A guerra de preços das corretoras começou

XP e Rico tentam captar o seu interesse com isenção de taxas de renda fixa. Quais são os cuidados que você precisa ter com essas ofertas?

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A guerra de preços das corretoras começou

Eu já vi esse filme antes. Ele esteve em cartaz há cerca de cinco anos, mas parece muito mais tempo. Uma corretora coreana chegou ao Brasil marcando presença, jogando os preços de operação do homebroker lá para baixo, foi acompanhada por algumas casas e despertou a ira da maior parte dos concorrentes.

Naquela época, na busca por aumentar o número de investidores, as corretoras faziam de tudo. Davam ingressos para cinema, jantar em restaurante bacana, passagens para o exterior, iPad, enfim, valia tudo para tentar angariar mais um cliente para a base, num tempo em que a própria Bolsa sonhava em contar com cinco milhões de investidores pessoas físicas no mercado, meta nem de longe atingida…

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Mas a estratégia do passado causou mais burburinho do que resultado concreto. Os últimos anos não foram nada fáceis para o investidor da Bolsa. O Ibovespa, o principal índice do mercado acionário brasileiro, registrou perdas em quatro dos últimos cinco anos. Muitos investidores não resistiram aos trancos e algumas corretoras não conseguiram sobreviver, como a TOV, uma das que jogou pesado no passado e neste ano entrou em liquidação extrajudicial.

O cenário atual, no entanto, é outro. A recuperação da Bolsa este ano tem entusiasmado o pequeno investidor, que volta, aos poucos, a olhar para o mercado acionário.

De olho nesse público, as corretoras começam a ser mais agressivas, mas, por enquanto, estão concentrando os esforços na renda fixa, zerando as taxas de custódia. Os custos de corretagem para operar em Bolsa e as taxas de administração dos fundos de investimento continuam intactos.

XP e Rico abriram a porteira.

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XP

Com Murilo Benício como garoto-propaganda, a XP isentou, neste mês, seus clientes de todas as taxas de manutenção de conta, independentemente da quantidade de transações que fizerem ou dos valores investidos. A isenção vale para custódia de renda fixa (a taxa era de 9,90 reais ao mês), de renda variável (o custo variava de 9,90 a 19,90 reais) e de operações estruturadas (COE), cuja cobrança era de 9,90 reais.

A corretora também deixou de cobrar a taxa de administração para Tesouro Direto (com valor de 0,10 por cento ao ano para compras via Tesouro Direto e de 9,90 reais ao mês para operações feitas por meio de agentes autônomos ou pela própria XP). Nesse caso, a taxa de custódia cobrada pela Bolsa permanece.

Foi extinta, ainda, a cobrança (absurda, diga-se de passagem) de 8,90 reais por TED cada vez que o cliente resgatava dinheiro da corretora. Investidores com mais de 300 mil reais investidos na XP já eram isentos dessas cobranças.

Rico

A Rico também deixou de cobrar as taxas de custódia e intermediação para operações de renda fixa (CDBs, LCs, LCAs, LCIs e debêntures) de todos os clientes. Segundo Norberto Giangrande, sócio da corretora, até então, era cobrada uma taxa de 0,10 por cento sobre o patrimônio a cada 90 dias, o equivalente a 0,40 por cento ao ano.

A ideia é ampliar essa isenção para o Tesouro Direto, mas Norberto está preocupado com a perda de receita com as taxas. A Rico quer ver se será possível repor essa perda com o aumento do número de clientes. E não há planos para se mexer na taxa de corretagem fixa, de 9,80 reais por trade, independentemente do valor operado.

Por enquanto, as expectativas das duas corretoras estão altas.

Mesmo abrindo mão de uma receita anual de 25 milhões de reais por ano, a XP espera colocar pelo menos mais 130 mil clientes na base até o fim de 2017.

A Rico vai renunciar a 5 milhões de reais ao ano com a isenção de taxa e espera começar a colocar 10 mil clientes por mês na base de agora a partir de 2017.

Geração Futuro

Embora crítico em relação ao movimento da concorrência, Eduardo Moreira, sócio da Geração Futuro (que detém a plataforma Genial), disse que também vai acompanhar a isenção de taxa no Tesouro Direto. A corretora cobra atualmente 0,30 por cento ao ano, mas, em outubro, essa cobrança deixa de existir.

A irritação de Eduardo está no marketing em cima da isenção da taxa de administração, porque o que está por trás não é uma renúncia de receita pura e simples das corretoras, mas, sim, o incentivo financeiro da Bolsa.

“Existe um programa da Bolsa de incentivo às corretoras para cadastrarem clientes novos no Tesouro Direto. Ela paga um valor para as corretoras por novo cliente aberto, e as corretoras descobriram que isso valia quase tanto quanto a corretagem. Elas trocaram, então, a corretagem por essa remuneração da Bolsa e preferiram ganhar no volume”, disse o sócio da Geração Futuro.

A corretora não cobra taxa de custódia sobre ativos de renda fixa.

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O que está em jogo?

Embora as taxas anteriores fossem pouco expressivas (0,10 por cento de 100 mil reais, por exemplo, significa um custo anual de apenas 100 reais), zerar a cobrança de administração sobre o Tesouro Direto é uma iniciativa positiva a qualquer investidor. E, se você comprar por meio do próprio Tesouro Direto, não tem erro.

Se você operar por meio da mesa da corretora (a XP é uma das corretoras que costuma direcionar os clientes para esse tipo de operação), as taxas não são as mesmas do sistema do Tesouro. Procure ficar de olho!

Nas operações de renda fixa, você vai ter de ficar mais atento. A isenção de taxa de custódia é benéfica? Claro! Mas seu trabalho precisa ser redobrado.

Como sabemos que não existe almoço grátis, para deixar de cobrar a custódia, as corretoras deverão criar/aumentar os spreads, ou seja, diminuir o retorno dos títulos ofertados a você. Como esse custo não é visível para o investidor, seria interessante comparar as taxas de pelo menos duas corretoras para avaliar se a rentabilidade é de fato atrativa.

“Preferimos ser remunerados pelo próprio emissor do papel de renda fixa. Estamos seguindo como distribuidor”, afirmou Norberto, da Rico.

O desconto na taxa de custódia poderá facilmente ser compensado por um retorno menor oferecido nos CDBs e nas LCAs e LCIs da vida, e nem sempre você sairá no lucro.

Corretora precisa ter receita. Ponto-final.

“Não tem mágica. Se uma corretora não estiver cobrando nada, ou ela vai fechar ou está cobrando em algum lugar em que você não está vendo”, avisa o Norberto.

A Guide decidiu não entrar nessa guerra de preços. Aline Sun, sócia e diretora de investimentos da corretora do banco Indusval, critica a falta de transparência do mercado e prefere manter, pelo menos por ora, as taxas cobradas.

“O cliente tem de entender o que está pagando e mostrar que o serviço feito custa. A Guide não quer entrar na guerra de commodity, de preço. Temos um diferencial na seleção de produtos, na curadoria, na consultoria, no advisor, e queremos mostrar quanto a gente cobra”, defendeu Aline.

Infelizmente, a Easynvest e a Ativa não puderam/quiseram falar sobre o assunto.

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O que fazer?

Aproveite as isenções de taxas, mas não se concentre apenas em custo. A experiência de investir vai além das tarifas, e passa por serviços ofertados, atendimento e diversidade/atratividade de produtos. De nada adianta não pagar nada para operar Tesouro Direto, por exemplo, se sua corretora não oferecer algo além dos títulos públicos. (Mostramos as vantagens de cada corretora no relatório de junho do Você Investidor. Confira!)

Confira algumas dicas da Empiricus para se aproveitar da maior concorrência do mercado.

  • Compare, mais do que nunca, as taxas oferecidas. O aplicativo Renda Fixa pode ajudar nessa tarefa (mas atenção com as ofertas patrocinadas, que costumam aparecer no topo das pesquisas).
  • Negocie as taxas com sua corretora/banco atual. Recentemente, um assinante do Você Investidor me disse que conseguiu diminuir a taxa de administração do Tesouro Direto do seu banco de 0,50 para 0,10 por cento ao ano. Ainda acho melhor não pagar nada, mas já é uma conquista.
  • Se o seu interesse for além do Tesouro Direto, tenha mais de uma conta em corretora e adquira o hábito de pesquisar antes de investir. As ofertas podem variar bastante, assim como os produtos disponíveis nas plataformas. Ter mais de uma conta vai dar um pouquinho de trabalho na abertura, mas não vai ter custo. Confira o passo a passo aqui.
  • Não está satisfeito com a sua corretora? Não perca tempo, mude já! Confira como na newsletter Na riqueza, mas não na pobreza.

Espero que você aproveite o momento para fazer boas escolhas. Escreva para o e-mail beatriz.cutait@empiricus.com.br contando se você teve alguma experiência de cobrança de taxa indevida ou mesmo de desconto de sua corretora.

Não perca a monitoria do Você Investidor na próxima sexta-feira (16), às 11h. Tire suas dúvidas sobre as aulas “Como investir por uma corretora de valores” e “De quanto dinheiro preciso para investir?”. Atualize o cadastro do seu celular para receber o lembrete por SMS.

Um abraço,

Beatriz

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