A pegadinha no Tesouro Direto

Conheça as diferenças entre as duas formas de se investir diretamente em títulos públicos

A pegadinha no Tesouro Direto

Mariana tem lido bastante sobre Tesouro Direto. O tema virou até assunto de festinha na casa dos amigos, com o Carlos contando que já investia em títulos públicos há muito tempo. Tem jornalista na TV indicando, amigos comentando e o namorado pressionando para tirar o dinheiro da poupança.

Decisão tomada: Mariana leu o relatório Você Investidor de outubro, abriu uma conta em sua corretora, transferiu o dinheiro do banco para lá e resolveu aplicar. Mas aí veio o problema. Onde aplicar? Tesouro Direto ou títulos públicos? Afinal, não é tudo a mesma coisa?

É e não é, Mariana!

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O Tesouro Direto é um programa que vende títulos públicos. Mas os títulos públicos não são vendidos exclusivamente pelo Tesouro Direto.

Existe o tal mercado secundário, que é um ambiente de negociação de títulos públicos em que eles ficam em nome dos investidores, da mesma forma como no Tesouro Direto, porém, em condições diferentes.

Diferentes como?

  • Nas taxas de negociação, já que os preços de compra e venda dos papéis são outros;
  • Na variedade, pois os títulos ofertados podem ser outros. Alguns papéis que deixam de ser vendidos no Tesouro Direto podem continuar a ser negociados no mercado secundário;
  • Nas tarifas, uma vez que, no Tesouro Direto, é cobrada uma taxa de custódia pela BM&FBovespa de 0,30 por cento ao ano sobre o valor investido. Além disso, algumas corretoras podem cobrar taxas de administração, que variam de 0,06 por cento a 0,70 por cento ao ano;
  • Na custódia. No Tesouro Direto, os títulos públicos ficam custodiados na BM&FBovespa, em contas individualizadas em nome do investidor. Quando o investimento é feito via mercado secundário, a custódia é feita diretamente no Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), administrado pelo Banco Central;
  • No valor negociado. No Tesouro Direto, é possível comprar uma fração de um título, ou seja, 1 por cento do valor de um papel, desde que se invista ao menos 30 reais. No mercado secundário, o investimento precisa ser no valor cheio do título;
  • E no limite de negociação, porque, no Tesouro Direto, o valor máximo para aplicação por mês é de 1 milhão de reais. No secundário, não há limite.

E há um detalhe: não é possível comprar um título público pelo Tesouro Direto e vendê-lo no mercado secundário, ou vice-versa.

Quer entender melhor quais são as diferenças entre cada título público vendido no Tesouro Direto e qual é o mais indicado para investidores mais conservadores? Confira, então, o relatório Você Investidor de outubro, que traz ainda uma análise sobre seguros de vida e recomendações de investimento para pessoas jurídicas. Está imperdível!

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Confusão

Uma das corretoras que mais gerava confusão para os investidores era a XP, que não deixava claro para o investidor a diferença entre comprar pelo Tesouro Direto e aplicar em títulos públicos (havia duas abas diferentes).

Pressionada pelo próprio Tesouro, a XP mudou recentemente a forma de apresentar ao investidor as opções. Hoje, você só encontra uma aba para aplicar no Tesouro Direto. Se quiser comprar os títulos públicos no mercado secundário, terá de ligar para o assessor financeiro, como me contou Daniel Lemos, responsável pela área de produtos da XP.

“O cliente não consegue mais fazer o investimento na mesa [portanto, no mercado secundário] por meio do site. Agora, ele precisa ligar para o assessor financeiro e ter a explicação”, disse o Daniel.

Mercado secundário ou Tesouro Direto, o que é melhor?

De maneira geral, quando o cliente da XP tem preferência por operações de alta frequência (que permitem a compra e a venda de ações em alta velocidade) e por negociar volumes baixos, ele acaba sendo direcionado para o Tesouro Direto. A facilidade do programa permite a esse tipo de investidor, que tende a ficar pouco tempo com os títulos públicos, fazer as operações sozinho.

Mas há quem considere a taxa de custódia de 0,30 por cento ao ano cara. E busque, portanto, investir nos títulos públicos diretamente no mercado secundário, pela mesa de operações da corretora.

A conta, no entanto, não é tão simples. Ao investir no secundário, o investidor vai deixar de pagar a taxa de custódia, mas terá um spread como pedágio. Na prática, as taxas costumam ser menos atrativas que no Tesouro Direto, mas com a vantagem de não se pagar pela custódia dos títulos.

Além disso, é exigido um maior volume de investimento, portanto, o Tesouro Direto segue como opção mais popular.

O Daniel indica as operações via mercado secundário para aqueles investidores de mais longo prazo e com aplicações acima de 100 mil reais, para ficarem livres da cobrança de taxas. E faz uma ressalva: quanto maior o volume investido, melhor a taxa no secundário. Diferentemente do Tesouro Direto, há margem para negociação.

Na Easynvest, tudo é feito pela plataforma, ou seja, de forma on-line. Conversei com o Amerson Magalhães, diretor da corretora, que contou que a Easynvest oferece títulos públicos também no mercado secundário por causa da oferta diferenciada.

“Por vezes, o cliente quer um vencimento diferente e oferecemos essa possibilidade de negociação no mercado secundário ou quando ele quer negociar um volume superior ao permitido no Tesouro Direto.” Amerson frisa que, mesmo se tratando de títulos públicos nos dois casos, os produtos são distintos e atendem perfis diferentes de investidores.

Rodrigo Puga, sócio do Modal Mais, home broker do banco Modal, diz que não incentiva os clientes a comprarem títulos públicos via mercado secundário por causa da falta de transparência, porque os custos não ficam aparentes. “Nesse caso, a corretagem está embutida no spread do papel.”

Estão Destruindo O Projeto De Vida Da Sua Família

Dos 2.610 planos de Previdência Privada analisados, os famosos VGBL/PGBL, somente 5 podem lhe garantir uma renda digna no futuro.

Todos os demais, oferecidos principalmente pelos Grandes Bancos, estão destruindo o projeto de vida da sua família.

Conheça imediatamente este estudo para não terminar na miséria.

QUERO CONHECER O ESTUDO

Horário do Tesouro reestabelecido

Não sei se você reparou, mas, para nossa alegria, desde a última sexta-feira (30), o horário de funcionamento do Tesouro Direto voltou ao normal. Dessa forma, as compras podem ser feitas todos os dias das 9h às 5h, e as operações de resgate, das 18h às 5h do dia seguinte.

A guerra de preços das corretoras continua

Antes que me perguntem – ou que me acusem, mesmo –, não temos parceria com nenhuma corretora de valores. Não existe uma corretora preferida, mas estamos sempre de olho nas mudanças (para melhor e para pior) promovidas.

Como já mencionei na newsletter A guerra de preços das corretoras começou, do dia 12 de setembro, as corretoras têm reduzido taxas, especialmente na renda fixa, para atrair o investidor pessoa física.

E as mudanças estão chegando agora ao mercado de renda variável. Depois de saíram notícias na imprensa sobre a oferta agressiva de preços da Nova Futura, hoje a Mirae lança uma promoção que vai vigorar por dois anos (até 30 de setembro de 2018).

A taxa de corretagem de ações passa dos atuais 2,50 reais para 1,89 real por operação executada. Para operar minicontratos de índice futuro e de dólar, o valor também caiu, de 1,50 real para 25 centavos de real.

Se tiver alguma dúvida ou sugestão de tema a ser abordado nas próximas newsletters, escreva para o e-mail beatriz.cutait@empiricus.com.br.

Um abraço!
Beatriz

 

 

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