do mercado acionário americano, dentre outros.

Os ETFS são bastante difundidos no mercado americano, mas aqui no Brasil ainda não caíram no gosto da pessoa física, que tem participação ainda pequena na indústria. Os últimos anos complicados da Bolsa brasileira explicam parte desse desinteresse.

A promessa agora está no lançamento de ETFs de renda fixa, mercado que concentra o maior interesse do brasileiro hoje em dia e que pode ajudar a popularizar o produto.

O que pesa contra os ETFs

A recuperação da Bolsa neste ano, com uma subida da ordem de 15,5% até março, deve estar fazendo você se perguntar: por que não comprar um ETF que replique o Ibovespa? Novamente, você não está sozinho.

Na última monitoria do curso “Investimento para Leigos – Começando do Zero”, um participante perguntou ao analista da Empiricus Rodolfo Amstalden se o ETF BOVA11 seria um instrumento viável para capturar eventuais ganhos da Bolsa passada a atual crise. Ele mencionou, na ocasião, a recuperação do mercado em crises anteriores.

Embora o ETF seja uma maneira fácil, menos trabalhosa e legítima para se ingressar no mercado de ações, Rodolfo afirmou que ele não deve render os melhores resultados para o seu bolso. E por quê?

“O Índice Bovespa é uma cesta em que cabem muitas coisas, é ponderado por valor de mercado e por liquidez. Então dentro dele você vai encontrar as ações da Petrobras com uma das maiores participações, e eu sequer cogito investir em ações da Petrobras agora. Então eu não teria Ibovespa nesse momento, porque, se eu comprar BOVA11, estarei comprando um pedacinho de Petrobras, e eu não quero fazer isso, nem de Usiminas, por exemplo. As empresas estão extremamente endividadas e acho que essa conta vai ser cobrada mais à frente. Então o que eu prefiro fazer é escolher exatamente aquelas empresas pelas quais sou apaixonado e deixar as outras para que os outros escolham. Por isso que eu não gosto tanto assim de comprar um índice, mas, de qualquer forma, os acertos dentro de um índice tendem a superar os erros.”

Há alguns anos, esse peso hoje exercido por papéis como o da Petrobras partiu da petroleira OGX, do empresário Eike Batista. As ações da empresa tinham participação relevante no Ibovespa e no IBrX e, em meio a uma forte crise, prejudicaram o retorno dos índices e, consequentemente, dos ETFs ligados a eles.

Fica, então, o aprendizado. Não há uma resposta fácil para dizer qual a melhor forma de ganhar com a bolsa. Você tem alguns canais à disposição e precisa avaliar seu perfil de investidor e sua disposição ao risco. Fundos de ações, ETFs e a seleção individual de cada papel que vai compor sua carteira são três alternativas disponíveis para você avaliar. Boa sorte!

Aviso aos assinantes:

Os assinantes da série Você Investidor terão acesso, a partir de amanhã, à última edição de todos os relatórios essenciais da Empiricus. É um brinde que oferecemos a quem acompanha o relatório essencial do Criando Riqueza, “Você Investidor”. Aproveite!

 

Correção: na última newsletter, sobre Imposto de Renda, houve um erro de entendimento da contadora Eliana Lopes, da consultoria H&R Block, em relação à pergunta de número 5, o que levou a uma resposta equivocada. Pedimos desculpas e encaminhamos a resposta correta.

5- Como faço para declarar um imóvel adquirido no exterior via LLC (Sociedade de Responsabilidade Limitada)? (Fabiana D.)

Eliana: Na Declaração Anual do Imposto de Renda, devem ser informados os bens de propriedade da pessoa física. Assim, você deverá informar a constituição da empresa LLC na ficha de bens, indicando o país onde está localizado, e não o imóvel.

Na discriminação do bem, inclua dados da constituição da empresa, a data e os valores de aplicação do investimento em moeda estrangeira. Indique também se esse bem foi adquirido com rendimento auferido originariamente em reais ou em moeda estrangeira.

Se a empresa foi constituída ao longo do ano de 2015, indique saldo R$ 0,00 em 31/12/2014. Em 31/12/2015, coloque o valor convertido em dólares (dos EUA) para a data da aquisição e, em seguida, em reais pela cotação do dólar fixada para venda pelo Banco Central, para a data do pagamento. No caso de múltiplas datas de aportes de capital, faça a conversão dos valores separadamente e some o total para essa coluna.

Os valores em reais deverão permanecer os mesmos até o momento da liquidação/resgate do investimento.

Leitura sugerida:

– BM&FBovespa estuda a criação de ETFs de moedas e commodities
– Hora de domar o Leão
– A estratégia infalível para lucrar com ações

Um abraço,

Beatriz Cutait

 

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