A melhor idade para investir

Você sabia que 45% do total investido na Bolsa parte de investidores com mais de 66 anos?

A melhor idade para investir

O público de leitores e assinantes da Empiricus me lembra uma festa de família no Natal: tem gente para tudo que é gosto.

Tem aqueles primos mais novos, de uma geração que parece por vezes saída de outro planeta, que iniciam uma conversa num tom de pergunta, mas o tempo passa e a dúvida nunca aparece, sendo frequentemente substituída por uma certeza.

Tem também aqueles tios engraçados, que contam os louros e as desgraças financeiras de uma vida num tom debochado, e terminam pedindo aquele “conselho esperto”, aquela dica marota de investimento que só você tem e que vai dividir exclusivamente com eles.

E existem também duas figuras imprescindíveis em qualquer boa reunião familiar: o patriarca e a matriarca (com sorte, são dois de cada lado da família).

Perto dos 70, 80 ou 90 anos e responsáveis pelo controle familiar, esses “jovens mais experientes” costumam me abordar de certa forma desanimados. Não com a vida em si, mas com as perspectivas de suas reservas financeiras.

Réus confessos por terem investido pouco na vida, lutam para descobrir agora, mais velhos e perto (ou já desfrutando) da desejada aposentadoria, como multiplicar o dinheiro.

 

É tarde demais para começar?

Investidores mais velhos devem sempre fugir da Bolsa?

Ainda dá tempo de começar uma previdência?

Hoje eu falo com você, senhor ou senhora que luta para encontrar a melhor forma para rentabilizar seu dinheiro com segurança. Sei que não há tempo a perder, mas aviso: é hora de deixar certos estigmas de lado.

Explico.

Correr menos risco não significa correr risco nenhum.

É verdade que, se você não produz mais renda, deve ter mais preocupação e apego ao dinheiro. Não estou contestando esse seu direito!

Mas será que não dá para investir o dinheiro para render mais mesmo enquanto você o gasta periodicamente?

Onde fica o seu dinheiro, ou dos seus pais e avós? Já parou para pensar nisso

Ainda que respondam pelo maior volume financeiro da Bolsa (quase 45 por cento) dentre todas as faixas de idade, os investidores acima de 66 anos só detêm 17 por cento das contas.

Veja, não acho um número baixo por si só, pelo contrário. Só me pergunto se esses investidores são ativos ou se compraram ações no passado e mal se lembram que ainda as têm. Tenho minhas dúvidas se eles efetivamente ganham dinheiro com esse tipo de aplicação, que é o que importa! E penso se não daria para aumentar esse número (sim, sempre quero mais!).

No Tesouro Direto, a participação da terceira idade é irrisória. Apenas 5 por cento do total de investidores cadastrados tinha mais de 66 anos em junho.

Se é para ser mais conservador, por que não colocar o dinheiro em títulos públicos, inclusive com a possibilidade de garantir uma renda periódica? Ou pelo menos deixar a aposentadoria rendendo num Tesouro Selic?

Uma das perguntas que mais me fazem é se vale a pena contratar um plano de previdência nessa faixa etária. Já perdi a conta do número de relatos de conversas com gerentes que “orientam” os mais velhos a buscarem um plano de previdência quando — adivinhe! — já estão aposentados.

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E aí eu devolvo a pergunta: para quê ter uma previdência se você está numa fase em que não quer mais contribuir, mas, sim, usufruir de uma renda? Vai dar para esperar os dez anos que tornam a tributação tão atrativa?

Se o objetivo for ter uma parte do dinheiro em previdência de olho na sucessão patrimonial — já que o plano fica fora de inventário —, OK, vá lá.

Fora isso, prefiro bons fundos multimercados ou de ações, que possam efetivamente turbinar seu retorno com uma fatia maior aplicada em renda variável. Ou outras aplicações que entreguem retorno de forma periódica, como fundos imobiliários e ações boas pagadoras de dividendos.

Mas posso ouvir você dizendo: “Ah, Bia, mas eu tenho medo do risco, de perder tudo”.

Ninguém aqui está recomendando colocar todo o dinheiro acumulado de uma vida de trabalho em Bolsa, peraí! Agora, será que não dá para separar 10 ou 20 por cento do patrimônio e deixar essa fatia voltada para o médio prazo? Deixar rendendo enquanto você recorre a aplicações de baixo risco, como o Tesouro Selic ou um bom fundo DI, no dia a dia?

Num país em que nos preparamos para viver cada vez mais, com tanta gente na casa dos 90 anos, não dá mais para achar que finanças são só para os mais jovens, para quem trabalha. Seu patrimônio pode valer ouro, e você aí, desperdiçando numa previdência furada…

Um abraço,

Beatriz

PS: Amanhã estará no ar para todos os assinantes do Você Investidor a aula sobre quais investimentos financeiros pagam retornos periódicos. Vamos falar sobre o que esperar de rentabilidade, quando os pagamentos são feitos e explicar quais são as principais diferenças entre cada produto. Não perca!

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