O que acontece com o meu Tesouro?

Respondemos mais perguntas dos nossos leitores sobre o Tesouro Direto

O que acontece com o meu Tesouro?

Caro leitor,

Outro dia recebemos a seguinte pergunta do leitor Silvio S.:

“Olá Olivia, com esse temor de o Brasil perder o selo de bom pagador, o que significaria isso para os títulos do Tesouro Direto? É seguro continuar aplicando neles caso o Brasil perca o selo? Um abraço.”

Nós temos defendido o Tesouro Direto desde o início do Criando Riqueza, há pouco mais de três meses. Juntamente com o nossos consultores, não me canso de fazer contas para provar o quanto é importante deixar um pouco de seu dinheiro nos títulos do Tesouro.

Eis que agora o Brasil corre o risco de ser rebaixado por uma das principais agências de risco do mundo.

Então faço um complemento antes de dar a resposta ao Silvio:

Estamos errados ao confiar no Tesouro Nacional brasileiro? O Brasil é uma nova Grécia? O governo brasileiro vai dar calote? Vendo meus títulos do Tesouro Direto para me proteger?

Bem, a resposta é simples e curta: Não.

Não precisa vender seus títulos do Tesouro Direto. Não é para tanto. É muito cedo para qualquer movimento brusco.

Também não tem sentido aproveitar esse contexto para emendar o que chamamos aqui no Criando Riqueza de “sabotagem ideológica” – um grande pecado do comportamento financeiro.

É sabotar sua vida financeira dizendo “eu não invisto no Tesouro Direto porque não quero dar dinheiro para o Lula e para a Dilma”.  Se você nunca pensou assim, por favor, ignore essa frase antes que ela entre na sua cabeça.

Mas ficamos surpresos ao ver que diversos leitores fizeram comentários assim em um de nossos posts no Facebook.

Mas esse argumento não pode servir como desculpa para deixar de cuidar do dinheiro, ou deixar o mesmo na poupança ou conta corrente. O Tesouro Direto continua sendo uma das aplicações mais seguras de todas.

Classificamos a sabotagem ideológica como um dos “7 pecados do capital”, tão grave quanto o otimismo excessivo (de achar que a aposentadoria do governo vai ser suficiente), a vergonha de pechinchar e a mania de postergar atitudes relacionadas com o dinheiro.

 

 

Para complementar a resposta dada ao Silvio, chamei o Felipe Miranda, que escreve o relatório Palavra do Estrategista, para uma rápida explicação adicional sobre o assunto:

Nos últimos anos, o Brasil ainda tinha problemas importantes a enfrentar. É o caso da baixa produtividade, da alta desigualdade de renda, da inflação ainda alta para padrões internacionais e do juro sem comparáveis. Entretanto, a questão de dívida parecia resolvida. Com os mais recentes desdobramentos, trouxemos de novo a questão da dívida para a mesa.

Ao menos por enquanto, porém, um risco de “default” (calote) da nossa dívida externa parece bastante distante.

Se chegarmos no nível de calote no Tesouro Direto, teremos outras preocupações maiores antes. O Tesouro Direto seria, portanto, um dos últimos lugares a se esconder.

Resumindo, acho que um risco que antes era desprezível virou um risco que, sim, existe. Mas a vida financeira, assim como acontece nas demais áreas da vida, não se trata de não correr riscos, mas de selecionar os riscos em que você pode incorrer.

Este, por enquanto, é um risco “incorrível”, no sentido de que poderíamos incorrer neste risco.

Se o investidor não está confortável nem com esta ideia, então precisa se esconder no último dos últimos refúgios, que é a compra de dólares, o que que pode fazer via fundos cambiais (veja nosso vídeo sobre a compra de dólares em nosso canal no Youtube).

A poupança também seria um dos últimos lugares pra se esconder, mas neste caso você não corre um risco, você incorre na certeza de que vai perder para a inflação. O que é pior?  Além disso, se pensássemos em um cenário de calote da dívida, esse cenário poderia muito bem estar acompanhado por um confisco de poupança.


 

O que aconteceu com meu Tesouro? Parte 2

Deixo também a vocês uma reflexão sobre a clara sinalização do governo de que não quer mais elevar a taxa Selic.

Pausa para contextualizar: A Selic é a taxa usada para o cálculo do retorno do título Tesouro Selic. Simplificando, é a taxa de juros que o governo brasileiro paga para quem lhe empresta dinheiro. Na quarta-feira, a Selic subiu para 14,25% e, ao contrário do que analistas e economistas esperavam, o Banco Central deu a entender que a Selic vai ficar parada por aí.

Quer dizer então que quem abriu sua conta na corretora de valores e comprou seus título Tesouro Selic esperando um juro de 15% ganhou um balde de água fria?

Em partes, ok, podemos dizer que sim. Mas, convenhamos, 14,25% não está bom para você? Apenas para comparação, a poupança paga atualmente 7,7% ao ano.

A opinião da nossa equipe é a de que vale a pena investir no Tesouro Direto sempre.

Uma opção que surge agora é a de investir suas próximas economias em títulos prefixados, que deverão ser mais buscados de agora em diante. Mas nossos analistas continuam preferindo os títulos Selic e Tesouro IPCA+.


 

11 Perguntas e Respostas sobre o Tesouro Direto

Temos uma longa lista de perguntas do Tesouro Direto, que tem sido o tema mais recorrente nos e-mails dos leitores e assinantes.

Por isso, hoje o nosso consultor financeiro Walter Poladian participa ativamente do Conteúdo PRO, abaixo, em que respondemos 11 dúvidas.

Antes, faço questão de apresentá-lo: O Waltinho, como o chamamos carinhosamente, é um dos responsáveis pela Consultoria Personalizada da Empiricus (ao lado do Renato Breia, que você já conhece). Ele vem nos ajudando nas recomendações de investimentos que temos passado para vocês aqui pelo Criando Riqueza e estará ainda mais presente em nossos conteúdos de agora em diante.

As perguntas estão logo abaixo. Para ter ler às respostas, clique aqui e tenha acesso aos conteúdos completos do Você Investidor.

1. Tenho uma quantia aplicada em títulos públicos com vencimentos em 2045 e 2050 (Tesouro IPCA+), mas fiquei apreensiva quando li um relatório da Empiricus que não recomenda aplicações com prazos longos devido ao risco. Devo resgatar esses valores que estão com prazos longos e reaplicar em outros títulos?

2. Ainda tenho uma dúvida sobre Tesouro IPCA. Há o risco de perda na venda antecipada dos títulos? Se houver, qual é a situação? Na alta ou na queda da inflação?

3. Por que não se corre riscos em aplicações em Tesouro Direto uma vez decretada falência da corretora?

4. Quero guardar R$ 40.000 em 8 meses para pagar uma dívida, pretendo depositar R$ 5.000 por mês no Tesouro até lá. Qual seria a melhor aplicação para isso: poupança, LCI, Tesouro Selic?

5. Hoje tenho R$ 10 mil na poupança para a minha filha que acabou de completar 1 ano. Gostaria de saber se devo colocar esse dinheiro no Tesouro Direto.

6. O que significam o ágio e o deságio que aparecem na tabela do Tesouro Direto para compra e venda dos títulos? O que isso implicará no meu resultado final?

7. Tenho um plano PGBL do Banco do Brasil desde 2008, com saída aos 55 anos, o que acontecerá em 2036. Pergunto: será que valeria a pena eu resgatar todo o valor acumulado no plano de previdência e investir no Tesouro Direto?

8. Vou fazer a primeira compra de Tesouro Direto com um valor em torno de R$ 30.000 e pretendo levar todos os títulos até o vencimento. Para não fazer nada errado, gostaria de saber: devo diversificar ou se uso o valor todo em um título só?

9. Vale a pena aplicar parte do percentual indicado para o Tesouro Selic 2017 (LFT) em um CDB do Banco Indusval que paga 120% do CDI, mas tem vencimento e carência de 2 anos? Ou ainda num CDB do BES Investimento que paga 112% do CDI, com vencimento e carência de 1 ano?

10. Comprei LTN pré-fixada quando o juro estava em 11,25%. Numa outra aplicação, fiz no Tesouro Direto, apliquei em pré-fixados com taxas de 12,94 e 12,96, atualmente, abaixo da Selic. A dúvida é: devo mantê-los ou vendê-los e comprar novos títulos atrelados à Selic?

11. Sou iniciante em investimentos e possuo uma receita razoável, aplicada em CDB no meu banco que me paga 95% do CDI.  Ao contatar corretora habilitada, informei meu interesse em investir no Tesouro Direto. A corretora comentou que havia a possibilidade de o governo elevar os juros (Selic). Entretanto, disse que a taxa deve ser reduzir no próximo ano gradativamente. Sendo assim, a mesma sugeriu aplicar em CDB com modalidade de resgate em 2 anos, que está pagando120% do CDI. Fiquei em dúvida quanto a decisão que já estava certo de fazer, que seria: NTN-Bs principal, Tesouro prefixado e LFT. É possível ter rendimento no CDB com 120% do CDI? A aplicação no Tesouro Direto pode mesmo arriscada neste momento em função de uma queda dos juros a partir do próximo ano?

Um abraço

Olivia Alonso

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