Perguntas e respostas sobre o calote

O que acontece com seus investimentos no Tesouro Direto no pior cenário para o Brasil

Perguntas e respostas sobre o calote

Caro leitor,

Aqui é a Olivia. Na semana passada, o Felipe Miranda, nosso estrategista-chefe, apresentou aos leitores da Empiricus e do Criando Riqueza o documento “O Calote”.

Recebemos nos últimos dias dezenas de e-mails com dúvidas. Embora já tenhamos respondido algumas delas em nosso relatório mensal “Você Investidor” de fevereiro e nas últimas newsletters, achamos por bem dedicar toda a newsletter de hoje a este assunto.

Primeiramente, já adianto que não há motivo para pânico.

Você não precisa se desesperar caso tenha dinheiro no Tesouro Selic. Não precisa correr para resgatar suas economias.

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Mas é preciso, sim, ficar um pouco mais atento. O momento econômico do Brasil exige atenção. Já não dá mais para investir em uma aplicação – qualquer que seja, incluindo a caderneta de poupança – e simplesmente “sentar em cima” por anos e anos.

Para que o seu dinheiro renda acima da inflação e, com isso, você construa riqueza, é preciso um pouco mais de dinamismo.

Nada que não esteja ao seu alcance.

Eu e a Beatriz Cutait vamos explicar abaixo a tese do calote do Felipe Miranda em forma de respostas às dúvidas mais frequentes enviadas por leitores.

Comecemos pelo começo:

Calote. Moratória. Hiperinflação. Estamos vivendo um pesadelo?

Parece que o Brasil está de ponta-cabeça e você precisa correr para não ser o último a apagar a luz. Mas, como já dissemos, fique calmo. Há uma luz ao fim do túnel e é isso que a equipe de análise da Empiricus, centralizada na figura de Felipe Miranda, tentou mostrar a você no relatório sobre calote.

Sabemos que economia ainda é tida como um bicho de sete cabeças para muitos, então tentaremos neste relatório simplificar ainda mais a visão do Felipe para que você possa acompanhar o rumo da economia e blindar seu patrimônio.

1) Após ler o conteúdo do material enviado pelo Felipe Miranda e intitulado “Calote” fiquei seriamente preocupado. Sou assinante do Palavra e do Criando Riqueza e, além de preocupado, fiquei com uma série de dúvidas. Isso porque até ontem recebíamos orientações e indicações para investimentos em tesouro direto e outros investimentos em renda fixa. E agora? Seguimos? Mudamos a estratégia? O que fazer? (Jean M.)

Resposta: A equipe de análise do Criando Riqueza e da Empiricus não deixou de recomendar os títulos do Tesouro Direto. O próprio Felipe Miranda mantém os papéis em sua carteira de investimentos.

A diferença é que agora nossos analistas passaram a recomendar aos leitores priorizar títulos com vencimentos mais curtos e indexados à inflação.

Não há, portanto, uma nova estratégia. O que vemos é a necessidade de mudar o comportamento em relação aos seus investimentos. É preciso acompanhá-los um pouco mais de perto. Não quero dizer que sugerimos que os leitores fiquem “operando” (comprando e vendendo no curtíssimo prazo).

Mas é necessário, sim, estar mais atento aos indicadores da economia, observar o comportamento da inflação e dos juros, já que grande parte dos investimentos de renda fixa é indexada aos juros e à inflação.

Nosso trabalho, no Criando Riqueza e na Empiricus, é justamente avaliar os rumos da economia e, a partir disso, identificar as melhores oportunidades para seu dinheiro render.

2) Se a Empiricus está falando em calote da dívida pública, por que recomenda títulos públicos aos seus leitores? Não é um contrassenso?

Resposta: Não. O Felipe Miranda explica que um calote pode ser dado de duas formas: com o governo deixando de pagar os seus credores (o que é pouco provável) e via inflação (quando o governo mantém seus compromissos, mas deixa a inflação correr solta, desvalorizando a moeda e corroendo o patrimônio do brasileiro).

Essa última forma é a mais lógica e provável. É justamente a ela que os analistas da Empiricus estão se referindo.

Ao não aumentar a taxa de juros na última reunião do Copom, no mês passado, ficou claro que o controle da inflação não é mais uma prioridade. Pelo contrário, é a melhor forma de reverter o crescimento da dívida, que está saindo de controle.

Simplificando uma parte da tese do Felipe:

Sugerimos que leia o documento inteiro aqui, pois vamos simplificar bastante a análise. Os parágrafos abaixo servem apenas como uma pequena introdução para que você possa acompanhar o raciocínio do documento. Dito isso, vamos em frente:

Em primeiro lugar, é preciso entender que os juros altos fazem com que a dívida do país cresça aceleradamente. O Brasil tem hoje um juro básico da ordem de 14% ao ano, nível considerado elevado em escala global.

Enquanto isso, a economia brasileira, cujo desempenho é medido pelo PIB, não tem crescido.

Você já ouviu falar da relação Dívida/PIB?

Esse é um indicador que mostra a proporção do endividamento do país em relação a tudo que ele produz. No numerador, a dívida, que cresce a um juro alto. Na parte de baixo da fração, no denominador, temos o PIB, que não tem se expandido. A relação Dívida/PIB no Brasil está em 66%. Ou seja, a dívida do Brasil é equivalente a 66% do PIB.

Se a dívida continuar a crescer nesse ritmo e o PIB não aumentar, o endividamento brasileiro poderá ficar insustentável.

Para a conta começar a fechar, será preciso que o PIB cresça em maior velocidade e a dívida diminua. Mas as perspectivas não são animadoras nem para um lado, nem para o outro.

Diante disso, o que o governo pode fazer?

  1. Dar um calote no sentido rigoroso da palavra, ou seja, dar um cano, não pagar a dívida aos credores.
  2. Ou dar um “calote via inflação”, apelidado pelo Felipe de “calote disfarçado”. Neste caso, o investidor/credor recebe o dinheiro emprestado de volta, mas precisa enfrentar a disparada da inflação, que reduz seu poder de compra. Veja bem, é o que acontece hoje com a poupança, que tem rendido abaixo da inflação.

Esse segundo “calote” pode ser feito por meio da redução dos juros. Juros mais baixos podem aliviar as contas do governo, mas abrem espaço para um aumento inflacionário. Isso acontece por causa de uma regra muito básica da economia: juro decrescente = crédito mais barato, o que incentiva as pessoas a contratarem mais empréstimos para comprar. A consequência é um aumento da demanda por produtos e serviços que, por sua vez, leva as empresas a aumentarem os preços.

Nesse cenário, os títulos públicos atrelados à inflação são uma forma inteligente de proteção, pois têm uma parcela de remuneração prefixada e outra que acompanha a variação do IPCA. Nesse caso, é garantido um aumento do poder de compra.

Leia a tese “O Calote” e, se ficar com dúvidas sobre o conteúdo, nos escreva: olivia.alonso@criandoriqueza.com.br ou beatriz.cutait@criandoriqueza.com.br.

Vamos reunir as mais frequentes por amostragem e responder em uma próxima ocasião.

3) Mas, por via das dúvidas, não seria melhor tirar o dinheiro do Tesouro Direto e colocar no banco?

Resposta: Não. Não adianta o investidor vender seus títulos e colocar o dinheiro no banco, pois sabe o que ele irá fazer? Comprar títulos públicos – e ainda lhe cobrará por isso, por meio de taxas de administração que farão sua rentabilidade diminuir.

Como dizem nossos analistas: se nosso país realmente quebrar, todo o sistema financeiro vai ruir. Os títulos públicos têm o menor nível de risco e, nesse cenário catastrófico, serão os últimos a tombar.

4) Agora reunimos duas dúvidas parecidas:

Olá, Olivia. Sou assinante Empiricus, seu e do Felipe.
Vi que sempre recomendam compra de Tesouro Direto e deixei 70% do meu dinheiro no Tesouro Selic. Como o Felipe disse, o Brasil irá dar o calote. Corremos risco de calote no Tesouro Direto também? Essa pergunta deveria ser pauta, pois muitos devem estar no mínimo pensativos a respeito. Muito obrigado! Danilo C.

Boa tarde. Sobre as recomendações acerca do “O CALOTE”: Felipe, verifiquei suas recomendações nos vídeos 1 e 2 sobre como se proteger do governo e da crise em 2016, mas tenho uma dúvida de iniciante em investimentos. Você no vídeo 2 indicou proteger o patrimônio via Tesouro IPCA+, só que esse título é do governo. Não corre o risco de ele (governo) não pagar? Existe uma certa “segurança” pra deixar meu dinheiro no Tesouro Selic em 2016 inteiro (até pelo menos o fim do ano)? Alisson R.

Resposta: O primeiro ponto que precisa estar claro é que não há nenhum ativo 100% seguro no Brasil nem no mundo. Riscos existem e vão sempre existir, independentemente de estarmos em crise ou numa fase de bonança.

Tendo isso dito, o maior risco do Brasil é o próprio país quebrar. E se o país quebrar, ele vai arrastar todo o sistema financeiro junto, como dissemos na pergunta anterior.

Dessa forma, não adianta pensar que o melhor é se refugiar nos produtos bancários mais clássicos, como fundos DI, CDBs ou poupança. Um colapso do Brasil vai ter efeito imediato sobre esses investimentos.

Afinal, para onde vocês acham que vai o dinheiro investido nos fundos DI? Títulos públicos, mais especificamente para Tesouro Selic.

E os CDBs? Grande parte dos CBDs tem rentabilidade pós-fixada, com um retorno em percentual do CDI, o mesmo referencial do Tesouro Selic.

E a poupança? A poupança tem um rendimento mais “engessado”, com a famosa TR como remuneração básica, acrescida de 0,5% ao mês quando a meta da taxa Selic ao ano superar 8,5% (caso atual) ou de 70% dessa meta mensalizada, quando inferior aos 8,5% anuais.

Não há, portanto, uma garantia de que seu dinheiro vai render acima da inflação. Foi isso que você sentiu na pele no ano passado, quando a poupança entregou um retorno de apenas 8,07%, bem abaixo da inflação do período, de 10,67%.

Também não precisamos dizer que de nada adianta colocar suas reservas embaixo do colchão, afinal seria a mesma coisa que perder dinheiro ao longo do tempo, pois você não conseguiria repor a inflação.

Seguindo essa lógica, vocês nos perguntam: há o risco de o governo não pagar no Tesouro Direto? A resposta é sim, há esse risco, mas os títulos públicos são os ativos mais livres de risco existentes no país. Veja este vídeo.

5) Algum investidor já sofreu um calote do governo no Tesouro Direto?

Não, lembrando que o Tesouro Direto, o canal para a compra dos títulos públicos pela pessoa física, foi criado apenas em 2002. Até então, o investimento nesses papéis só podia ser feito por meio de fundos.

Nesse ambiente de crise recheado de incertezas, continuamos a sugerir que a maior parte de seu dinheiro esteja aplicada, direta ou indiretamente, em títulos públicos.

6) Se eu tenho todo meu dinheiro em Tesouro Selic, devo colocar um pouco em Tesouro IPCA+? Como fica meu colchão de liquidez?

O dinheiro que você pode precisar no curto prazo deve continuar aplicado no Tesouro Selic. Com esse tipo de título você corre menos risco de ter perda no caso de um resgate antecipado (antes do vencimento). Nossos analistas costumam sugerir, para o colchão de liquidez, Tesouro Selic, fundos DI (por praticidade, pois também investem no Tesouro Selic, cobrando uma taxa de administração pela gestão), CDBs e outros tipos de aplicações, desde que tenham liquidez diária, ou seja, possam ser resgatados a qualquer momento.

Caso todas as suas economias estejam em Tesouro Selic, nossos analistas dizem que você pode, sim, resgatar uma parte e colocar em Tesouro IPCA+, preferencialmente com vencimentos mais curtos (como o de 2019). A alocação ideal vai depender de cada um, de seu perfil de investidor, seus objetivos e suas necessidades. Mas, segundo nossos analistas, uma carteira balanceada de renda fixa poder ter 50% dos recursos em títulos indexados à inflação e a outra metade dividida entre papéis prefixados e indexados à Selic.

Amanhã tem aula!

Amanhã, logo depois do almoço, disponibilizaremos a primeira aula do curso Investimentos para Leigos – Começando do Zero.

Se você quer saber do que se trata, clique aqui. Se você já sabe e está interessado, ainda dá tempo de se inscrever e de participar da primeira monitoria ao vivo para esclarecimento de dúvidas, nesta sexta-feira. O curso terá quatro aulas em vídeo e não será vendido separadamente. É um presente que demos aos assinantes do relatório “Você Investidor”.

Portanto, o curso é gratuito para quem já assina o principal relatório do Criando Riqueza. O assinante também tem acesso ao curso Investimentos para Leigos 1, que tem sete aulas em vídeo.

Enviaremos um e-mail aos assinantes com as orientações para participar da monitoria.

Baixe a planilha financeira

Na semana passada, enviamos a vocês nossa planilha financeira atualizada. Alguns leitores disseram que não conseguiram abrir. Nossos técnicos de tecnologia avaliaram os e-mails e disseram que é preciso “aceitar” os riscos. Alguns sistemas exigem que o usuário clique para fazer o download. Não é preciso ficar receoso, não estamos enviando um vírus. Vá em frente e comece a se organizar. Para quem perdeu, aqui está o link.

O passo a passo para investir

Aos participantes do WBC Brasil, gostaríamos de avisar que adiamos a newsletter do passo a passo para investir no Tesouro Direto por causa da urgência do assunto de hoje.

Conteúdo semanal exclusivo de assinantes

A partir de agora, o conteúdo semanal exclusivo para os assinantes da série “Você Investidor” será enviado às quartas-feiras, na newsletter CR Private, do nosso planejador financeiro CFP, Walter Poladian. Acompanhe!

Um abraço,

Olivia Alonso e Beatriz Cutait

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