Nubank vale a pena?

Cartão de crédito não tem anuidade, mas também não acumula milhas

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Nubank vale a pena?

Caro leitor,

Há alguns meses o leitor Rafael T. enviou um e-mail perguntando nossa opinião sobre um convite que havia recebido:

“Bom dia! Primeiramente parabéns pelo curso Investimentos para Leigos!

Apesar de sair um pouco fora do assunto investimentos, acredito que minha dúvida é importante para as finanças pessoais. Recebi um convite do cartão de crédito Nubank e gostaria de saber a opinião de vocês sobre ele.

Já agradeço!”

Eu já tinha lido diversas matérias sobre o cartão Nubank, mas ainda não tinha uma opinião formada.

Fiz, então, meu cadastro, pedi um cartão e testei durante as últimas semanas. A Bruna Bessi, que trabalha aqui na equipe do Criando Riqueza, ligou para a empresa Nubank para tirar algumas dúvidas. Hoje vamos resumir nossas impressões e dizer para quem achamos que o cartão vale a pena.

Experiência

Na manhã do dia 5 de dezembro, baixei o aplicativo no meu celular e fiz um cadastro. Foi preciso incluir CPF e mais alguns dados pessoais, pela internet mesmo. No dia seguinte, recebi um e-mail informando que a Nubank estava fazendo minha análise de crédito.

Algumas horas depois, recebi outro e-mail dizendo que havia sido convidada a experimentar o cartão e que, para isso, teria que preencher um cadastro. Completei as informações pedidas, incluindo uma selfie e fotos (tiradas do próprio celular) da frente e do verso de um documento de identidade (no caso, meu RG). Um dia depois, recebi outro e-mail informando que meu cartão já estava sendo produzido e com o contrato anexo.

Contando assim, parece o início daquelas histórias que começam bem e depois viram tragédia. Mas não. O cartão chegou em dez dias, com limite de R$ 7,4 mil, e, alguns dias depois, fiz a ativação pelo aplicativo. Em 23 de dezembro, paguei minha primeira compra com o Nubank. Usei mais algumas vezes nas últimas semanas e testei também no exterior.

Minhas impressões

Operacionalmente, correu tudo bem e minha impressão é positiva. Não tive nenhum problema com o aplicativo, que é bem fácil de mexer e mostra as informações das compras de maneira clara.

Só observei que minhas compras feitas na África do Sul apareceram como se tivessem sido feitos em dólares americano. No entanto, apenas o símbolo monetário (US$) estava errado, mas os valores foram convertidos para reais de maneira certa.

  • Os principal ponto positivo, sem dúvidas, é a inexistência de anuidade.

Muitos leitores comentam que antes conseguiam isenção do pagamento em seus cartões de bancos, mas que isso tem sido cada vez mais difícil.

  • Em segundo lugar, é possível somar pontos para o programa Mastercard Surpreenda, pois os cartões Nubank são Mastercard Platinum (internacionais).
  • Por outro lado, o principal ponto negativo do Nubank é a ausência de parcerias com programas de milhagens e de um programa próprio.

O Nubank tem juros menores do que os cobrados usualmente por outras instituições para quem não paga o valor total da fatura. Isso é um ponto positivo, mas preciso reforçar aqui que nossa sugestão é pagar sempre o total da fatura (se não puder pagar, não compre).

Para quem o Nubank pode ser útil

Quem trabalha como autônomo e não tem um salário fixo, ou tem dificuldade de obter um bom limite no cartão de crédito do banco, pode recorrer ao Nubank.

O Nubank também pode ser uma boa para quem paga anuidade no cartão, mas não tem um bom controle de suas milhas acumuladas, ou não aproveita os benefícios deste cartão.

Para quem quer simplificar um pouco suas contas e suas papeladas – e confia em aplicativos de celular – o Nubank pode ajudar, inclusive no controle financeiro.

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Fila de espera

(Por Bruna Bessi)

A Nubank, startup lançada no Brasil em setembro de 2014,  conta atualmente com mais de 300 mil pessoas na lista de espera.

Criada pelo colombiano David Vélez, a iniciativa segue um modelo diferente de negócio:é uma empresa de pagamentos, mas não possui agências físicas como uma instituição financeira tradicional.

Todos os processos são realizados pela internet, inclusive o atendimento aos usuários, que funciona bem. Isso reduz os custos da empresa e, enquanto os bancos embolsam em torno de 415,32% de juros ao ano no cartão de crédito, a Nubank cobra cerca de 144,9% ao ano (ou 7,75% ao mês).

Embora a Olivia tenha recebido o cartão em pouco tempo, o processo de análise do cliente pode demorar até três meses e o crédito oferecido varia de R$ 500 a R$ 20 mil.

Conversei com Cristina Junqueira, cofundadora e vice-presidente de operações da empresa, que me contou que a startup já recebeu aportes superiores a US$ 46 milhões de grandes investidores, como Sequoia Capital, Kaszek Ventures e do bilionário empreendedor Nicolas Berggruen. E não para de crescer.

Hoje, a maioria dos clientes tem menos de 35 anos, e Cristina acredita ser o sistema virtual da plataforma o grande responsável por essa captação.

“Oferecemos um produto 100% digital e usamos uma linguagem voltada ao público jovem. Além disso, as pessoas dessa faixa etária buscam soluções digitais para gerirem seus gastos e apreciam a simplicidade do nosso produto”, afirma.

O analista Renato Santos, com quem conversei sobre o assunto, é um exemplo. Ele tem 25 anos e conheceu o Nubank por meio de um podcast de tecnologia. Logo fez o pedido do crédito e, assim que recebeu o cartão, ficou surpreso com a funcionalidade do sistema.

“A plataforma tem fácil utilização e me permite resolver tudo o que preciso pelo aplicativo. É muito prático e não sinto qualquer falta da fatura impressa”, diz o analista. Ele vê como vantagem do sistema Nubank a possibilidade de gerencioar os gastos pelo próprio aplicativo. “Gosto principalmente da opção de editar o nome do estabelecimento, pois muitas vezes o nome comercial que vem na fatura não tem relação com o fantasia. Além disso, consigo visualizar o local da loja e isso me ajuda a lembrar da compra”, diz.

A falta de um serviço que permita trocar os pontos por milhas ou produtos é também a principal queixa dele. “Apenas por isso é que não uso o Nubank como cartão principal.”


O conteúdo exclusivo de assinantes desta semana foi escrito pela nossa analista de renda fixa, Marília Fontes. Ela orienta os assinantes sobre os novos títulos do Tesouro Direto que passarão a estar disponíveis na semana que vem.

Como os analistas da Empiricus sempre dizem, o Tesouro Direto é um ótimo substituto para a poupança. É uma aplicação que sugerimos aos nossos leitores principalmente ser segura e pagar um ótimo retorno.

Caso tenha interesse em saber mais, leia nosso relatório sobre Tesouro Direto.

Um abraço,

Olivia Alonso

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