Renda fixa: mantenha isso

Momentos de pânico abrem oportunidades de compra e só reforçam o apelo de títulos com retornos garantidos se levados até o vencimento

Renda fixa: mantenha isso

Foi impossível desgrudar os olhos do noticiário televisivo, da tela do computador ou do painel aqui da Empiricus mostrando o pregão (ou a catástrofe) do dia.

Quinta-feira passada, 18 de maio, certamente foi um dia marcante na vida de muitos investidores iniciantes. Finalmente, descobriu-se que o mercado financeiro não é brincadeira e que ações, moedas e juros oscilam DE VERDADE.

Apesar do clima de pânico, que atrapalhou e muito os louros conquistados no ano, vejo 18 de maio como um ponto de virada importante.

A partir de agora, quem não tem estômago para aguentar turbulências deve repensar se seu dinheiro está no lugar certo.

E os fortes… aaahh, os fortes sobreviverão. Os pacientes, os prevenidos, os mais espertos, esses vão sair ainda mais fortes dessa história.

Não falam que, na vida, a gente só aprende a crescer na marra, “apanhando” mesmo?  Taí, então, um belo de exemplo para testar nossos nervos.

O Felipe foi claro no Daily Pro do fatídico dia, intitulado “O que faremos hoje”, enviado aos leitores antes mesmo do horário tradicional:

“Por ora, sugerimos paciência, diligência e tolerância à volatilidade. Vai ser sofrido, mas essas virtudes, associadas ao apego a uma filosofia de investimento, serão recompensadas no longo prazo. Foi assim no passado, tem sido assim agora e não há por que supormos algo diferente à frente.”

Nem preciso mencionar os famosos cisnes negros e a relevância de se ter seguros na carteira, temas sobre os quais o Felipe tanto fala. Você já deveria estar cansado de saber (e de proteger seu portfólio).

 

Quem leu o Você Investidor deste mês já estava por dentro das diversas alternativas para montar uma exposição ao câmbio e se proteger exatamente de momentos adversos como o vivido agora.

Mesmo estando preparada para atender leitores mais desesperados, fiquei MUITO surpresa com o pavor que se tomou em relação à renda fixa.

Com ações, sabemos que não tem jeito. Depois que os papéis despencam, ou você decide aguardar, confiando nos fundamentos das empresas, ou assume a perda e vende. Faz parte do jogo, e a vida segue.

Mas o mesmo não acontece na renda fixa. O pequeno investidor (não estou falando dos grandes gestores aqui) não precisa assumir uma perda no meio da tempestade para conter prejuízos. Muito pelo contrário…

Balança, mas não cai

Investidores mais nervosos olharam seus extratos do Tesouro Direto no dia 19 e ficaram completamente baqueados com a queda de preços de seus títulos públicos. Afinal, como ter prejuízo se entrei em renda fixa, tantos se perguntaram?

De uma vez por todas, e agora de forma bem didática: RENDA FIXA NÃO É FIXA.

Os riscos de perda vão sempre existir, se (ATENÇÃO AO SE), você decidir vender seu papel antes do vencimento.

Está muito cedo para saber o que vai vir pela frente, mas a expectativa do mercado é de que o ajuste nos juros, ou seja, os cortes da Selic, prossigam.

Diante desse cenário de razoável normalidade do Banco Central, o que se apresentaram, inclusive, foram novas oportunidades. Afinal, papéis prefixados (com vencimento em 2023), que chegaram a pagar prêmios anuais abaixo de 10 por cento no dia 17, se reaproximaram de retornos de 11,8 por cento diante das tensões.

O mesmo movimento foi visto nos títulos indexados à inflação. O juro real (o lucro que você coloca de fato no bolso) chegou a subir novamente para a casa dos 6 por cento ao ano (o que não era visto desde o ano passado), após ter recuado abaixo de 5 por cento no dia 17 (no caso da NTN-B Principal com vencimento em 2024).

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E o que você ganhou?

A oportunidade de aumentar as compras e, ao mesmo tempo, se segurar firme nos papéis já comprados, ainda que os preços tenham oscilado. É hora de manter isso aí, viu?

E quem pôde aproveitar essa curta janela de preços para ir às compras? Quem tinha uma parte do patrimônio reservada para emergências, no famoso colchão de liquidez, sobre o qual tanto falamos no Você Investidor.

Espero que tenha ficado claro para leitoras como a Paula G., que me escreveu aflita dizendo que havia perdido mil reais no Tesouro Direto. A perda só será efetiva se você revender seu papel antes do vencimento, Paula!

Como o Felipe tanto reforçou, no auge do pânico, o melhor é não fazer nada!

Espero, de verdade, que esse dia 18 de maio entre em sua história como uma grande lição. Do que fazer e, mais importante, do que não fazer!

Se tiver mais dúvidas ou quiser apenas dividir suas angústias sobre a volatilidade dos mercados, escreva para beatriz.cutait@empiricus.com.br!

Um abraço,
Beatriz

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