Diga não à bola de cristal!

Como você está preparando seu portfólio para 2018? 
Em vez de tentar adivinhar como os mercados vão se comportar,
 é hora de analisar o cenário com olho clínico.

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Diga não à bola de cristal!

Já estamos naquele momento do ano em que os magos e mestres do mundo todo se reúnem para traçar os cenários para 2018.

É reconfortante procurar “respostas” nos oráculos do mercado financeiro, com analistas, economistas e outros profissionais dando seus pitacos sobre como os investimentos vão se comportar daqui para a frente.

Mas, embora possam existir modelos econômicos balizando parte das previsões, a verdade é que há MUITOS fatores subjetivos que entram na conta, contagiando grande parte dos resultados. Especialmente quando vivemos em um país como o Brasil…

Hoje, no entanto, quero falar pouco, e mostrar mais dados para você.

Separei algumas das previsões feitas pelo mercado e reunidas no boletim Focus, do Banco Central, no início deste ano, e comparei com os números reais da economia que temos até agora.

* Com base no boletim Focus do dia 6 de janeiro de 2017. Fontes: Banco Central, Bloomberg e IBGE

Veja como a inflação e os juros estão bem abaixo que o previsto há 11 meses. A taxa de câmbio, a variável tida como a mais difícil de ser prevista, até está bem próxima do projetado, enquanto as expectativas com relação ao desempenho da economia parecem ter sido mais pessimistas do que a realidade.

Curiosamente, contrariando o senso comum, uma das projeções que caminha para encerrar 2017 bem próximo das expectativas do mercado foi a referente ao Ibovespa neste ano. É claro que o exercício é praticamente sempre um chute, que fique claro, mas não é que as previsões estão se consolidando desta vez, com o principal índice da Bolsa brasileira estabelecendo um novo recorde no ano?

Até o fim de novembro, o Ibovespa subiu 19,5%. O índice Small Caps, um indicador de desempenho das empresas de menor valor de mercado, tem sido o maior destaque, com alta de nada menos que 39,5% no ano.

O Max, que tem como missão encontrar as melhores oportunidades nesse universo para a carteira do Microcap Alert, tem motivos para rir à toa…

Mas, mesmo com a melhora da Bolsa, a esperança de retomada dos IPOs foi superestimada pelo então presidente da BM&FBovespa (atual B3), Edemir Pinto. Em dezembro do ano passado, o executivo estimou que as ofertas iniciais de ações poderiam retornar ao patamar médio de 20 a 25 emissões ao ano em 2017.

É verdade que o número de IPOs cresceu, mas, até agora, apenas oito novas empresas começaram a negociar suas ações neste ano.

E aonde estou querendo chegar com todo esse retrato das aplicações?

A um pedido simples: quero que você comece a analisar os indicadores da economia com maior ressalva, com olho clínico mesmo.

Em vez de ficar obcecado tentando saber a pontuação exata do Ibovespa, a taxa de câmbio e a Selic ao fim de cada ano, você deve analisar seu portfólio e verificar se ele está bem posicionado para o cenário adiante. E fazer os ajustes necessários no caminho.

Sabendo que os juros brasileiros estavam em trajetória de baixa, você comprou algum papel com retorno prefixado para se aproveitar do consequente aumento dos preços?

Diante da melhora da Bolsa, você conseguiu deixar o medo de lado e se expor a ativos mais arriscados?

E o que você fez com relação às taxas cada vez menores na renda fixa? Cruzou os braços ou pesquisou a oferta de corretoras, com produtos bem mais rentáveis do que os oferecidos pelos grandes bancos?

Três atitudes como essas teriam feito a diferença no seu portfólio. Sem grandes milagres, sem recorrer aos “mestres da adivinhação”. Bastaria estar atento aos sinais claros da economia.

O ano de 2018 começará cheio de incertezas. Num cenário de maior preocupação com o ritmo da alta de juros nos Estados Unidos por conta da inflação e com as eleições presidenciais por aqui, as turbulências devem ser maiores. Volatilidade provavelmente será uma palavra repetida à exaustão nos próximos meses.

Na dúvida, é fundamental manter os seguros ativos, com alguma exposição cambial na carteira, assim como é imprescindível garantir que seu colchão de liquidez — a parcela mais líquida do seu portfólio — esteja reforçado.

Depois da fartura da Bolsa em 2017, é hora de acompanhar ainda mais de perto o trabalho de seus gestores. E nem preciso dizer que, se a ideia é se manter conservador, com uma carteira recheada de aplicações de renda fixa, pelo menos se livre de uma vez por todas das porcarias de CDBs que não pagam nem 100% do CDI, ou de LCIs e LCAs com retornos abaixo de 90%.

Não dá para voltar no passado, mas certamente é possível se preparar melhor para o futuro.

O que você está fazendo nesse sentido? Escreva-me contando.

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