Passo a passo para investir no Tesouro

Cansou de deixar seu dinheiro na poupança, perdendo para a inflação? Veja como começar a se tornar um bom investidor

Passo a passo para investir no Tesouro

Caro leitor,

Começar algo novo, em geral, exige esforço. É assim com o início de uma rotina de exercícios físicos, de estudos ou com a tentativa de dormir mais cedo… Qualquer dificuldade extra pode ser motivo para desistir. E não é diferente com a vida financeira.

Temos trabalhado bastante aqui no Criando Riqueza para tentar eliminar eventuais “dificuldades extras” na vida de nossos leitores, para que deem início a bons hábitos financeiros e  se tornem bons investidores.

Nesse sentido, preparamos para a newsletter de hoje um roteiro de como começar a investir no Tesouro Direto. Para muitos, isso significa parar de deixar seu dinheiro na poupança, perdendo para a inflação.

Mas vocês estão fazendo um passo a passo de Tesouro Direto enquanto só se fala de calote?

Pois é, de fato, o tema do calote esquentou nos últimos dias. Na semana passada, respondemos aqui na nossa newsletter de segunda-feira uma série de perguntas sobre a tese “O Calote”, do Felipe Miranda. Conforme dissemos, o fato de se considerar a possibilidade de um default da dívida não quer dizer que o Tesouro Direto deve ser deixado de lado. Mas é preciso, sim, atenção.

Está gostando desse artigo?Insira seu e-mail e comece já a receber nossos conteúdos gratuitos

Como podemos observar nos argumentos do Felipe e de economistas que se manifestaram sobre o tema nos últimos dias, fala-se principalmente de um “calote branco”, ou “calote disfarçado”. Eles se referem a um calote via inflação. Nesse caso, o governo pagaria a dívida nominal e o investidor veria seu dinheiro ser corroído pela inflação.

Ficou com dúvidas sobre esses conceitos? Veja a primeira aula do nosso curso Investimentos para leigos – Começando do Zero.

Em um cenário como esse, nossos analistas veem os títulos indexados à inflação como uma forma de proteção para o investidor, principalmente os papéis de prazo mais curtos.

Passo a Passo para investir no Tesouro Direto

1 – O primeiro passo é ter CPF e conta corrente em um banco.

2 – Em seguida, você precisa escolher uma instituição financeira para intermediar suas transações com o Tesouro Direto. Atualmente, há 70 bancos e corretoras habilitados, que são responsáveis por realizar o cadastro dos investidores com a BM&FBovespa e intermediar a transferência dos recursos financeiros e títulos.

Pode ser, inclusive, o banco no qual você tem conta corrente. No entanto, os grandes bancos costumam cobrar uma taxa de administração mais alta para o investimento no Tesouro Direto. Além disso, dificilmente os gerentes vão oferecer essa aplicação para os clientes, pois o produto não traz retornos interessantes para a instituição financeira.

Você pode consultar a lista completa de instituições cadastradas neste link. Você verá as taxas cobradas, que variam de zero a 2% ao ano. Observe que quatro instituições isentam o investidor de tarifas de administração.

Você verá, por exemplo, que a corretora Easynvest é uma das que não cobra taxa, enquanto os bancos Caixa, Santander e HSBC cobram 0,40%, o Itaú tem taxa de 0,45% para clientes Personalité (0,50% para outros clientes) e o Bradesco cobra 0,50%.

Para facilitar, você pode escolher um agente de custódia que possui sistema integrado ao do Tesouro Direto (atualmente 34 são agentes integrados). Nesse caso, as compras e vendas dos títulos podem ser feitas diretamente no site da corretora (ou do banco, se  for o caso).

3 – Entre em contato com a corretora escolhida e solicite seu cadastramento. Isso pode ser feito pela internet. Você deverá fornecer a documentação necessária (normalmente o CPF basta) para que essa instituição abra uma conta em seu nome para operar com o Tesouro Direto.

Você terá, assim, uma conta de custódia na Bolsa, em seu nome. É nela que ficam guardados seus títulos públicos, registrados também sob sua titularidade, o que lhe permite mudar de corretora se desejar.

Essa etapa pode dar algum trabalho, mas o esforço valerá a pena no longo prazo.

4 – Utilize a senha provisória que será enviada pela BM&FBovespa para o primeiro acesso à área restrita do Tesouro Direto, na qual são realizadas operações de compra e venda de títulos públicos, além de consultas a saldos e extratos. Troque a senha provisória por uma nova que deverá conter entre 8 e 16 dígitos, composta por letras, números e caracteres especiais.

Você tem 3 opções para investir: diretamente pelo site do Tesouro Direto; por meio do site de sua instituição financeira, se ela for um agente integrado; ou autorizando a instituição a negociar os títulos em seu nome, se ela oferecer essa possibilidade.

Se você for operar por uma corretora independente ou diferente da do seu banco, vai precisar fazer uma TED (ou DOC) para transferir para a instituição financeira os recursos destinados à aplicação.

5 – Feita a transferência, é preciso entrar no site da corretora, fazer seu login e buscar a opção de compra de Tesouro Direto. Selecione os papéis que deseja adquirir.  Faça simulações no site do Tesouro Direto e acompanhe nossas newsletters e relatórios para ver quais títulos indicamos a cada momento.

Todo mês, quando você quiser aplicar mais, o procedimento é o mesmo: fazer a transferência para sua conta na corretora e comprar mais títulos pelo site.

Mais informações: E se a corretora quebrar?

O ideal é ter isenção de taxas para fazer a TED e DOC, mas os bancos não facilitam a vida dos pequenos investidores. Em geral, exigem que você deixe um valor mínimo aplicado no próprio banco (em um CDB, por exemplo) para ter isenção de tarifas e taxas para transferências. Alguns exigem R$ 50 mil, outros R$ 80 mil ou R$ 100 mil, por exemplo.

Não podemos negar, portanto, que o custo para fazer a transferência é uma desvantagem para o investimento via corretora de valores. Ainda assim, sugerimos essa opção para facilitar a cultura de investimentos com objetivos diferentes, ou seja, para que você tenha acesso a uma plataforma mais ampla de aplicações e comece a construir uma carteira mais diversificada.

Na prática sempre é mais difícil…

Por isso, fomos à prática para tentar antecipar as dificuldades que você pode encontrar.

Demos o passo a passo acima ao André Zara, editor da newsletter Criando Negócios, e ao Guilherme Dias, editor do WBC Brasil. Eles abriram suas contas em corretoras de valores e contam abaixo suas experiências. Veja as dificuldades que encontraram pelo caminho e como seguiram em frente:

Experiência do André:

“Eu tenho um perfil de investidor conservador. Sempre tive o hábito de economizar e guardar dinheiro na poupança, tendo um prazer especial em fazer meus depósitos mensais. No entanto, nos últimos anos, a poupança tem dado só tristeza. Apesar de saber disso, só o fato de continuar colocando dinheiro nela me confortava.

No meu primeiro dia de trabalho aqui na Empiricus, em uma conversa informal no almoço, meus colegas reforçaram que eu estava perdendo dinheiro e recomendaram o Tesouro Direto, um investimento conservador, mas que realmente dava retorno. Mas desapegar da poupança foi um processo ‘doloroso’.

O primeiro passo foi entender o Tesouro Direto. Para isso, contei com ajuda da Olivia Alonso, do Walter Poladian e da Beatriz Cutait – uma consultoria de luxo, não concordam? No começo fiquei um pouco confuso, pois existem muitas opções.

No entanto, o mais difícil foi saber o que eu queria com o meu investimento, que é a base para tomar a decisão. Tive que pensar sobre meus planos pessoais e traçar metas. Eu disse à Olivia que precisava pensar mais para decidir, mas quando ela falou que enquanto eu postergava estava perdendo dinheiro, caiu a ficha.

Mesmo assim, resolvi testar primeiro antes de colocar todo o meu dinheiro. Abri uma conta em uma corretora que não cobrava pela aplicação no Tesouro. O processo de cadastro foi bem tranquilo e esperei dois dias para ser aprovado.

Escolhi o título mais conservador, o Tesouro Selic 2021 (LFT). Resolvi começar com apenas R$ 1 mil. Fiz a transferência de dinheiro para minha conta na corretora por meio de DOC bancário e, após um dia, ele estava no sistema. A única dúvida que tive ao comprar foi entender que no campo ‘quantidade’ eu não precisava escrever R$ 1 mil, mas, sim, a parte equivalente ao título. Se não me engano, foi 0,13. Resolvido esse impasse, fiz a compra.

Durante todos os processos, fui recebendo e-mails da corretora e também do Tesouro, com confirmações de cada passo realizado. O meu único ‘susto’ foi que, um dia após a compra, o Tesouro mandou um e-mail dizendo que a minha compra havia sido ‘liquidada’.

Fiquei desconfiado de que poderia ser um problema, mas era só uma palavra usada (na minha opinião muito mal escolhida) para dizer que a compra havia sido feita.

Agora que sei como funciona estou me programando para colocar uma soma maior e reservar parte do salário para investir todo mês. Meus planos são fazer o resgate somente em 2021, considerando que, para mim, um investimento de longo prazo é mais vantajoso.”

 

Experiência do Guilherme:

Para o meu primeiro investimento no Tesouro Direto, escolhi uma corretora que não cobra taxa. Achei o processo bem intuitivo: fiz o cadastro, enviei documentos on-line e pronto.Mas, se a corretora não cobra taxa para o investimento no Tesouro Direto, como ela ganha dinheiro? Com a expectativa de que depois de um tempo você busque outros investimentos, como o do mercado de ações, com operações mais rentáveis para a corretora.

Mas aprendi que o investimento não é totalmente de graça. Existe uma taxa de 0,3% ao ano aplicada sobre o valor dos títulos públicos e paga para a BM&FBovespa.

Com o título que se deseja adquirir e a corretora escolhidos, é a hora de transferir o dinheiro. Chega, então, uma parte um pouco chata. É preciso fazer uma TED para a corretora. Conforme o valor investido e o limite autorizado por seu banco para esse tipo de transferência, é preciso ir até a boca do caixa para efetuar a transação. O custo, para mim, foi de R$ 14,90.

No meu caso, a atendente errou o procedimento e eu tive que voltar para refazer o processo. Fila, senha e banco…

Com a confirmação da transferência pela corretora, chegou a hora de adquirir os títulos que escolhi. Na minha corretora, foi preciso liberar as compras num campo do site. Em seguida, pude simular a quantidade de papéis que meu dinheiro era capaz de comprar e pimba: o título estava em mãos. Ou quase.

A corretora – primeiro – e o Tesouro – na sequência – ainda mandam um e-mail confirmando a aquisição.

Feito isso, pronto! Agora sim me tornei um investidor.

Se eu precisar da grana, sei que posso resgatá-la no momento em que quiser e, em cerca de 24 horas, o dinheiro estará na minha conta. Se eu morrer, o dinheiro poderá ser requerido pelos meus herdeiros.

Para o Imposto de Renda, é preciso declarar o valor de aquisição dos títulos (a posição em 31 de dezembro do ano anterior). Veja mais aqui.

O Walter Poladian, planejador financeiro do Criando Riqueza, me lembrou de que o imposto de renda também é retido na fonte e incidirá sempre que o investidor receber rendimentos, como nos resgates antecipados, no recebimento de juros (se houver) ou no vencimento da aplicação.

Os rendimentos recebidos deverão ser especificados na Declaração Anual de Imposto de Renda em “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”. Veja mais aqui.

 

Caso ainda tenha dúvidas sobre o conteúdo de hoje, escreva para olivia.alonso@criandoriqueza.com.br ou parabeatriz.cutait@criandoriqueza.com.br Sempre lemos todos os e-mails que chegam em nossas caixas. Não podemos responder os e-mails individualmente, mas guardamos todas as dúvidas e tentamos responder as perguntas mais frequentes nas próprias newsletters, nos cursos ou nos relatórios mensais.

Mais informações: Tudo sobre o Tesouro Direto.

Veja também: Na quarta-feira da semana passada, o Walter Poladian escreveu sobre fundos de crédito privado. Leitura altamente recomendável para que você saiba como lidar com seu gerente de banco quando receber uma oferta para essa aplicação. Clique aqui para ver a versão online em nosso site.

Leia mais: Na sexta-feira, o André Zara ensinou como empreendedores devem fazer a declaração do Imposto de Renda. Leia aqui.

Aviso aos assinantes:

Relatório Mensal: Na próxima segunda-feira, estará disponível em sua página de assinantes o relatório mensal “Você Investidor” do mês de março. Nesta edição, teremos:

  • A participação do analista Carlos Herrera, especialista da Empiricus no investimento em dividendos. Ele preparou um material imperdível – e inédito – para os leitores do Criando Riqueza, mostrando como conseguir uma renda periódica investindo em boas empresas.
  • Nosso planejador financeiro, Walter Poladian, ensina como comprar ações americanas morando no Brasil, dá sua recomendação direta para quem pretende abrir uma conta no exterior e inclusive indica um banco para começar.
  • Nosso editor de empreendedorismo, André Zara, mostra como precificar seus negócios, dá dicas valiosas de propaganda para pequenos empresários e diz como formalizar o empreendimento.

Curso Investimentos para Leigos – Começando do Zero: amanhã estará disponível em sua página de assinantes a segunda aula do nosso curso inicial para formação de investidores.  Para acessar, siga os seguintes passos:

1) Faça o login em: https://store.empiricus.com.br/login/

2) Clique em “Minhas Assinaturas”

3) Clique no seu plano (exemplo: “Você Investidor”)

4) Clique em “Ver Vídeos”

5) Clique em “Aulas de cursos”

6) Clique em “Assistir” à direita do vídeo desejado ou em “Download” para baixar os slides.

Caso não tenha visto a primeira aula, aproveite para assistis às duas.

Monitoria do curso: Não deixe de participar da monitoria, que será nesta sexta-feira, às 11 horas. Você terá a oportunidade de tirar suas dúvidas ao vivo.

O link e a senha de acesso são os mesmos da monitoria da semana passada. Na véspera, enviaremos um lembrete com os dados de acesso.

Um abraço e até a próxima segunda-feira!

Olivia Alonso e Beatriz Cutait

 

Conteúdo relacionado