Se arrependimento matasse…

Reflita sobre o desempenho dos mercados em 2017 e sobre sua atitude em relação aos seus investimentos. Até quando você vai esperar o momento “ideal” para investir?

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Se arrependimento matasse…

O Ibovespa subiu quase 27% em 2017? Puts, acreditei que, depois da alta de quase 40% em 2016, não havia espaço para uma nova valorização expressiva e fiquei fora da Bolsa…

É verdade que as ações do Magazine Luiza dispararam de novo em 2017, com alta de mais de 500%? Achei que elas já estavam caras depois de também subirem nada menos que 511% no ano anterior e não comprei…

Jura que o Ifix, o índice dos fundos imobiliários negociados na Bolsa, encerrou o ano passado com alta da ordem de 20%? Não era o setor imobiliário que andava mal das pernas? Preferi não me arriscar e perdi essa…

Mesmo com a queda de 13,75% para 7% da Selic, dava mesmo para comprar Tesouro IPCA+ e garantir um retorno anual na casa dos 5%, além da variação da inflação? Imaginei que renda fixa já havia ficado para trás…

Posso passar algumas horas aqui comentando eventuais lamentos de quem não se mexeu em 2017, por conta de convicções em nada embasadas sobre o desempenho do mercado.

Na ânsia de querer acertar o “momento certo”, comprar na baixa e de se dar melhor do que todo mundo, um bando de gente deixou de lado a oportunidade de multiplicar o dinheiro em 2017.

Tenho certeza que você conhece alguém que passou um ano sem tomar uma atitude, com os recursos parados na conta ou na miserável caderneta de poupança.

Chega a ser cômico que tanta gente não quis correr o risco de não jogar na Mega da Virada para tentar ganhar uma bolada maior que 300 milhões de reais, ainda que a chance de acerto fosse de 1 para 50.063.860.

Enquanto isso, investir o dinheiro que é bom, mantendo os dois pés no chão, nada…

O número de investidores de ações pode ter até aumentado em 2017, mas o total ainda é muito pouco expressivo para um país como o Brasil. A Bolsa contabilizava aproximadamente 620 mil pessoas físicas cadastradas ao fim de 2017, um aumento de 10% em relação a 2016.

Apesar do crescimento, o número é menor, já que um mesmo investidor pode ter conta em várias instituições financeiras, cujos dados servem de base para esse levantamento.

Sonhou ou aplicou?

Muita gente passou o ano resmungando que, depois dos resultados de 2016, não havia mais espaço para ganhar no curto prazo no Tesouro Direto.

Ponto para quem continuou nos escutando e insistiu nos títulos públicos, fosse para o curto ou para o longo prazo. Que o diga quem comprou Tesouro Prefixado com vencimento em 2023, cujo preço aumentou 19% em 2017.

Ah, não tem problema, você me diz. Coloquei meu dinheiro para render na poupança, que voltou a ficar interessante com a queda dos juros.

Penso que já esgotamos esse assunto, então prefiro apenas mostrar um retrato do comportamento das principais aplicações em 2017 para que você tire suas próprias conclusões.

Fontes: Bloomberg e Quantum Axis

E repare que nem estou comentando o desempenho dos bitcoins, que tiveram valorização de “apenas” 1403% em 2017. Não é à toa que o pessoal do Exponential Coins já está de olho em novas oportunidades neste início de 2018…

Se um novo ano sempre se coloca como um recomeço, é hora de você mudar sua mentalidade de uma vez por todas.

Não é porque a Bolsa subiu muito que não pode novamente ter um bom desempenho, assim como a queda dos juros não é razão para se descartar a renda fixa, fonte de segurança para seu patrimônio. Da mesma forma, ainda que sua carteira tenha performado bem em 2017, lembre-se de sempre manter uma parte em seguros, evitando o pior. Depois, não adianta chorar o leite derramado…

Não dá para correr atrás do passado, mas o futuro pode ser agora.

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