Um investimento para a vida toda

O que você precisa saber no caminho para se tornar um investidor

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Um investimento para a vida toda

Você viu o filme “O Lobo de Wall Street”? Drogas, orgias, ritmo alucinante de trabalho, números e mais números. Tudo isso se misturando no universo da bolsa de valores.

Com referências assim, natural as pessoas desenvolverem aversões ao mercado de ações.

Estava conversando esses dias com a Camila sobre isso. Notamos que muitos de nossos leitores têm medo deste mercado, ou acham que o assunto está tão distante de suas realidades que jamais terão interesse em saber mais sobre isso.

Algumas pessoas vão, mesmo, passar a vida inteira sem experimentar o mercado de ações. Uns vão preferir investir no setor imobiliário, comprando terrenos e construindo casas para vender, por exemplo.

Outros vão preferir empreender.

Mas se o seu caso não é nenhum desses dois que acabei de citar, pode acreditar que o mercado de ações deverá fazer parte da sua realidade, sim.

Digo isso também para quem está atualmente em uma situação financeira apertada.

Em um primeiro momento, será preciso fazer esforços para aumentar as fontes de renda – e, ao mesmo tempo, esforços para reduzir os gastos.

Ontem um leitor me escreveu o seguinte:”Já faz cinco anos ou mais que coloco os meus gastos em uma planilha e minha vida não melhorou nada. Não adianta me falar também pra cortar gastos, porque não janto fora, não vou ao cinema, não peço pizza, não viajo e as minhas finanças não mudam nada.”

Então somos loucos de falar de investimentos para quem não consegue reduzir os gastos para sair do vermelho?

Na verdade, estamos trilhando um caminho aqui no Criando Riqueza.

Nada melhor do que uma boa meta positiva para que os esforços presentes fiquem mais leves.

Ao leitor acima, minha sugestão é ler nossos textos sobre dívidas e renda extra. Veja só: o Mark Ford, que escreve semanalmente para o Criando Riqueza, ensina os participantes de seu clube a criarem sete fontes de renda. Você não leu errado: são 7 fontes de renda.

Isso é um ideal – e pode estar um pouco distante -, preciso admitir. Mas custa tentar começar uma segunda fonte de renda? Custa tentar começar a cuidar um pouco melhor de seu dinheiro?

De nada adianta fazer esforços para elevar as fontes de renda, e nunca se tornar um investidor.

Você vai acordar uma hora antes todos os dias para planejar um projeto de renda extra. Vai se levantar, passar um café e se concentrar em algo que você tenha habilidades para fazer. Vai estudar para isso. Vai buscar informações na internet. Vai se informar sobre o negócio e sobre o mercado. No fim de semana, você vai dedicar metade de cada dia a esse projeto. Tudo isso além do horário de seu emprego atual. Ao mesmo tempo, você vai tomar algumas medidas mais drásticas para reduzir despesas. De nada adianta cortar o cafezinho e continuar pagando um aluguel altíssimo.

Até agora, o que listei acima foram atitudes para um resultado final muito positivo. Embora tenham um propósito bom – o que por si só tende a tornar as ações mais interessantes – não deixam de ser esforços… Agora, de que adianta fazer tudo isso para se livrar de suas dívidas e, ao quitá-las, tomar um novo empréstimo pessoal no banco?

Uma conhecida que já trabalhou com conciliação de dívidas estava me contando outro dia o quanto os bancos são eficientes em tentar manter os clientes sempre dependentes de seu crédito, sempre endividados.

Quando quitar as suas dívidas, você precisa se tornar um investidor.

“Ah, mas falando assim parece fácil”, você pode estar pensando.

Nós sabemos que não é fácil…Ficamos comovidos nessa semana com um outro e-mail, de uma leitora aposentada. Ela tem 67 anos e vive de forma modesta. Assim, consegue guardar dinheiro. Mas o filho usa as economias da mãe. Ela queria fazer um bom investimento com o valor que tem guardado, mas não faz por causa de seu filho, que não ganha dinheiro.

Com o dinheiro que ela já possui, seria possível fazer uma boa alocação do ativos para essa leitora.

  • Primeiro ela formaria seu colchão de liquidez. Isto é: teria o valor equivalente a seis meses (ou até 12 meses) dos seus gastos mensais atuais em aplicações que podem ser resgatadas a qualquer momento. Ou seja, aplicações com liquidez. Esse dinheiro serviria como uma reserva para emergências.
  • Entre as sugestões de nossa equipe para este fim estão o título Tesouro Selic, o CDB do banco (desde que tenha liquidez – é preciso garantir isso com o gerente na hora de aplicar), ou mesmo um fundo DI.
  • Com outra parte do dinheiro, ela poderia investir um pouco mais em renda fixa, como em outros tipos de títulos do Tesouro Direto: IPCA+ e Prefixado (como já explicamos anteriormente, é importante que o investimento nesses títulos seja levado até o vencimento, ou perto dele).
  • Apenas para reforçar: a maior parte do dinheiro sugerimos colocar em renda fixa, nos títulos do Tesouro Direto.
  • Uma parte menor – cerca de 10% – ela poderia colocar ações. É isso mesmo: ela poderia muito bem ser uma investidora em ações com uma pequena parte do dinheiro – mesmo sendo uma senhora de 67 anos. Quantos anos ela ainda irá viver? Mais 20, 30, talvez?

Ela também pode deixar as ações para seus netos…

Eu sinto um certo incômodo ao escrever “ações para uma vida inteira”, não sei se você também pensa dessa forma. Se vou comprar ações, quero sentir na minha pele o prazer de vendê-las a um preço bem mais alto do que aquele que paguei.

Mas convidei para falar sobre esse assunto quem mais defende a ideia de uma “ação para a vida toda”, ou mesmo “uma ação para deixar para as próximas gerações”: Bruce Barbosa. Ele é analista da Empiricus e responsável pela série “Barganhas da Bolsa” – e está fazendo uma participação especial no CriandoRiqueza e escreve o nosso Relatório Mensal número VII.

 

Por que existe a bolsa de valores?

Para explicar a principal razão da existência da bolsa de valores, vou usar o exemplo da Sabesp, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo.

Esse assunto poderá gerar polêmicas… Mas gosto deste exemplo mesmo assim, pois é um exemplo próximo, envolve nossa necessidade de água.

Nos últimos anos, estudei um pouco sobre a crise hídrica de São Paulo. Aprendi com especialistas do setor que a redução de pressão nos canais de distribuição de água na capital paulista prejudica principalmente as pessoas que moram nas áreas mais periféricas.

Foi com a redução de pressão que a empresa evitou um desgaste maior com sua clientela que vive nas regiões mais ricas da cidade. Mas não estou aqui para discutir estratégias políticas.

Um dos maiores questionamentos que ouvi em eventos do setor hídrico tinha relação justamente com a bolsa de valores: ”Por que a Sabesp tem capital aberto?”

“A empresa fica pagando dividendos aos acionistas com o dinheiro que poderia estar investindo em abastecimento de água”, muita gente dizia.

A discussão sobre qual o melhor modelo institucional para a Sabesp é longa, mas o que eu gostaria de dizer é que a participação no mercado de ações facilitou a vida da Sabesp nos momentos em que a empresa precisou se capitalizar.

Em outras palavras, ao comprar uma ação da empresa, o acionista permite que a companhia tenha mais dinheiro para investir.

Ao se organizar para se enquadrar nas regras do mercado, a Sabesp passou a cumprir critérios necessários para acessar recursos também fora da bolsa de valores e também fora do Brasil.

Podemos dizer que ao comprar uma ação, o investidor passa a ser sócio da empresa. Poderá ser sócio por um período curo de tempo: dias, semanas ou meses. Mas poderá ser sócio por décadas.

Hoje, os donos da Sabesp são o governo do Estado de São Paulo, com 50,3% do capital da empresa, e os detentores das ações da companhia, tanto na bolsa de valores brasileira, a BM&FBovespa, como na bolsa de Nova York, a Nyse.

 

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