Poupança não é coisa de criança

Chegou a hora de fazer o dinheiro dos pequenos render de verdade

Poupança não é coisa de criança

Há 32 anos, o hoje extinto banco Bamerindus ganhava uma nova cliente: Beatriz Cutait.

Assim que nasci, meu tio Sérgio, também meu padrinho, me deu uma poupança de presente. Parece que esse era um dos presentes mais populares da década de 1980.

Toda criança na escola tinha uma poupança, aberta por seus pais ou por alguém próximo da família.

Eu pensava na minha poupança como um cofrinho que se multiplicaria ao longo do tempo e daria vazão aos meus muitos sonhos alguns anos mais adiante. Poderia viajar para a Disney, comprar a casa da Barbie, um novo Pogobol e encher os bolsos de DipnLik até não caber mais…

Quando fiz 18 anos, minha mãe me deixou finalmente usar o dinheiro como bem entendesse. Essa era uma responsabilidade e tanto para uma garota recém-formada e cheia de desejos consumistas, na época, já diferentes dos sonhos de criança.

Mas sempre tive um perfil poupador e guardei o dinheiro por um bom tempo, deixando as economias paradinhas lá para emergências, e só as usando para situações específicas.

Vamos cortar a cena agora para o finzinho de 2015.

Quase na virada do ano passado, ganhei o título de tia e tive a honra de ser nomeada madrinha da Stellinha. Tudo que mais quero é que essa minha sobrinha tão amada tenha a sorte de ter uma vida de muita felicidade, sem grandes solavancos, com tudo de mais empolgante que o mundo lhe reservar. E, claro, espero que a parte financeira lhe dê o conforto necessário para realizar seus grandes planos.

Mas como ela vai poder juntar dinheiro para isso?

Ainda que eu seja muito grata pela poupança recebida lá na década de 1980 – desculpe, tio Sérgio –, essa seria a última opção que daria hoje à minha sobrinha.

E por quê?

Porque se foi o tempo de imaginar que a poupança era a única aplicação segura no País, salva de um confisco e imune às grandes crises que tanto conhecemos por aqui. Entendo que o contexto da economia brasileira contribuía para esse apego.

Peguei um rescaldo dos tempos de hiperinflação, que deixava todo brasileiro apavorado com o dia seguinte e sem conseguir juntar dinheiro suficiente pensando nos planos de longo prazo. Naquele tempo, não havia espaço para correr riscos no Brasil…

Ter aquela poupança foi importante para eu entender e assimilar o conceito de poupar dinheiro, que vai além de qualquer tipo de aplicação financeira.

E, mesmo com um retorno insuficiente para atender os meus sonhos, eu nem posso reclamar. Embora não tenha sido muito dinheiro, consegui até recuperar do governo uma correção monetária criada pelo chamado Plano Verão, lá de 1989…

Apesar da alegria de ver um dinheirinho caindo na conta 20 anos depois, justamente quando voltava de um mochilão em que tinha gasto todas as minhas suadas economias, não valeria repetir o investimento hoje.

Os tempos são outros, como bem sabemos. Os problemas do País não desapareceram, mas definitivamente não são os mesmos de 30 anos atrás. Por isso, é preciso se adaptar às mudanças. No meu caso, pelo bem da Stellinha!

Se eu tivesse dado uma poupança para minha sobrinha no ano passado, por exemplo, ela teria perdido dinheiro. Isso mesmo. PERDIDO DINHEIRO! Em 2015, a poupança rendeu míseros 8,07 por cento e ficou abaixo da inflação, com variação de 10,67 por cento.

Isso quer dizer que a remuneração do investimento não foi suficiente para acompanhar o aumento dos preços no Brasil.

Portanto, sendo pragmática, obrigada pela ajuda, tio Sérgio, mas vou fazer diferente para minha afilhada.

A Stellinha merece algo mais rentável para sonhar mais alto. Quem sabe um mochilão de muitos meses pelo mundo?

Apesar da minha insistência para as pessoas deixarem de olhar para a poupança como um investimento sagrado, sei que ainda encontro resistência. Dentro de casa, inclusive.

O leitor Paulo Sergio S. me contou recentemente que vem depositando pequenos valores na poupança e espera, dessa maneira, conquistar os bens de que precisa em alguns anos.

“Preciso dizer que, mesmo com a baixa porcentagem de ganho da Caderneta de Poupança, estou sobrevivendo e vivendo dentro de meus limites.”

O que precisa ficar claro, Paulo Sergio, é que não basta sobreviver. Vivemos em um dos países com a mais alta taxa de juros do mundo, por isso seu dinheiro precisa render. E bem!

Pensando nisso, vamos ao principal ponto da newsletter de hoje. Não estou criticando a poupança sem dar opções. Existem caminhos melhores para o futuro dos seus filhos, sobrinhos e netos.

Fizemos um conteúdo especial de Dia das Crianças para que fique claro, de uma vez por todas, que a poupança dos filhos mudou de nome.

Quer conhecer melhor? Acesse aqui.

Assista ainda a uma videoaula para ensinar os pequenos a lidarem BEM com dinheiro. Se gostar, compartilhe com seus amigos e familiares!

Um abraço!
Beatriz

 

 

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