O Brasil caiu. Deixo meu dinheiro no Tesouro?

Saiba como proteger seu patrimônio e entenda o Paradoxo da Escolha

O Brasil caiu. Deixo meu dinheiro no Tesouro?

Caro leitor,

Não podemos deixar de comentar nesta newsletter a perda do grau de investimento do Brasil.

Já aviso que esse não será o único assunto de hoje, mas antes de seguir adiante vou responder a dúvida do leitor Wanderley G.:

“Qual ou quais investimentos seriam melhores neste momento em que o Brasil perde o grau de investimento? Há algum risco no Investimento Tesouro Direto?”

Ele não foi o único a fazer esse questionamento. E todo brasileiro que valorize seu dinheiro viu essa perguntar passar por sua mente durante essa semana.

Você deve ter visto nos jornais que a Standard & Poor’s – uma das principais agências que medem o risco de investir em um país – rebaixou o Brasil para um degrau inferior na sua escala de confiança.

Na tabela abaixo mostramos em laranja a queda do Brasil na primeira coluna.

 

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Fonte: Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch Ratings

Em resposta ao Wanderley, digo que minha opinião sobre isso não mudou desde a newsletter “O que acontece com o meu Tesouro”, do dia 31 de julho.

Aqui no Criando Riqueza continuamos a afirmar que os títulos emitidos pelo o governo brasileiro são seguros.

Em julho, a agência tinha mudado a perspectiva de rating para a nota do Brasil. Foi um aviso de que o nosso país estava na berlinda.

Com a perda do grau de investimento o Brasil agora é visto por todo o mundo como um destino “um pouco mais arriscado do que antes” para os investimentos (sim, esse é o tamanho da importância de um rebaixamento!).

Muitos fundos de investimentos internacionais têm como regra a exigência de investir somente em ativos de países que têm o “grau de investimento” (no quadro acima, você pode identificar grau de investimento todas as notas que estão nas cores azul e verde).

Agora que caímos para a categoria de “especulação”.  O que acontece? O Brasil pode dar um calote nos detentores dos títulos do Tesouro Nacional?

Sim, esse risco existe, não há como negar.

No mercado financeiro, há uma outra forma de medir o risco de crédito de um país, talvez você já tenha ouvido falar.  Veja o gráfico abaixo:

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As linhas coloridas medem o chamado “CDS” (Credit default swap). Em branco está o Brasil. Nas outras cores, estão Russia, Chile, Turquia e Peru.

Uma maneira bem simples de explicar essas três siglas é compará-las a um seguro. O CDS é como um seguro de default (“calote”). Quanto mais alto o CDS, maior o risco de um país dar calote. Observe que em setembro do ano passado o Brasil era o terceiro colocado no grupo que selecionamos. Agora já ultrapassa a Rússia.

Mas, ainda assim, isso não quer dizer que você deve ficar com medo de investir no Tesouro Direto.

Apenas para efeito de comparação, o CDS da Grécia chegou a superar os 7 mil pontos em 2011, enquanto o do Brasil estava em 230 pontos. Hoje, batemos os 391.

Imagine da seguinte forma: Para fazer um seguro de R$ 10 milhões em títulos do Brasil, o investidor precisaria pagar R$ 391 mil.

Veja um trecho de um bate papo com o Felipe Miranda, analista e sócio-fundador da Empiricus:

“Se chegarmos no nível de calote no Tesouro Direto, teremos outras preocupações maiores antes. O Tesouro Direto seria, portanto, um dos últimos lugares a se esconder.

Resumindo, acho que um risco que antes era desprezível virou um risco que, sim, existe. Mas a vida financeira, assim como acontece nas demais áreas da vida, não se trata de não correr riscos, mas de selecionar os riscos em que você pode incorrer.

Este, por enquanto, é um risco ‘incorrível’, no sentido de que poderíamos incorrer neste risco.”

Hoje, não apenas o Felipe, mas outros de nossos principais economistas e analistas mantêm recomendação no investimento em títulos do governo.

O Rodolfo Amstalden, da série Aposentadoria Milionária, e os nossos consultores financeiros continuam a sugerir que a maior parte do dinheiro destinado à renda fixa esteja alocado nos títulos do Tesouro.

Lembrando que na categoria “renda fixa” entram também aplicações como CDB, LCI, LCA e fundo DI.

“Como brasileiros, não podemos fugir dos títulos do Tesouro Direto, que são considerados os ativos financeiros de menor risco do mercado nacional”, reforça o nosso consultor Walter Poladian.

Paradoxo da Escolha

Mas há vários títulos à venda no Tesouro Direto.

E, diante de diversas opções é comum não fazermos nada. Na dúvida entre um sorvete, um petit gateau e um creme de papaia, você pode acabar não pedindo a sobremesa.

O psicólogo americano Barry Schwartz deu um nome a esse fenômeno:  “paradoxo da escolha”.

Percebo que muitos leitores vivenciam isso no universo dos investimentos. Recebi a seguinte dúvida do leitor Clebes V.:

“Invisto em LCI, CDB, VGBL. Veja bem: tenho um dinheiro que posso precisar resgatar, para outro fim, a qualquer hora. Mesmo assim você acha interessante investir no Tesouro? Em qual título devo investir?”

Bem, você não precisa comprar um só. Como é possível comprar frações dos títulos, você pode colocar um pouco de dinheiro em cada um.

Para evitar que o paradoxo da escolha paralise o Clebes, facilito um pouco mais…

A proporção exata para a aplicação em cada um deles varia de acordo com alguns fatores. Se você pode precisar do dinheiro antes do vencimento, nossos consultores sugerem optar pelo Tesouro Selic.

Se você pode carregar o título até a data final, pode colocar um tanto em Tesouro IPCA+. Digo isso pois esse tipo de título pode dar retorno negativo a quem precisar vender antes da hora.

Isso acontece por causa da metodologia de cálculo do Tesouro IPCA+, que considera a no cálculo do preço a expectativa para a inflação.

Assim, se você precisar vender o título antes do vencimento você corre o risco de o preço do título estar mais barato do que estava no dia em que você comprou. Ou seja, você tem que vender por menos. Esse “menos” pode corroer todo o retorno.

Veja o exemplo abaixo, de uma compra que eu fiz:

Captura de Tela 2015-09-14 às 07.53.09

Esse é um recorte da tela do site da corretora de valores que eu usei para aplicar. Na quarta coluna você pode observar que investi R$ 2.108,24 em um título Tesouro IPCA+ 2019. Fiz esse investimento no dia 5 de agosto deste ano.

Na última coluna é possível ver o valor que tenho hoje. Portanto, fica claro que se eu precisasse vender agora teria perdido dinheiro.

Agora, se permanecer com seu Tesouro IPCA+ até o vencimento, você receberá a variação do IPCA no período mais a taxa prometida pelo Tesouro na data da compra (por exemplo, 7,57% a.a. para quem comprou ontem, dia 10 de setembro, o título que vence em 2019).

Para concluir esse assunto vamos ao Tesouro Prefixado. Com os altos retornos garantidos por esses títulos, temos hoje uma opção interessante. Ontem chequei na página do Tesouro Direto e vi que a maioria dos prefixados garantia retorno superior a 15,3% ao ano.

Lembrando que esse valor apresentado na tabela do site do Tesouro é cheio, ou seja, ainda não tem o desconto dos impostos. Para saber a rentabilidade líquida, é preciso descontar.

Considerando um imposto de 15% (para quem deixar a aplicação por pelo menos dois anos), chegamos a um retorno líquido próximo de 12% no caso de um título prefixado vendido com taxa de 15% ao ano.

Resumindo: entre os títulos do Tesouro, nossos especialistas sugerem que a maior parte do dinheiro vá para o Tesouro Selic, uma parte menor para Tesouro IPCA+ e ainda um pouco menos para o Tesouro Prefixado. Isso responde às dúvidas de vários leitores.

Conversei ontem com nosso consultor Walter Poladian sobre isso. No conteúdo PRO, damos uma possibilidade de alocação do dinheiro entre Tesouro Selic, Tesouro IPCA+, Tesouro Prefixado, LCI, LCA e outras aplicações.

Nervosismo, desespero e infelicidade

Passo agora a outro assunto que me chamou a atenção nesta semana.

Li uma pesquisa que dizia que 48% dos consumidores inadimplentes sentem vergonha por terem dívidas.

Por inadimplentes quero dizer todas as pessoas que não pagaram ao menos uma conta vencida há mais de 90 dias.

 

E mais:

46% se sentem infelizes;

44% sentem insegurança e medo de não conseguir pagar o que devem;

44% sentem nervosismo, irritação e desespero;

43% disseram que sua autoestima é afetada pelas dívidas que possuem há mais de três meses.

 

As consequências também são preocupantes:

53% dos entrevistados disseram que o endividamento causou alteração no apetite;

39% afirmaram estar com insônia;

31% afirmaram ter medo de atender o telefone;

33% disseram que estão mais irritados e fazem agressões verbais a familiares e amigos.

 

Como forma de aliviar a ansiedade 26% passaram a usar mais os vícios que já possuem, como cigarro, comida e bebidas com álcool.

“Ao ficarem endividados os consumidores adquirem um estado emocional negativo e que pode se transformar em mudanças de comportamento, alterando as relações sociais e até causando falta de produtividade no trabalho.” A afirmação e a pesquisa foram feitas pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojista (CNDL).

Tudo isso reforça o argumento de que é preciso fazer o máximo de esforço possível para que as despesas caibam no orçamento.

Isso pode exigir, por exemplo, a mudança para um imóvel com custo de aluguel mais baixo. E também exige a redução do padrão de vida.

Ou seja, é preciso fazer sacrifícios e abrir mão de algumas compras para reduzir gastos. Melhor fazer um esforço do que ser mais um inadimplente para aumentar as estatísticas acima.

Um ponto curioso da pesquisa foi o resultado obtido ao medir o nível de preocupação dos entrevistados em relação a diferentes tipos de dívidas.

5% dos inadimplentes disseram não ter preocupação nenhuma com o fato de deverem dinheiro a bancos e financeiras. É pouco, mas esse número deveria ser zero dado que muitas vezes os juros cobrados por instituições superam os 200% ao ano.

Alguns leitores endividados nos perguntam em qual aplicação deveriam investir para conseguirem multiplicar o dinheiro rapidamente para pagar as dívidas.

Infelizmente, por melhores que sejam alguns tipos de investimentos, dificilmente vão superar os juros e as multas cobradas pelo atraso em pagamentos.

O melhor caminho é tentar quitar as dívidas antes de tentar investir.

Teremos uma newsletter sobre opções de renda extra e acredito que esse material será útil para muitos leitores.

Para já, deixo como sugestão que você pense em coisas que você guarda em casa, mas não usa há um ano. Comece a pensar em vendê-las.  Você pode juntar um pouco de dinheiro com diversos itens que não usa mais ou que não gosta. Isso faz bem não apenas para o bolso.

Há diversos sites que permitem a publicação de anúncios gratuitos de seus produtos. É o caso do site OLX, que é fácil de usar, e o Enjoei, mais voltado para roupas, acessórios e itens de decoração.

 

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