“Presente” de Natal: mais imposto na renda fixa

Mesmo com a mudança da tributação, continuamos vendo os títulos do Tesouro Direto como uma boa opção

“Presente” de Natal: mais imposto na renda fixa

Caro leitor,

Acabo de ler uma pesquisa que diz que 19,6 milhões de consumidores devem ir às compras de última hora neste Natal.

Eu gostaria de sugerir aqui que ninguém compre presente de Natal neste ano.

Poderia sugerir a todos os leitores que, em vez de presentes, poupem e invistam o dinheiro para realizar sonhos futuros.

Pois o que eu realmente desejo a todos os leitores – além de amor, paz e saúde – e que sejam bons investidores.

Mas não acredito que as pessoas não irão às lojas neste ano.

Inclusive, acabo de ver uma pesquisa do SPC dizer que 19,6 milhões de consumidores devem ir às compras de última hora (o que é ainda pior).

Não sei se é o seu caso. Caso seja, sugiro que realmente considere abortar a missão “correr para o shopping” e, no lugar disso, compre um “investimento” de presente.

Estamos rodeados de más noticias no país, é verdade. A última delas posso dizer que foi a MP 694, que propõe o aumento de impostos para renda fixa. A notícia é um péssimo presente de Natal aos investidores.

Mas, mesmo assim, temos duas boas notícias inegáveis. E uma delas tem a ver com oportunidade de investimento para os brasileiros:

1 – O Réveillon deste ano tem sabor de alma lavada por todas as prisões das operações da Polícia Federal.

Não sei se você também se sente assim (e convido a todos a me escreverem o que pensam sobre isso olivia.alonso@criandoriqueza.com.br), mas ótimo vivenciar o começo do fim da impunidade no Brasil.

2 – Vivemos um momento ótimo para quem pode investir. Em renda fixa, títulos do Tesouro Direto pagam mais de 15% ao ano.

Na bolsa de valores, empresas sólidas e promissoras são negociadas a preço de banana, pagando o pato pelo momento político-econômico turbulento.

Mesmo com a mudança da tributação de aplicações de renda fixa, nossos analistas e consultores continuam vendo os títulos do Tesouro Direto como uma boa opção para começar a poupar.

Logo abaixo, você pode ver como poderá ficar a tributação dos diferentes tipos de aplicação caso seja aprovado o último texto da Medida Provisória 694, que será votada no ano que vem.

Aos que ainda precisam comprar presentes – e não fizeram isso com antecedência – ficam as sugestões de última hora:

– Não compre por impulso. Pesquise preços na internet antes de sair de casa. Na correria, a tendência é agir pelo famoso “Sistema 1” do qual falamos há duas semanas.

– Se for entregar o presente só em janeiro, adie a compra para aproveitar liquidações.

– Antes de ir às compras, escreva os nomes dos presenteados e o quanto você pode gastar com cada presente. Parece óbvio, mas é importante que seus gastos não ultrapassem o valor planejado.

– Não tenha vergonha de comprar presentes mais baratos. Muita gente está fazendo isso. Segundo pesquisa do SPC Brasil, o gasto médio de presentes da Natal caiu para R$ 106,94 neste ano, de R$ 125,22 no ano passado.

– Pechinche.

–  Vai comprar presente para si mesmo? Faça um bom investimento.

Como podem ficar os impostos para renda fixa

Para os investimentos pós-fixados atrasados ao CDI ou à Selic, a tabela atualmente vigente é:

Caso a MP 694 seja aprovada, ficará assim:

Essa seria a tabela válida para os CDBs que pagam um percentual do CDI e também para os títulos Tesouro Selic.

Se o resgate for feito antes do vencimento da aplicação, a princípio a ideia é que o imposto seja de 25% independentemente do período aplicado.

Veja mais detalhes nesta matéria de O Financista:

Renda fixa: MP eleva para até 25% alíquota de imposto de renda

Para os investimentos atrelados ao IPCA e prefixados, a tabela atualmente vigente é a mesma atualmente vigente no caso acima, variando de 22,5% ao ano a 15% ao ano.

Caso a MP 694 seja aprovada, ficará assim:

Como ficam as LCIs e LCAs?

Hoje as LCIs e LCAs são isentas de imposto de renda. O texto da MP propõe que as LCAs tenham sempre imposto de 10%, independentemente do indexador e do prazo.

Para as LCI, a proposta é de que a tabela seja a mesma dos pós-fixados atrelados à Selic e ao CDI sempre que a LCI tiver sua remuneração atrelada ao CDI:

Quando a remuneração tiver outro indexador ou for prefixada, a tabela proposta é:

No caso das aplicações que atualmente são isentas de imposto, o texto diz que os rendimentos dos ativos emitidos nos anos de 2016 e 2017 seriam taxados em apenas 50% das taxas propostas.

Ou seja, os impostos vão variar de 11,25% a 7,5% no caso das LCIs indexadas à Selic e de 8,75% a 5% no caso das que tiverem outro tipo de indexador ou forem prefixadas.

Para as LCAs, o imposto será de 5% sobre os ganhos para os ativos emitidos em 2016 ou 2017.

O terceiro pilar

Conforme prometido na última semana, vou comentar rapidamente hoje o terceiro pilar do Método CR: Endividamento saudável.

Para que você possa ficar tranquilo em relação às suas dívidas, sugiro que respeite os seguintes limites:

 – Não tenha dívidas que superem 30% de sua renda.

 – Não utilize mais do que 30% do crédito que você tem disponível (em cartoes de crédito).

 – Priorize quitar suas “dívidas de consumo”, que são aquelas assumidas para a compra de bens de consumo que perdem valor ao longo do tempo.

 – Tente manter apenas as dividas saudáveis, que são aquelas que vão permitir que você gere valor com o tempo, por exemplo: financiamento estudantil, financiamento para a compra de um equipamento que vai tornar seu pequeno negócio mais produtivo. Ou seja, pegue dinheiro emprestado apenas para “investir” em si mesmo. Veja que não estou dizendo para “investir na bolsa de valores” (é difícil ganhar mais do que o valor que você vai pagar de juros).

 – Sempre pague o total da fatura do cartão de crédito. Se não pode pagar, não compre.

Um abraço,

Olivia Alonso

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