Você não perguntou, mas vou falar mesmo assim

Antes de começar a investir, saiba o que NÃO fazer para evitar futuros prejuízos

Você não perguntou, mas vou falar mesmo assim

Segunda-feira, nove horas da manhã, aquela preguiça clássica de início de semana. Dou uma olhada na agenda (sim, sou daquelas ainda apegadas à agenda de papel) e me deparo com a seguinte mensagem:

“Eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas.”

A frase, atribuída ao filósofo chinês Confúcio, caiu como uma luva numa semana em que me vejo questionando com maior frequência o teor dos e-mails que tenho recebido.

Investidor ou robô?

Cada vez mais, noto uma ganância pra lá de exagerada da parte de muitas pessoas que nunca investiram e que não têm ideia de por onde começar, mas que estão certas de que a Empiricus vai dar a receita exata para dobrar, triplicar ou quadruplicar o pouco dinheiro disponível para investir.

São potenciais investidores que seguem na poupança e acreditam que o risco de se destinar o dinheiro para o Tesouro Direto é muito maior. São pessoas que nunca aplicaram no mercado de ações por enxergarem a Bolsa como um cassino, mas que me perguntam como fazer para negociar no mercado de opções. Estou falando de gente que viveu de perto alguns casos emblemáticos de quebras de bancos, mas que compram CDBs, LCIs e LCAs de olho exclusivamente na taxa de retorno prometida.

Estou me referindo a pessoas que, sejamos sinceros, não querem aprender como o mercado funciona, que não fazem nenhuma pergunta séria. São pessoas que apenas aguardam instruções de como e onde investir, não importando exatamente onde.

 

Reconheço de cara o estilo de e-mail enviado por esse tipo de leitor.

O primeiro parágrafo é dedicado a elogiar o meu trabalho. O segundo, para contar sua singela história pessoal. E o terceiro e derradeiro parágrafo é voltado à previsível pergunta: “Beatriz, diante de todo esse cenário, no que devo investir? Tem alguma dica quente?”.

Acredite, adoro quando me escrevem para tirar dúvidas e honestamente não me incomodo em receber os mais divertidos e criativos pedidos para transmitir quase que de maneira secreta nossas recomendações de investimento.

Mas não quero que você seja só um zumbi seguindo nossas indicações. É imprescindível fazer algumas perguntas antes de adentrar o mercado financeiro…

Então, hoje decidi ser pragmática.

Mesmo sem sua pergunta, quero te dar algumas respostas com foco no que NÃO fazer.

Não espere multiplicar seu dinheiro em apenas um mês. Não há milagre para entregar retorno em tão pouco tempo e, em grande parte dos casos, você terá o “pedágio” do IOF se resgatar os recursos antes de 30 dias;

Não acredite que a poupança é a aplicação mais segura e rentável para o curto prazo. O Tesouro Selic está aí para provar o contrário;

Não comece a investir na Bolsa com pouco dinheiro. Taxas de custódia e corretagem podem corroer o seu retorno;

Não queira dar o primeiro passo no Tesouro Direto começando pelo mercado secundário de títulos públicos. Melhor arcar com a taxa de custódia de 0,30 por cento ao ano e poder iniciar a aplicação com valores bem residuais, a partir de 30 reais;

Não caia na armadilha de observar o retorno apenas de curto prazo de um fundo para investir nele. Observe um horizonte maior de tempo, a partir de cinco anos, e analise o que compõe a carteira do fundo e o risco ao qual você ficará exposto.

Não escolha uma corretora só pela isenção de taxas. Uma oferta fraca de produtos (muitas vezes de um único emissor), um home broker instável e um atendimento ruim podem custar caro no dia a dia.

Não compre uma debênture se precisar do dinheiro no curto prazo. A falta de liquidez poderá inviabilizar a venda antecipada do papel ou poderá levar você a aceitar um preço muito abaixo do justo.

Não conte apenas com a garantia do FGC para comprar um CDB, uma LCI ou uma LCA. Analise o risco do banco emissor e as condições do título antes de investir.

Não invista se estiver endividado. De maneira geral, o custo dos empréstimos no Brasil tende a superar o retorno das aplicações financeiras. E nem pense em tentar ganhar mais comprometendo seu dinheiro em investimentos mais arriscados.

Não deixe de ter seguros na carteira. Câmbio, ouro, opções, seja o que for, proteja seu portfólio de um novo 18 de maio.

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Um abraço,

Beatriz

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