Onde foi parar o dinheiro que eu coloquei aqui?

Descubra o que os bancos e corretoras fazem com seus investimentos!

Onde foi parar o dinheiro que eu coloquei aqui?

Caro leitor,

A newsletter de hoje foi elaborada pelo mais novo integrante da nossa equipe. José Castro traz sua experiência de 10 anos como consultor financeiro no mercado financeiro e vai, a partir de agora, dividir um conhecimento precioso de sua atuação em bancos e corretoras.

Não à toa ele resolveu escrever sobre investimentos em sua estreia. Mais do que contar como cada aplicação funciona, o José quis mostrar aqui o que é feito exatamente com o seu dinheiro depois que você compra algum produto em uma instituição financeira.

Você já parou para pensar nesse fluxo e em como os bancos ganham dinheiro em cima da sua aplicação?

Um abraço,

Beatriz Cutait

 

Olá,

Aqui é o José. Quando pensamos em aplicar parte de nossa renda ou patrimônio, surgem inúmeras dúvidas como:

Qual produto escolher?

Quais são os investimentos mais rentáveis?

Como ter acesso a eles?

Ainda tenho poucos dias de “casa” aqui no Criando Riqueza, mas já quero assumir com você um acordo: vou contribuir para transformá-lo em investidor. E quanto aos leitores que já investem, quero deixá-los mais satisfeitos com os resultados de suas aplicações.

Em troca, peço que tente colocar em prática as minhas orientações. E que dedique um pouco de seu tempo à leitura de nossos conteúdos. Sugiro, para a próxima semana, a leitura do nosso relatório mensal de junho, no qual falamos sobre as corretoras de valores brasileiras.

SAIBA QUAL CORRETORA ESCOLHER

 

Terei a sensação de dever cumprido quando você for ao banco e entender o que o gerente está sugerindo. E quando você puder decidir, com consciência, entre contratar ou não os produtos que lhe são oferecidos.

Acredito que esse conhecimento e sua atitude levarão sua vida financeira a um grande avanço. Hoje, vou mostrar o outro lado, pois é importante entender os interesses dos agentes econômicos dentro do sistema financeiro.

Imagino que, a essa altura, você já saiba o que é ou já tenha ao menos ouvido falar de CDB, caderneta de poupança, LCI (Letra de Crédito Imobiliário), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), debênture e ações.

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Mas você conhece o fluxo do seu dinheiro, desde o momento em que decide investir até o destino final? Afinal, onde vão parar seus recursos?

Como os bancos, as corretoras e as empresas que você financia movimentam seu dinheiro?

Para que você entenda a cadeia completa, falaremos brevemente sobre cada produto,  sua forma de remuneração, o interesses dos investidores, as instituições emitentes e  a destinação dos recursos.

 

Caderneta de Poupança

Modalidade de investimento mais simples e tradicional do Brasil, a caderneta de poupança é um produto exclusivo das carteiras imobiliárias dos bancos múltiplos e das caixas econômicas.

Os recursos aplicados na caderneta de poupança são remunerados mensalmente à taxa de 6% a.a. (0,5% a.m.) mais a TR – Taxa Referencial de Juros.

Mas, desde maio de 2012, outra forma de remuneração entrou em vigor, vinculada à Selic, taxa definida pelo Banco Central. Quando a Selic estiver acima de 8,5% a.a., o investidor será remunerado pela regra antiga, porém, quando os juros básicos ficarem nesse patamar ou abaixo dele, o retorno da poupança será equivalente a 70% da Selic mais a TR.

Os recursos da caderneta de poupança devem ser aplicados de acordo com regras preestabelecidas pelo Banco Central – 65% dos recursos são destinados para o crédito imobiliário, principalmente no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação. Este é um dos principais meios de captação dos bancos para esta modalidade de financiamento.

 

Certificado de Depósito Bancário (CDB)

Produto oferecido por muitos bancos, o CDB é o título de captação de recursos mais antigo utilizado por essas instituições financeiras. Os recursos captados por meio desse instrumento são repassados aos clientes na forma de empréstimo, especificamente ao financiamento de capital de giro das empresas.

O investidor que aplica em um CDB é remunerado por uma taxa prefixada ou pós-fixada. O título prefixado deixa claro ao investidor, no momento da aplicação, quanto ele vai receber no vencimento, já que a taxa de remuneração é definida no ato da compra.

Um CDB pós-fixado, por sua vez, tem seus rendimentos formados por um índice de mercado (geralmente pós-DI) que paga um percentual da variação do CDI, hoje em torno de 14% a.a.

A instituição emitente do CDB (banco) utiliza os recursos para emprestar a taxas superiores, ganhando, nesta operação, um spread (diferença da taxa paga na captação para a taxa emprestada). Desta forma, na prática, emprestamos dinheiro ao banco e recebemos uma taxa máxima de aproximadamente 1% ao mês. O banco, por sua vez, utiliza o recurso para emprestar a outro cliente a uma taxa superior e ganha com essa diferença.

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LCI e LCA

As tão populares LCIs e LCAs foram criadas para promover a captação de recursos para os setores imobiliário (LCI) e do agronegócio (LCA).

São instrumentos de renda fixa, isentos de imposto de renda, com rentabilidade em geral pós-fixada e expressa por um percentual do CDI.

Os dois títulos são emitidos pelos bancos via uma operação lastreada entre o tomador do recurso e o comprador do título, ou seja, o banco utiliza o investidor como fonte direta de captação para uma operação de crédito que está executando para o seu cliente, o tomador de recursos. Os valores devem ser exclusivamente utilizados para fomentar o mercado imobiliário (LCI) ou do agronegócio (LCA), por isso há o incentivo fiscal que normalmente gera uma renda maior ao investidor e um crédito mais barato para o tomador.

Títulos Públicos

O governo federal costuma captar recursos no mercado financeiro por meio da emissão de títulos públicos federais com o objetivo de financiar a dívida pública, antecipar receitas, fazer investimentos. Os títulos públicos também funcionam como importante instrumento de política monetária para controle do fluxo de dinheiro na economia, o que tem impacto direto na inflação.

O Tesouro Direto é um programa criado pelo Tesouro Nacional em parceria com a BM&FBovespa que viabilizou o acesso direto da pessoa física aos títulos públicos.

Há três tipos de papéis disponíveis para compra. O primeiro é o Tesouro Selic (LFT), que remunera de acordo com a taxa básica de juros Selic. O segundo é Tesouro Prefixado (LTN), que permite ao investidor saber no momento da compra qual será a taxa e o rendimento da aplicação no vencimento do título. O terceiro título é voltado para quem deseja se proteger da inflação, que pode optar pelo Tesouro IPCA + (NTN-B ou NTN-B Principal), que rende uma taxa fixa pré-estabelecida no momento da compra mais a variação da inflação (IPCA).

Para operar no Tesouro Direto, é necessário escolher um agente de custódia (corretora de valores ou banco) para intermediar as compras. Você faz um cadastro em seu nome e CPF.

Após a compra do título, o valor referente à operação é debitado da sua conta e o título é creditado, num processo de liquidação e custódia realizado pela BM&FBovespa. A Bolsa repassa o recurso para o Tesouro Nacional, e os títulos para o investidor.

Veja também: Ganhei +91,67% na Renda Fixa

 

Debêntures

Como foi informado pelo Walter Poladian na newsletter do último dia 5, as debêntures são títulos de dívida de longo prazo emitidos por empresas. Os recursos captados são geralmente destinados ao financiamento de projetos de investimentos, ou à rolagem de dívidas a vencer no curto prazo.

O investidor que compra uma debênture (debenturista) recebe do emissor (empresa) o capital investido acrescido de juros, em data previamente acertada.

As instituições financeiras que distribuem o produto, como as corretoras de valores, cobram uma taxa de corretagem pela negociação dos títulos. A forma de cobrança varia, porém em muitos casos é utilizada uma taxa percentual, por exemplo de 0,4%, sobre o volume financeiro da operação. No caso de ofertas públicas iniciais, os administradores da oferta pagam uma comissão sobre o volume distribuído pela instituição financeira.

O processo de liquidação e custódia geralmente é realizado pela Cetip, que debita o valor do investimento na conta corrente da corretora, credita-o para a empresa emissora e transfere os títulos para o investidor em uma oferta pública inicial. Após a oferta, os títulos são negociados no mercado secundário, e as liquidações são realizadas entre os investidores que compram e vendem as debêntures.

 

Ações

Como já sabemos, as ações constituem a menor parcela do capital social de uma empresa S.A. (sociedade anônima ou por ações).

Por meio do mercado primário, quando vende suas ações aos investidores pela primeira vez, a empresa tem uma alternativa de financiamento mais barato, com os recursos revertidos diretamente para o caixa e para o financiamento de seus investimentos.

Após a venda no mercado primário, as ações são renegociadas no mercado secundário entre os investidores, sem prazo de resgate e com a possibilidade de serem convertidas em dinheiro a qualquer momento, mediante negociação na bolsa de valores.

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O acionista não é um credor da companhia, mas um coproprietário com direito à participação em seus resultados.

Assim como ocorre nas negociações de debêntures, o investidor não consegue adquirir ações diretamente com a empresa ou na bolsa de valores. É preciso possuir conta em uma corretora de valores, que será responsável pela intermediação das operações e naturalmente vai receber pelo serviço, cobrando uma taxa de corretagem dos clientes.

 

O que é feito com o dinheiro parado em conta?

Os bancos comerciais levantam recursos no mercado mediante principalmente captação de depósitos à vista à emissão de títulos (como CDB, LCI, LCA, poupança etc.), com objetivo de financiar suas diversas atividades, tais como concessão de crédito, formação de carteira de títulos e valores mobiliários.

Os depósitos à vista, ou seja, o dinheiro parado na conta, não são remunerados ou, em alguns bancos, pagam rendimentos pífios. Esse recurso constitui a forma mais vantajosa de captação dos bancos, principalmente pela capacidade de alavancagem.

Os depósitos bancários que você faz em sua conta geram empréstimos que, por sua vez, retornam às instituições sob forma de novos depósitos. Este processo gera um efeito multiplicador dos meios de pagamento na economia e, se não for bem controlado, pode gerar um problema de liquidez muito perigoso para o sistema financeiro.

Como forma de controlar esse fluxo, as autoridades monetárias estabelecem às instituições bancárias a abertura de conta de depósito compulsório no Banco Central, que é um percentual que as instituições devem possuir em caixa para garantir a liquidez dos bancos e do sistema financeiro nacional. Essa obrigação garante a possibilidade de sacarmos nosso dinheiro quando formos ao banco, além de ser um importante instrumento de política monetária, utilizado para combater a inflação.

Todo dia este controle é realizado pelo Banco Central, e a instituição financeira que não estiver enquadrada dentro do limite estipulado, ou seja, que tiver menos recurso em caixa do que o exigido, poderá tomar recursos no mercado interfinanceiro, mercado exclusivo para instituições financeiras no qual bancos tomam e emprestam recursos entre si.

As instituições geralmente fazem uma operação compromissada com prazo estabelecido, registrada na Cetip, com o recurso devolvido no vencimento e remunerado pelo famoso CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro ou Interbancário). Esta é a origem desta taxa tão utilizada como parâmetro para diversos produtos do mercado.

Desta forma, o banco utiliza seu dinheiro parado em conta para emprestar no mercado e recebe uma remuneração pela operação.

Espero ter contribuído um pouco mais para o seu conhecimento sobre mercado financeiro e de capitais. Nos vemos em breve.

 

Leitura sugerida:

– FGTS, o retorno

– Aposentadoria: PLANO B

 

Um abraço,

José Castro

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