Jogar a SEU FAVOR é o novo contra o Brasil

Está mais do que na hora de a caderneta de poupança deixar de ser a “aplicação da família brasileira"

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Jogar a SEU FAVOR é o novo contra o Brasil

Toda vez que escrevo falando (mal) da poupança, sinto que desperto os instintos mais primitivos de alguns brasileiros, do mesmo modo que num passado não tão longínquo o ex-deputado Roberto Jefferson se referiu ao ex-ministro José Dirceu.

Aconteça o que acontecer, não fale mal da caderneta, Bia. Eu já deveria ter aprendido…

Há alguns dias, um leitor afirmou que “quem fala mal da poupança é contra o Brasil ou está ganhando bola para tal”, isso depois de eu ter compartilhado que bastava os juros caírem para os brasileiros voltarem para a caderneta, mesmo com o rendimento ridículo da aplicação.

Para o Daniel Malheiros, analista que acompanha tão bem o setor imobiliário, é uma excelente notícia, afinal, quanto maior a captação, mais favorável a situação do ponto de vista de fonte de financiamento para o setor imobiliário.

O Daniel tem se mostrado cada vez mais otimista com a recuperação desse mercado e acabou de montar o que seria a primeira Carteira de Imóveis da Empiricus de olho nessa retomada. Material de primeira que vale a pena conferir! Mas, como o meu papel é pensar sobre o retorno que você coloca no bolso, me sinto na obrigação de, mais uma vez, contestar o apego à aplicação mais querida da família brasileira.

Tenho ouvido muita gente por aí dizendo que a poupança está voltando a ser atrativa por conta da queda da Selic. Parece que o pessoal se esquece de que a regra da caderneta mudou desde a semana passada, com a última decisão do Banco Central de diminuir a Selic para 8,25 por cento ao ano.

Por isso, não custa repetir.

Com a Selic igual ou abaixo de 8,5 por cento, a poupança também sai perdendo, já que passa a ter retorno equivalente a 70 por cento da meta mensalizada da Selic mais TR, cuja variação é ínfima.

No atual contexto, a poupança renderia hoje 5,77 por cento mais TR. Mesmo descontando a alíquota mais alta do Imposto de Renda, de 22,5 por cento ao ano para resgates em até seis meses, uma aplicação que pagasse cerca de 100 por cento do CDI (como o Tesouro Selic) entregaria um retorno de 6,4 por cento ao ano. Ainda que tenhamos que descontar a taxa de custódia do Tesouro Direto, de 0,3 por cento ao ano, o Tesouro Selic segue mais atrativo que a caderneta.

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Essa nova regra vale para todos os aportes feitos a partir do dia 4 de maio de 2012. E se você tem uma poupança anterior a essa data, não pense que tem algo a comemorar. Você perdeu excelentes oportunidades de ver seu dinheiro efetivamente rendendo ao longo dos últimos anos, mantendo numa aplicação que paga ínfimos 0,5 por cento ao mês, mais TR. Tenha a absoluta certeza de que fez uma má escolha.

Quando comparado à caderneta, o Tesouro Selic continua a ser uma opção mais vantajosa para novos aportes. Mas ele só deve ser sua escolha de investimento para ajudar a formar uma reserva disponível para emergências, tais quais um período de desemprego ou mesmo para cobrir despesas médicas de um dia para o outro. Ter um colchão de liquidez equivalente a cerca de seis meses de seus gastos médios mensais já permite sonhar com aplicações mais vantajosas no futuro.

Na semana que vem, vou explicar quais investimentos podem estar ao seu alcance mesmo com valores pequenos. Já passou da hora de você parar de procrastinar com seu dinheiro…

Um abraço,

Beatriz

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