Renda fixa. Só que não.

Não adianta se “sentar" no investimento e ficar alheio ao que se passa. Dá para ganhar mais sem abrir mão do conservadorismo

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Renda fixa. Só que não.

Por Beatriz Cutait

Você sempre investiu em renda fixa, sempre se considerou um conservador ou uma conservadora e tem um baita orgulho do crescimento do patrimônio com os dois pés bem fincados no chão.

Reproduziu o modelo de seus pais e obteve sucesso com a estratégia.

Muito bom, sinceros parabéns pela conquista.

Mas, e se eu disser que, durante todo esse tempo, você correu riscos? E que  poderia ter ganhado mais dinheiro? Se pudesse voltar no passado, você teria tomado as mesmas decisões?

Entenda, preciso compartilhar uma informação fundamental para suas finanças: a renda fixa não é fixa. Ela varia. E muito.

Eu sei, como pode o próprio nome da categoria já induzir ao erro? É mais do que natural que você e outras tantas pessoas não entendam o conceito por trás da classificação.

Mas chegou a hora de acabar com a confusão de uma vez por todas: a renda fixa não é imutável. O que ela determina é como você vai receber o dinheiro. Só isso.

Se o investimento for do tipo prefixado, como o Tesouro Prefixado (LTN), ok, você saberá exatamente o valor a ser pago pela aplicação no momento da compra.

Por exemplo, se comprasse hoje um título público do tipo Tesouro Prefixado 2023 (LTN), um dos nossos “queridinhos”, receberia um retorno da ordem de 10,28 por cento ao ano até 2023.

Mas, se o investimento for pós-fixado, como a maioria dos CDBs, das LCIs e das LCAs, e dos títulos públicos Tesouro Selic e Tesouro IPCA+, a única certeza que você terá é que vai receber, ao fim da aplicação, um percentual de um referencial (como o CDI e a Selic). O retorno em si pode ser previsto, mas não garantido.

Acompanhe o raciocínio.

Lúcia investiu 1.000 reais em um CDB em agosto do ano passado, quando a taxa Selic estava em 14,25 por cento ao ano (lembre-se de que o CDI anda lado a lado com a Selic, com variações bem próximas). O CDB prometia um retorno de 103 por cento do CDI. Logo, a Lúcia deveria supor que a rentabilidade aproximada até a data de vencimento do CDB seria de 14,68 por cento (103 por cento de 14,25 por cento) ao ano, certo? Não!

A única promessa que Lúcia recebeu é de que o percentual não vai mudar, ou seja, será de 103 por cento do CDI se ela carregar o CDB até o vencimento, em dois anos. Mas o CDI vem diminuindo junto com a Selic, que hoje está em 12,25 por cento ao ano. Em 2018, quando o CDB vence, a Lúcia vai receber um retorno que vai considerar o CDI ao longo do período, não só quando ela comprou o título, nem só na data de vencimento. Ficou claro?

A renda fixa oferece, portanto, previsibilidade para o investidor, ainda que o retorno não seja prefixado. É sempre possível ter em mente o que será pago no fim da aplicação, num quadro oposto ao da renda variável.

Mas há outra questão fundamental na renda fixa da qual muitos se esquecem (ou sequer estão cientes): as condições de uma aplicação são dadas no momento da compra, sempre considerando que o investidor vai carregar o ativo até a data final, ou seja, até o vencimento.

Se você decidir resgatar seu CDB, sua LCI ou seu título público antes do vencimento, as condições serão outras. Nos dois primeiros casos, muitas vezes você sequer consegue antecipar o resgate. Mas, no Tesouro Direto, todo dia é dia para liquidar seu investimento. Só que essa decisão pode ter um preço…

No caso do Tesouro Selic, não tem problema. O papel acompanha a variação da taxa Selic, logo, ainda que você decida pelo resgate antecipado, vai receber uma taxa positiva. O papel tem baixa volatilidade e por isso é tão recomendado para reservas de emergência, sobre a qual tanto falamos no Você Investidor.

Mas as condições são outras se você decidir antecipar a liquidação de papéis como Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado. Nesses casos, pode se esquecer daquelas taxas travadas no momento da compra. O que vale é o preço de mercado, que varia todos os dias.

Por isso sempre falamos que é possível antecipar o resgate com lucro, mas  também pode haver prejuízo. Você consegue acompanhar a variação de preços e de taxas dos títulos públicos no próprio site do Tesouro Direto. Acesse e busque por “Histórico de preços e taxas” para ver a trajetória do mercado.

Não é à toa que tantos investidores não sabem se devem ou não vender o papel antes do prazo final. Tratamos desse tema, com uma demonstração empírica, no relatório Você Investidor deste mês. Já conferiu?

Também estão nesse “grupo” de renda fixa a Marília, que dá as recomendações de compra e venda na hora certa no Empiricus Renda Fixa, e a Luciana, que está sempre de olho nos bons fundos do tipo DI, de crédito privado e de debêntures para indicá-los com tranquilidade para você.

O recado do dia é: renda fixa varia. Portanto, mesmo que você se considere um conservador, esteja de olho nas mudanças da economia. Seu investimento não está alheio a elas. Quanto antes você se der conta, mais dinheiro poderá ganhar…

Recado 2: Já foi na Caixa resgatar o dinheiro das contas inativas do FGTS? No Você Investidor deste mês, falamos sobre as opções para investir este recurso. O importante é fugir da poupança, hein?

E quero agradecer aos depoimentos de leitoras e de leitores depois da newsletter sobre o Dia das Mulheres. Adorei ver que nosso grupo está crescendo!

Um abraço!

Beatriz

PS: Seguimos em busca de relatos de leitores sobre experiências (boas e ruins) com seus gerentes de bancos. Como tem sido a oferta de produtos feita por esses profissionais? Me escreva (beatriz.cutait@empiricus.com.brcontando!

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