A plataforma dos desesperados

O que é melhor: LCI, LCA, CDB ou Tesouro Selic? Aprenda a comparar investimentos com retornos indexados ao CDI

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A plataforma dos desesperados
  • Grita bem alto!!!
  • Aaaaaaaaahhhhhh!!!!
  • Mais alto!!!!!!
  • Aaaaaahhhhh!
  • Mata mosquito, mata mosquito!!

(…)

  • É essa?
  • Nãããão!!!
  • É essa?
  • Siiiiim!!!
  • Tem certeza? Quer trocar?
  • Nãããão!!!
  • Que toquem os tambores, maestro!!! Que toquem as trombetas!!!

(Música alta)

  • Agora vai!… Respire fundo,… bem fundo!

(Respiração)

  • Ele está D-E-S-E S-P-E-R-A-D-O!!!

Quem viveu uma infância diante da TV na década de 1990 sabe do que estou falando. Ele mesmo, o programa que nenhuma criança perdia por nada: a Porta dos Desesperados!

Era uma mistura de emoção, medo, agonia, adrenalina pura! Havia três portas fechadas e a escolha de apenas uma delas dava acesso a bicicletas e outros brinquedos incríveis ao lado do cara mais engraçado da época, Serginho Mallandro. Se você errasse, teria de fugir correndo do monstro. Era desesperador e, ao mesmo tempo, um dos meus programas preferidos antes de encarar a escola.

A “técnica” consistia em uma só estratégia: o chute. Tudo não passava de uma aposta. Acertar a porta para evitar os monstros e as ciladas do apresentador dependia única e exclusivamente de sorte. Sorte que qualquer criança poderia ter na época; afinal, no pior dos mundos, ela sairia do programa da mesma forma que entrou: sem nada.

E por que estou contando essa historiazinha aqui?

Porque estou cansada de ver gente investindo no mercado financeiro como se estivesse num programa do Serginho Mallandro. Como se dependesse da sorte para ganhar dinheiro num país que continua com um dos maiores juros do mundo.

Na semana passada, um leitor me perguntou qual era o problema de países com taxas de juros próximas a zero. E eu disse que, do ponto de vista do investidor, o problema era ter de rebolar (e muito!) para fazer o dinheiro render um pouquinho.

Converse só com um americano ou um europeu para entender como você é beneficiado por ter uma renda fixa pagando juros anuais da ordem de 14 por cento. Eles nem vão saber do que você está falando…

Nem par nem ímpar

O fato é que não dá para contar com a sorte. Desde que entrei na Empiricus, tenho me esforçado para ensinar mais pessoas a perderem o medo de começar a investir. Mas não quero ninguém consultando os búzios para saber qual ativo comprar, ou recorrendo a um vidente para descobrir o melhor momento para vender uma ação ou um título público. Quero convicções. Ainda que você erre.

Isso mesmo! É melhor errar por conta própria a seguir o fluxo como uma barata tonta. Prefiro que vc tenha autonomia.

De uma vez por todas, quero que você aprenda a comparar os retornos das aplicações para entender por que uma pode ser melhor que outra.

Mesmo com todos os relatórios que falam de renda fixa, sinto que muita gente não sabe nem por onde começar. Acredito que muitos de vocês já superaram o receio de abrir uma conta em uma corretora independente para ter acesso a uma oferta maior de produtos (e custos mais baixos), mas o processo ainda não terminou.

Por onde começar?

Você já sabe que os juros começaram a cair e que a tendência é de menor rentabilidade da renda fixa como um todo daqui para a frente, certo? Imagino que já tenha lido o relatório Você Investidor deste mês para ficar por dentro do assunto…

Ainda que estejamos há um bom tempo batendo na tecla de que você precisa diversificar o risco, a renda fixa deve responder pela maior parte de suas aplicações. Mas esse trabalho ficou mais difícil, o que reforça a necessidade de escolher melhor os ativos que vão compor a sua carteira.

Há uma oferta muito ampla de produtos nas plataformas de bancos e corretoras e eles não são todos iguais. É fundamental entender como comparar as aplicações para tomar decisões.

Para quem não se lembra do relatório Você Investidor de janeiro, vamos retomar algumas características dos principais ativos ofertados pelas corretoras, lembrando que é preciso SEMPRE analisar antes os riscos de cada emissor.

CDBs

  • Comprar um CDB significa emprestar dinheiro para o seu banco e ser remunerado por isso.
  • Ao investir nos certificados, você sabe de antemão o prazo e as condições do rendimento.
  • Tipos de retorno: prefixado, no qual você fica sabendo exatamente quanto vai receber no vencimento; pós-fixado, com um rendimento em percentual do CDI; pré + pós, com remuneração vinculada à variação do IPCA no período acrescida de juros prefixados na contratação.
  • CDB mais comum: com retorno indexado ao CDI. Quanto maior o percentual do CDI, melhor sua rentabilidade.
  • Têm data de vencimento.
  • Imposto de Renda: segue a tabela regressiva para renda fixa. Não há taxa de administração, mas existe a cobrança do IOF se você resgatar o dinheiro antes dos 30 dias.
  • Nem todos os CDBs têm liquidez diária.
  • Contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

LCIs/LCAs

  • Títulos de renda fixa emitidos por bancos para financiar participantes do setor imobiliário (LCI) e da cadeia do agronegócio (LCA).
  • Da mesma forma que os CDBs, costumam ter os rendimentos pós-fixados, expressos por um percentual do CDI.
  • Seu grande apelo é a isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos.
  • Seus prazos são definidos no momento da contratação.
  • Prazo mínimo para resgate de 90 dias.
  • Contam com cobertura do FGC.
  • Andam sumidas das plataformas e têm oferecido retornos cada vez mais baixos.

Cada qual no seu lugar

E como comparar os retornos?, você me pergunta.

Uma vez analisado o risco dos emissores desses produtos (já conferiu o relatório da Marília de 13 de setembro?), você deve olhar para os prazos, afinal, é natural que títulos com vencimentos mais longos garantam taxas de retornos mais gordas.

Partimos, agora, para as taxas de fato.

O que é melhor: um CDB que pague 101 por cento do CDI ou uma LCI com retorno de 83 por cento, ambos com prazos de dois anos?

Mesmo com a isenção de Imposto de Renda da LCI, o CDB é mais vantajoso.

Para chegar ao resultado, considerei o Imposto de Renda do CDB, que é de 15 por cento para o prazo de dois anos. Portanto, o retorno líquido seria de 97,6 por cento [0,83/(1-0,15) = 0,976].

Como a LCI é isenta de Imposto de Renda, a rentabilidade de 83 por cento equivale a um CDB que paga 97,6 por cento (do CDI). Como o CDB do exemplo promete um retorno de 101 por cento do CDI, é melhor do que a LCI.

Suponhamos, agora, que você estivesse em dúvida ainda sobre comprar um Tesouro Selic. Valeria a pena? Nesse caso, você teria o mesmo IR do CDB e um retorno muito semelhante, atrelado à taxa Selic apurada diariamente (que é diferente, embora próxima, da meta Selic). Vale conferir a variação passada da Selic por meio dessa ferramenta do Banco Central: http://www.bcb.gov.br/htms/selic/selicacumul.asp.

Isso quer dizer que um retorno de 101 por cento do CDI estaria levemente acima da rentabilidade do Tesouro Selic. Por causa dos custos do Tesouro Direto, aplicações que rendem acima de 98 por cento do CDI tendem a ser mais rentáveis que o Tesouro Selic.

E se o prazo for curtinho, de seis meses? Muda alguma coisa?

Sim! Nesse caso, a LCI seria mais interessante, pois o investimento no CDB (ou no Tesouro Selic) implicaria pagar um salgado imposto de 22,5 por cento sobre os rendimentos. Para ser mais atrativo, o CDB teria de render 107 por cento, nesse caso.

E se o retorno fosse atrelado ao IPCA?

Aí você poderia dar uma espiada na rentabilidade oferecida pelo título público do tipo Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal). Como nem sempre você vai encontrar papéis com vencimentos iguais aos das LCIs, LCAs e CDBs das plataformas, não dá para comparar simplesmente o retorno.

Será que é melhor travar um retorno maior hoje que só vai vigorar por dois anos, ou aceitar uma taxa menor, de olho em um prazo maior, de cinco anos, por exemplo? Você pode esperar tanto tempo? É preciso pensar nas aplicações e encaixá-las na sua carteira. Não existe uma única resposta!

Para facilitar seu trabalho de análise de investimentos atrelados ao CDI, oferecemos uma planilha comparativa no plano Você Investidor. Basta acessar a aba “Relatórios extras e Guias” em sua área de assinantes.

Ainda não é assinante?

ACESSE AQUI PARA ASSINAR

De agora em diante, quero que você recorra à planilha antes de tomar qualquer decisão. É hora de estar à frente de sua carteira de investimentos!

Mande e-mail depois relatando a sua experiência! E, se tiver alguma dúvida sobre o assunto de hoje ou uma sugestão de tema a ser abordado nas próximas newsletters, também escreva para beatriz.cutait@empiricus.com.br.

Um abraço!

Beatriz

 

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