Títulos prefixados: perguntas e respostas

Confira os esclarecimentos para as principais dúvidas de leitores sobre os papéis vendidos pelo Tesouro Direto

Títulos prefixados:  perguntas e respostas

Caro leitor,

Muita gente por aí gosta de dizer que o Tesouro Direto é um programa fácil de compreender, simples para operar e sem grandes riscos para investir. Essas pessoas estão parcialmente certas.

Por mais que a compra de títulos públicos por meio desse canal esteja disponível a todos e que a proposta seja a de popularizá-la cada vez mais, é preciso entender seu funcionamento antes de investir. Não dá para sair por aí comprando Tesouro Selic, Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+ sem conhecer a forma de remuneração, os riscos implícitos e as indicações de público de cada título.

Não adianta se apressar, porque a insegurança vai bater.

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Isso ficou muito claro para mim nas últimas duas semanas. Desde que escrevi a newsletter A taxa Selic deve cair. E o kiko?, recebi dezenas de e-mails com dúvidas iniciantes e avançadas sobre o Tesouro Direto. Ainda sinto muito receio dos investidores, por isso decidi aproveitar para esclarecer algumas dúvidas hoje.

Como o tema é complexo e ainda gera muitos questionamentos, vamos abordá-lo também no próximo relatório Você Investidor. Não perca!

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Li seu artigo sobre a queda da taxa Selic e com isso umas dúvidas (bobas) surgiram. Acompanho a série Criando Riqueza há um tempo e um dos conselhos que sigo é o da criação do “colchão de liquidez”. Comecei a guardar meu dinheiro no Tesouro Selic para tal fim e depois de um tempo atingi o valor que estabeleci para isso e comecei a investir em outros ativos. Bom, de alguma forma me acomodei com esse dinheiro guardado no Tesouro Selic por causa dos bons retornos.

Minha dúvida é se, com a queda da Selic, ainda devo manter meu “colchão de liquidez” nesse ativo ou posso procurar outros lugares para investir o dinheiro para mantê-lo.
Lucas S.

A finalidade do colchão de liquidez é justamente ser uma aplicação mais conservadora, com baixa volatilidade, voltada para a proteção do patrimônio. É um recurso a ser usado em caso de emergência. Todos os títulos públicos disponíveis no Tesouro Direto têm liquidez diária, porém, o Tesouro Selic é o mais recomendado nesse caso, por causa da baixa oscilação de preços, o que faz você evitar perdas se decidir vender o título antes da data do vencimento. Ele também é indicado para o investidor que não sabe exatamente quando precisará resgatar seu investimento. A sugestão de nossa equipe é diversificar seu patrimônio, mas manter no mínimo seis meses de seus gastos totais mensais aplicados no Tesouro Selic. Além disso, mesmo com a queda esperada da Selic, acreditamos que, por um bom tempo, os títulos públicos seguirão mais atrativos do que a poupança, outra aplicação ainda hoje bastante procurada pela liquidez.

Comprei um título prefixado 2019 com taxa de 12,09 por cento. Se, por exemplo, a taxa desse título cair nos próximos meses para 11,50 por cento, posso vendê-lo que terei um lucro líquido certo?
Renato H.

Sim, Renato, se a taxa cair, o preço do seu papel prefixado vai aumentar. Mas não se esqueça dos custos envolvidos e dos impostos, os mesmos que incidem sobre as operações de renda fixa. Há cobrança de Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) para resgates da aplicação em menos de 30 dias, e do Imposto de Renda (IR), que segue alíquota regressiva a depender do prazo do investimento (vai de 22,5 por cento a 15 por cento). Ambos os impostos incidem apenas sobre os rendimentos.

Estou para receber umas comissões e quero aplicar em renda fixa. Se eu o fizer no juro prefixado e os juros no futuro vierem a cair, a porcentagem sobre meu investimento irá diminuir também? Mesmo sendo um prefixado? Ou, então, não seria o momento de investir nesse tipo de ativo?
Giancarlo C.

Não, se você carregar os papéis até o prazo final (vencimento), seu retorno estará garantido, Giancarlo. Mas se você decidir vender os títulos antes desse prazo, seu rendimento poderá ser maior ou menor.

Gostaria de saber se com a venda de um título prefixado que foi comprado com uma taxa de juros baixa e vendido em uma época com taxa de juros alta, já com Imposto de Renda de 17,5 por cento, pode ser lucrativo comprar novos títulos com as novas taxas de juros altas?
Antonio D.

Toda vez que as taxas de juros, também chamadas de prêmios, dos títulos públicos aumentam, seu preço cai. Há uma relação inversa entre eles. Se você vender, portanto, seu título prefixado a uma taxa mais alta do que a da data da compra, você receberá um valor menor pelo papel nessa venda antecipada, ou seja, terá prejuízo. Só essa informação já é suficiente para você pensar duas vezes antes de vender o título e reinvestir o dinheiro no Tesouro Direto.

Lendo seu texto sobre a projeção de queda da Selic fiquei na dúvida sobre em que momento posso pensar em vender meus títulos públicos (IPCA+ 2019 e 2035) e obter um lucro superior àquele esperado no vencimento dos papéis. Eu não entendo muito bem como meus papéis podem valorizar e me oferecer um melhor retorno com a venda. Poderia me ajudar?
Bruno G.

Caro Bruno, a resposta dada ao Antonio vai na mesma linha da sua dúvida. Embora o Tesouro Direto seja um tipo de investimento de renda fixa, os preços e as taxas dos títulos variam ao longo do tempo conforme as condições do mercado e as expectativas quanto ao comportamento das taxas de juros. Vamos pegar o exemplo dado pelo próprio Tesouro Direto.

Se você comprasse uma unidade do título Tesouro Prefixado 2016 (LTN) em 26/06/2012, a uma taxa de juros de 9,15 por cento ao ano, teria de pagar 735,29 reais. Essa taxa e esse valor de compra garantiriam um montante de 1.000 reais no vencimento da aplicação – valor final predeterminado para cada unidade desse tipo de título. Se os juros aumentassem ao longo do período, o preço inicial de partida do título teria de ser menor, para que se chegasse ao mesmo montante final de 1.000 reais ao fim da aplicação.

Dessa forma, você terá um lucro superior ao esperado no vencimento dos seus papéis indexados à inflação se as taxas de mercado estiverem menores que as da data da aquisição.

Foi dito [na newsletter] que, com a queda da Selic, o melhor seria investir nos títulos prefixados, mas mesmo assim eles devem representar 10 por cento da carteira. Entendi errado? Se for isso mesmo, a continuar com a taxa em queda, não perderia dinheiro comprando título indexados pelo IPCA?
Ticiana B.

Cara Ticiana, se as taxas caírem, você poderá ter um ganho de capital ao vender antecipadamente tanto os títulos prefixados quanto os atrelados à inflação. Apesar de haver oportunidades nos títulos prefixados, a preferência continua a recair sobre os indexados ao IPCA por causa de seu menor risco. Quando você investe em um papel Tesouro IPCA+, você trava um juro e garante a reposição da inflação. Se você levar o papel até o vencimento, tem a certeza de que ganhará dinheiro. No caso dos papéis prefixados, você precisa considerar a inflação como parte de seu retorno. Se ela aumentar até o vencimento – o que não é o cenário nesse momento –, a fatia referente ao seu lucro será menor.

Como saberei quanto ganharei líquido se a Selic, hoje a 14,25 por cento, cair para 12,75 por cento, considerando o Tesouro Direto IPCA+ 2019 (NTNB Principal) com vencimento em 15/05/19, taxa de 6,31 por cento ao ano e aplicação de 10 mil reais?
Sérgio F.

Caro Sérgio, se você não revender seus papéis antecipadamente, ou seja, aguardar o vencimento em 15 de maio de 2019, seu rendimento seguirá o de 6,31 por cento ao ano corrigido pela inflação. Nada vai mudar. Mas os preços dos papéis são reajustados diariamente, o que quer dizer que, se vender os títulos antes do vencimento, você terá de olhar os preços de mercado e calcular seu retorno. Se de fato a taxa de juros cair, os preços serão corrigidos para cima, e pode ser que eles tenham valores maiores do que quando você os comprou. Vale fazer simulações de retorno utilizando a calculadora disponível no site do Tesouro Direto.

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Tenho uma grande exposição da minha PJ desde ano passado em NTNB 50. Com essa nova tendência, devo repensar a aplicação?
Paulo

Antes de qualquer decisão, é preciso analisar o retorno que você conseguiu na data de compra de sua NTN-B e comparar com as taxas dos mesmos títulos hoje. É preciso fazer conta para ver se vale a pena repensar sua aplicação e, ao mesmo tempo, analisar onde você investiria o dinheiro se optasse pelo resgate antecipado. De toda forma, como a perspectiva é de queda da taxa Selic, se você não precisar do dinheiro, recomendamos manter o papel, pois a tendência é de valorização de seu preço. Dentro da alocação de renda fixa da Carteira Empiricus, uma fatia de 20 por cento está dedicada ao Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2050 (NTN-B).

Comprei títulos do Tesouro IPCA+ 2019, em 20/06 seguindo recomendação da Empiricus e eles renderam, até agora, menos de meio por cento. Já os títulos IPCA+ 2024 renderam muito mais. O que houve? Devo vender o IPCA+ 2019 e aplicar em outro investimento?
João I.

Prezado João, o primeiro ponto que você precisa ter em mente é que, no momento de seu investimento, você foi informado do retorno que teria se mantivesse o papel até a data de vencimento. Se sua intenção for carregar o título até 2019, não precisa se preocupar com as oscilações diárias, pois seu rendimento está garantido, com uma taxa travada. De fato, a taxa de compra do Tesouro IPCA+ 2019 passou de 6,10 por cento, no dia 20 de junho, para 6,15 por cento, em 5 de agosto, enquanto a taxa do Tesouro IPCA+ 2024 caiu de 6,09 por cento para 5,87 por cento. Como o próprio Tesouro alerta, papéis de prazos de vencimento mais curtos têm menor volatilidade de preço, o que pode ser benéfico quando as taxas sobem, porém, prejudicial quando as taxas sofrem um ajuste para baixo. Se você não precisa do dinheiro, não há razões para vender seus papéis agora. O ideal é se concentrar no retorno que virá até o vencimento.

Tenho um bom dinheiro aplicado na NTNB (IPCA+) que, na adesão, há um ano, travou uma taxa de juros de 6,56 por cento. Esse papel não está sendo oferecido atualmente. Pretendo manter esse dinheiro, visando uma complementação para a minha aposentadoria. Pelos meus cálculos, este mês de julho faz um ano da compra e, com a taxa de inflação anual acumulada de 9,32 por cento, deverá fechar o período em 15,38 por cento, bruto. O meu medo é: por que o governo parou de oferecer esse título?
Herberth R.

A renovação dos papéis é normal, Herberth. Todo ano, o Tesouro Direto atualiza o rol de títulos públicos para garantir que os prazos de vencimento dos papéis ofertados sejam sempre superiores a dois anos. O objetivo é permitir a incidência da menor alíquota do Imposto de Renda (15 por cento para prazos a partir de dois anos) no vencimento dos títulos. Essa atualização, contudo, não afeta sua vida, porque você poderá revender seus papéis antecipadamente ou carregá-los até o vencimento.

Continua com dúvidas? Envie-as para o e-mail beatriz.cutait@empiricus.com.br. E acompanhe a edição de setembro do relatório Você Investidor, pois estou preparando um material mais completo.

Um abraço,

Beatriz

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