Você é o que você investe (ou o que não investe)

Que tal analisar sua vida financeira com uma lupa e “descobrir" onde está seu dinheiro? Quatro perguntas podem servir como o 1º passo

Compartilhe:
Enviar link para o meu e-mail
Você é o que você investe (ou o que não investe)

Antes da febre atual dos programas culinários (por favor, parem de achar que estão “revolucionando” a maneira de se cozinhar!), existia um programa em um canal da TV a cabo que sempre interrompia a movimentação do meu dedo nervoso no controle.

“You are what you eat”, ou “Você é o que você come”, na versão transmitida aqui no Brasil.

Nele, Gillian McKeith, uma nutricionista escocesa de personalidade, praticamente esfregava na cara de pessoas nada saudáveis o quanto elas comiam mal e os reflexos de seus maus hábitos em suas vidas.

Tinha um pouco de tudo. Havia uma jovem viciada em hambúrgueres (comia três  por dia); a noiva que devorava queijos e queria emagrecer para o casamento; o participante que estava próximo de um transplante de fígado de tanto que bebia e comia; e o pastor que passava mais tempo comendo do que rezando.

Por vezes, eram famílias inteiras se alimentando mal e caminhando juntas para um destino sem solução, até a intervenção milagrosa da enérgica nutricionista.

Dentre as maneiras utilizadas por Gillian para escancarar o problema, uma em especial chamava minha atenção. Ela colocava em uma mesa tudo que a pessoa, ou a família em questão, comia durante uma semana. E o resultado era assustador!

Toneladas de alimentos gordurosos, industrializados, absolutamente artificiais ficavam à vista da vítima que, invariavelmente, caía no choro compulsivo por finalmente se dar conta do que estava fazendo consigo mesma.

Era realmente chocante, a ponto de, toda vez que eu terminava de assistir ao programa, ficar com um nó no estômago e, obrigatoriamente, comer de maneira saudável pelo menos na refeição seguinte.

Lembrando esses dias daqueles infelizes episódios e da situação catastrófica dos participantes, automaticamente transpus a situação para o meu universo: o dos investimentos.

Por que as pessoas relutam tanto em saber como investem mal?

Estava em um bar com uns amigos recentemente e um deles comentou que estava satisfeito com suas aplicações, que seu gerente havia sugerido bons fundos e que o dinheiro não estava na poupança. Ponto para ele!

Mas, por acaso, meu amigo conhecia o retorno dos fundos em que havia colocado seu dinheiro? Não! Ele sequer me contou quais eram as categorias daqueles fundos — se de renda fixa, variável ou multimercado. A maior parte de seu dinheiro pode estar na Bolsa sem ele ter a menor ciência disso, inclusive com a possibilidade de ainda se considerar um cara conservador.

Alertei que era importante acompanhar o desempenho dos fundos e as taxas cobradas, e ele disse que daria uma olhada. Nem preciso dizer que não acreditei, né?

Vira e mexe, alguém próximo me pede opiniões sobre sua carteira de investimentos. Naturalmente, não dou uma resposta imediata, afinal, precisamos conversar mais para eu entender como ajudar. Isso significa saber pelo menos quanto a pessoa já tem investido, quais são seus objetivos de investimento, qual o risco que se dispõe a correr, entre tantas outras informações.

Pergunte se algum dos meus amigos me procura novamente quando peço informações adicionais para efetivamente ajudar? Lógico que não!

No fundo, poucos são aqueles que estão preparados para sair da inércia, e as desculpas para não se mexer passam pelo desconhecimento, pela insegurança, pela dificuldade de se organizar financeiramente e por tudo mais que estiver disponível.

Quase ninguém quer olhar a fundo o quão mal investe, o quão despreparado está para seu futuro. Parece que o futuro vai chegar para todos, menos para nós mesmos…

Está gostando desse artigo?Insira seu e-mail e comece já a receber nossos conteúdos gratuitos

Espelho do bolso

Por isso, se você não fizer uma primeira análise e enfrentar a questão (que não necessariamente será um problema), desculpe a franqueza, mas não ocorrerá um milagre. Vai ser quase missão impossível correr atrás do patrimônio perdido justamente quando você estiver sem gerar nenhuma renda.

Por isso, responda com franqueza às seguintes 4 questões, e as encare como um ponto de partida:

– Você tem algum dinheiro guardado? Onde ele está investido? (Procure saber!)

– Considerando que o seu capital esteja aplicado, qual foi o retorno do seu investimento nos últimos cinco anos (pelo menos)?

– Você tem alguma reserva de emergência caso precise resgatar o dinheiro de uma hora para a outra? Essa reserva oferece a possibilidade de resgate dos recursos em um só dia?

– Qual é o seu objetivo com suas aplicações financeiras?

Para facilitar a sua análise, confira como foi o desempenho do CDI e do Ibovespa, principais referenciais da renda fixa e da renda variável, nos últimos dez anos. Suas aplicações renderam mais ou menos do que os respectivos indicadores ao longo do período?

*Até o dia 14.07.2017
Fonte: Bloomberg

A tarefa foi dada. Neste instante, cabe a você cumpri-la, parar de “mimimi” e agir pensando no agora e no amanhã.

Escreva para me contar o que aprendeu sobre a sua própria carteira. Espero que o resultado seja positivo!

Um abraço,

Beatriz

Conteúdo recomendado