Não é birra, não!

Compare você mesmo os retornos dos investimentos ofertados por bancos e corretoras e entenda as razões de nossas preferências

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Não é birra, não!

Quando eu era pequena, adorava acompanhar minha mãe em suas idas ao banco. Aquele universo me parecia de certa forma mágico, com aquelas máquinas futuristas que entregavam dinheiro e toda aquela gente ocupada, andando de um lado para o outro.

Via nos gerentes uma figura poderosa e sentia que aquelas visitas de minha mãe eram sempre muito importantes. Quando ela me deixava acompanhá-la, me sentia, do alto dos meus sete anos, igualmente importante.

Os anos passaram e, cada vez menos, vou ao banco.

Aquele lugar, até outro dia de contato pessoal com o gerente, cafezinho e ligações informais no meio do dia para saber como o cliente de longa data passava, mudou radicalmente.

A postura do banco tornou-se cada vez mais impessoal e a busca por maximizar ganhos e reduzir custos ao extremo transformou as agências em lugares frios e o contato com o gerente da vez, burocrático.

Mas não foi só a postura dos bancos que mudou. Minha geração certamente tem bem menos apreço por aquele contato pessoal. A gente quer tudo para ontem, com o menor custo possível e de forma cada vez mais digital. Não há tempo a perder!

Uma ambição, contudo, independe de idade: a de fazer bons investimentos e não querer ser enganado com propostas ultrajantes. Certamente, compartilho desse desejo com minha mãe, minha avó e todo planeta.

O fato é que, com as informações financeiras cada vez mais disponíveis, os bancos têm tido que rebolar mais para vender seus produtos.

Mas eles são incansáveis e deixam clientes como eu inconformados ao receber propostas indecorosas feitas por gerentes que precisam, a todo custo, cumprir metas. Não fico com raiva do profissional, mas minha birra dos bancos só cresce.

Explico.

Bancos X Corretoras independentes

Mês passado, resolvi conferir de perto como os bancos tratavam seus “clientes VIP”, aqueles de alta renda, que, com maior patrimônio, certamente teriam acesso a produtos mais rentáveis. Doce ilusão…

Concentrei minha pesquisa em produtos de renda fixa, bastante demandados por investidores que já constituíram seu colchão de liquidez. Estou falando de CDBs, LCIs e LCAs.

Adoraria me deparar com uma surpresa e ver quão queridos são esses clientes aos bancos (embora já estivesse preparada para o pior, depois do que a Luciana escreveu sobre a parte de fundos).

Mas a análise não foi bem assim…

No Banco do Brasil, na data da pesquisa, era oferecida uma LCA aos clientes Estilo que entregava retorno de apenas 70 por cento do CDI e exigia investimento mínimo de 50 mil reais.

Já numa simulação no Bradesco, um CDB vendido exclusivamente aos chamados clientes Prime prometia rentabilidade de 77,5 por cento do CDI para uma aplicação de 10 mil reais.

No Santander, para investir em LCI, o cliente Select teria que dispor de 150 mil reais para receber 77 por cento do CDI de retorno em um ano. Mesmo considerando a vantagem de não haver cobrança de Imposto de Renda sobre o produto, a rentabilidade não chegaria, nem assim, aos 100 por cento do CDI (percentual que buscamos quando investimos no Tesouro Selic, investimento de menor risco do Brasil).

Por fim, o Itaú prometia algo diferente.

O banco tem se engajado numa campanha de plataforma mais aberta, ou seja, tem ofertado produtos de outros bancos a seus clientes Personnalité. Acho a iniciativa louvável e excelente, mas ela esbarra num ponto bastante simples: qual o interesse do Itaú em promover produtos de concorrentes em detrimento da sua própria oferta?

A julgar pela dificuldade de se obter as informações do Itaú, diria que, por ora, há pouca disposição do banco, apesar da grande campanha em torno da plataforma “Investimento 360”.

A ideia por trás do projeto do Itaú é poder brigar com as corretoras, que contam naturalmente com uma oferta muito mais diversificada de produtos. Mas certos problemas ficam evidentes logo de cara.

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Investimento mínimo

Enquanto as corretoras independentes (não vinculadas aos grandes bancos) oferecem bons CDBs e até LCAs a partir de mil reais, no Itaú, o cliente Personnalité precisava desembolsar nada menos que 100 mil reais, quando fiz minha consulta.

Rentabilidade

Cheguei a ver uma boa LCI com vencimento em 2018 sendo oferecida no Itaú com retorno de 88 por cento do CDI aos clientes Personnalité, e 105 por cento do CDI em uma corretora. E o título era exatamente o mesmo!

Todos esses dados são reais e foram levantados ao fim de março.

Meu desejo inicial era fazer um relatório com as melhores recomendações de produtos de renda fixa aos assinantes do Você Investidor, e adoraria que os grandes bancos, responsáveis pelo maior número de contas também de nossos clientes, pudessem estar incluídos. Mas não foi possível…

Por isso, reforço: NÃO É BIRRA! É uma comparação simples de oferta, retornos e aplicações mínimas exigidas.

Se não é para ganhar pelo menos 100 por cento do CDI, por que investir em títulos de renda fixa mais arriscados? Não faz sentido!

Por isso, convido você a ler o relatório especial do Você Investidor e conhecer nossas recomendações de investimento a partir de mil reais, com CDBs que pagam mais de 100 por cento do CDI e com LCAs com, no mínimo, retorno de 84 por cento do CDI.

É preciso desapegar dos maus investimentos!

Um abraço,
Beatriz

PS: Assinante Você Investidor foi avisado antes. A farra das contas digitais gratuitas está chegando ao fim, e o Itaú parece nem ter esperado o mês virar para encerrar a oferta. Quer saber se existem mais opções? Sugiro ler o relatório “Contas digitais: oferta cada vez mais rara” e conhecer a última instituição com conta digital disponível.

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