Seu dinheiro está seguro?

Conheça o fundo que dá garantia para poupança e outras aplicações

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Seu dinheiro está seguro?

No início de 2011, Walter recebeu uma indenização do seu antigo trabalho e decidiu colocar esse dinheiro na poupança no Banco Cruzeiro do Sul. Em setembro do ano seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do banco.

O sentimento do Sr. Walter foi igual ao de muitos brasileiros na mesma situação.

Mas o que aconteceu ao Cruzeiro do Sul no ano de 2012?

A medida foi tomada depois que uma fiscalização constatou indícios de fraudes contábeis. Segundo o BC na época, havia pelo menos 300.000 empréstimos fictícios contabilizados pelo banco.

A notícia seria devastadora para o Sr. Walter. Não foi. O dinheiro que ele colocou na poupança era garantido pelo FGC.

Ele também teria seu dinheiro salvo caso tivesse aplicado em CDB, LCI, LCA, alguns outros produtos financeiros, que listaremos abaixo, ou mesmo na conta corrente.

Mas o que é o FGC? O que está por trás dessas três siglas que funcionam como um seguro do nosso dinheiro aplicado nos bancos?

O FGC é o Fundo Garantidor de Crédito, você talvez tenha ouvido nos noticiários na época da liquidação do banco Cruzeiro do Sul ou, mais recentemente, do banco BVA.

É uma entidade privada, sem fins lucrativos, que tem como objetivo inicial dar assistência ao sistema bancário. É como uma associação dos bancos, que recebe todos os meses um pagamento de seus associados para proteger seus depositantes, conferindo maior segurança ao setor.

Qualquer instituição financeira que emite produtos garantidos pelo FGC, pagam um percentual dos depósitos. Até mesmo o BNDES entrou na lista e passou a fazer parte dos “associados” do FGC depois de ter emitido uma LCA.

Além de proteger os depositantes e investidores, que somos nós, o Fundo Garantidor de Crédito também dá assistência financeira aos bancos que precisam de caixa. “É melhor dar liquidez ao banco do que deixar o problema evoluir até o ponto de o banco quebrar”, explica aos leitores do Criando Riqueza, Fábio Mentone, diretor do FGC.

Colocamos em nossa página do Facebook/CriandoRiqueza o vídeo que gravamos com o Fábio, no qual ele responde questões chave sobre as garantias do fundo e tira dúvidas, por exemplo, sobre a possibilidade de garantia no caso de confisco do seudinheiro.

Atualmente, o Fundo Garantidor tem um patrimônio de nada menos do que R$ 40 bilhões. Apenas para dar uma ideia de quão seguros estamos hoje, o valor desembolsado pelo fundo desde 2011 somou R$ 4,6 bilhões. Essa foi a soma do dinheiro pago aos clientes dos bancos Rural, BVA, Prosper, Cruzeiro do Sul, Oboé CFI e Morada.

Veja abaixo as garantias pagas pelo FGC aos clientes dos bancos que tiveram liquidação extrajudicial ou intervenções decretadas desde 2004:

A função do FGC, portanto, é a de administrar mecanismos de proteção a titulares de crédito (depositantes e investidores) no âmbito do Sistema Financeiro Nacional.

Resumindo, o fundo garantidor tem como suas missões: contribuir para a manutenção da estabilidade da economia, assegurar a prevenção da crise bancaria sistêmica, a contratação de operações de assistência ou suporte financeiro, incluindo operações de liquidez com as instituições associadas.

Para o investidor, é ótimo que exista o FGC. O fundo dá segurança para quem quer rentabilidades um pouco melhores em produtos como CBDs de bancos médios ou quem quer aproveitar a isenção do imposto de renda em aplicações como Letras de Crédito Agrícola (LCA) e Letras de Crédito Imobiliário (LCI), ao menos enquanto essa isenção for mantida. Saiba mais sobre as oportunidades com essas aplicações no conteúdo PRO, abaixo.

Tivemos nessa semana mesmo um exemplo claro dessa vantagem do FGC em uma dúvida de um leitor. Ele nos questionou sobre a vantagem de investir no Tesouro Direto, assunto que tratamos em duas newsletters recentes, em detrimento de aplicações em CDBs de bancos de médio ou pequeno portes.

Ele nos disse que recebeu uma sugestão para aplicar em CDBs dos bancos Modal e Bens, via corretora de valores. Na proposta ele receberia 115% do CDI. Mesmo com um desconto de 20% de Imposto de Renda (essa é a alíquota para resgates feitos entre 6 meses e 1 ano), ele poderia conseguir uma rentabilidade de de até 12,88% ao ano.

Como acreditamos que muitos de nossos leitores terão, em algum momento, uma opção semelhante, aqui está a resposta do nosso consultor financeiro, Renato Breia:

Caro leitor, a rentabilidade final dessa opção oferecida a você é, realmente, maior que uma opção similiar ao do Tesouro Direto (LFT). A questão é que o Tesouro é o ativo mais seguro disponível no mercado brasileiro. Enquanto a aplicação oferecida – caso o banco quebre – poderá acarretar na perda de uma parte do seu investimento (o que ultrapassar R$ 250 mil).  Em geral, esse tipo de aplicação exige um prazo de permanência ou alguma carência. Já no Tesouro, caso você queira vender os títulos, poderá fazer a qualquer momento.

Sendo assim, se você respeitar esse limite de valor garantido pelo FGC e puder ficar sem mexer no dinheiro pelo tempo determinado, você pode, sim, investir nessa opção que te sugeriram.  Nesse caso, as duas aplicações acabam ficando similares e você pode investir nas duas, diversificando sua carteira de opções. Lembrando que é sempre conveniente deixar uma parte do seu património como reserva para eventuais necessidades.

Operações como essa citada pelo leitor têm sido cada vez mais comuns. As corretoras de valores repassam aos seus clientes os CDBs emitidos por bancos. Na verdade, fazem isso como uma forma de oferecer algo a mais para seus clientes, tentando mantê-los em sua base.

Embora o FGC não ofereça garantia para o caso de quebra das corretoras, neste caso o cliente está garantido porque o CDB foi emitido pelos bancos.

Ou seja, ao investir por meio de uma corretora de valores, você terá a garantia do FGC sempre que o produto tiver origem de um banco.

O mais importante é ficar atento aos valores: R$ 250 mil é o valor máximo garantido pelo FGC por pessoa, por instituição financeira. Se você tiver R$ 250 mil aplicado em um banco e mais R$ 30 mil em outro banco, terá a garantia nos dois. Se você tiver R$ 280 mil em um banco só, só terá garantia de até R$ 250 mil.

Para o caso de contas conjuntas, o valor de R$ 250 mil será dividido entre os titulares. Se você tem R$ 250 mil em uma conta conjunta com sua mãe e seu pai, por exemplo, cada CPF terá garantidos R$ 83 mil por essa conta.

É importante ficar atento com os produtos financeiros que você adquire nas corretoras de valores, supondo que você tenha também outros R$ 200 mil aplicados em um CDB de banco via uma corretora de valores. Nesse caso, é importante você saber de qual banco é esse CDB. Se for do mesmo banco da sua conta conjunta com seus pais, os R$ 200 mil se somarão aos R$ 83 mil. Portanto, você ficará com R$ 33 mil sem garantia para o caso de liquidação desse banco.

Quanto tempo demoro para receber o dinheiro?

O FGC é bastante ágil em fazer os pagamentos. Mas tem sido comum que os depositários e investidores tenham que esperar alguns meses (de 3 a 9 meses) para receber o dinheiro. Mentone afirma que a liberação do dinheiro pelo fundo garantidor leva de três a dez dias.

A demora acontece por causa do tempo que os bancos (ou corretoras) demoram para enviar os dados para o FGC, diz o diretor do fundo.

Quando um banco quebra, primeiro ele enxuga seus gastos, demite funcionários e resolve algumas questões internas. Depois disso, com seus funcionários remanescentes, é que a instituição financeira começa a reunir as informações dos correntistas e investidores e somar os saldos aplicados em todos os produtos financeiros para enviar ao FGC.

Como a venda dos produtos financeiros via corretoras de valores é relativamente nova no Brasil, essas empresas não estavam habituadas com os procedimentos do FGC. Por isso, houve uma demora maior para a liberação do dinheiro nos últimos casos. A liquidação do BVA, em 2012, é um exemplo disso. Os clientes tiveram que esperar cerca de 5 meses para receber o dinheiro. “Esse caso acabou sendo um divisor de águas. Hoje, as corretoras já conhecem melhor os procedimentos”, diz Mentone.

As aplicações garantidas pelo FGC e como receber o dinheiro –> Exclusivo assinantes PRO
(por Olivia Alonso)

Governo pretende tributar LCI e LCA. Ainda vale a pena investir nessas aplicações garantidas pelo FGC? –> Exclusivo assinantes PRO
(por Renato Breia)

 

Um abraço

 

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