Extrato financeiro: sua poupança em janeiro

Depois da captação recorde de dezembro, a poupança em janeiro perdeu 5,2 bilhões de reais de patrimônio.

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Extrato financeiro: sua poupança em janeiro

Quando o Zafá faleceu, há um ano, fui encarregada de procurar alguns documentos necessários para resolver a burocracia financeira que se seguiu – não, nem os mortos se livram dela. Em meio à coleção de “Seleções”, a “O Grande Gatsby” com anotações no rodapé e aos livros de piadas, encontrei a caderneta de poupança da Caixa.

O plástico surrado da caderneta, guardei como uma lembrança do meu tio-avô, juntamente com uma das Tele Senas que ele e a Mena mandavam todos os anos com um desejo datilografado de feliz aniversário e todas as bênçãos do céu.

Dia desses, quando puxei “O Grande Gatsby” da estante, a caderneta caiu de lá de dentro. Ri sozinha. O Zafá acharia graça do meu memorial. Aos convites para passear no museu de antiguidades de Itaúna, ele respondia prontamente, com seu humor afiado: “Eu não. Tenho medo de me trancarem lá dentro”.

Será que o Zafá puxaria meu pé à noite se eu fizesse uma visita ao museu e deixasse sorrateiramente, em meio aos instrumentos usados pelos dentistas de antigamente (que não mudaram muito, diga-se de passagem) e ao presépio italiano movido à água, a caderneta de poupança surrada?

Acredito que meu tio-avô aceitaria de bom grado meu último sarro ao ver o retorno de sua tão estimada poupança em janeiro: 0,4%.

“Ô, Luciana, mas não rendia 0,5% mais TR todo mês?”, questionaria ele prontamente.

“Ih, Zafá, isso é da sua época”, responderia eu, provocando.

Ele daria uma gargalhada e uma tragada no cigarro. Em seguida, eu contaria que as coisas mudaram muito rápido: há exato um ano, em janeiro, a sua tão querida poupança tinha rendido muito mais, 0,67%.

Apaixonado por conhecimento que sempre foi, ele se ajeitaria na poltrona de camurça vinho, inclinando-se para me ouvir.

“Aí o juro básico brasileiro caiu” – seguiria, estimulada pela audiência – “e continua caindo.”

A chamada nova poupança, como uma função desse juro a partir de certo nível, foi encolhendo junto. A níveis tão baixos, a TR também zerou.

O Zafá daria outra tragada no cigarro, olharia para minha tia-avó e, convencido, reagiria com seu bordão: “Porcaria, Maria Amélia”.

Para meu alívio, depois da captação recorde de dezembro, a poupança perdeu 5,2 bilhões de reais de patrimônio em janeiro. Se uma parte desse dinheiro é sua, que bom que você se tocou. Parabéns!

Para minha tristeza, entretanto, os brasileiros ainda têm 722 bilhões de reais na caderneta, longe de ser o melhor investimento, mesmo para o dinheiro que não pode ser colocado em risco e precisa estar à mão a qualquer hora. Juro que tem uma alternativa melhor para o seu patrimônio. Segura, líquida, acessível e mais rentável, mesmo depois do imposto. Conto para você aqui.

 

 

Se você é um investidor de fundos de ações bem informado provavelmente já ouviu falar nas gestoras Alaska, Bogari, Constellation e HIX. São casas dedicadas à renda variável, com desempenhos notáveis no segmento.

Pois bem. As quatro devem ser apenas uma parte das gestoras de ações que vão lançar produtos de previdência em 2018. Isso significa que você pode ter uma seleção de ações altamente qualificada embalada em um VGBL ou PGBL.

O que explica o movimento em um segmento ainda tão dominado pela renda fixa? As circulares assinadas pela Susep, órgão que regula a previdência aberta, nos últimos dias de 2017. Lá estão regras há muito tempo esperadas pelo mercado.

Entre as novidades, a principal é a permissão para que se cobre taxa de performance na previdência. Até então, os gestores somente ganhavam com a taxa de administração – nada mal para quem cobra muito e não se preocupa em superar referenciais. Um bom gestor de ações, entretanto, é movido pela busca de bater o mercado. E é do nosso interesse – como investidores – que assim seja.

O gestor recebe a taxa de administração aconteça o que acontecer, o que poderia estimular uma acomodação. Já a taxa de performance é o bônus dele: para recebê-la, não basta ser mediano. Se o gestor me dá retorno extra, aceito deixar com ele um quinto desse adicional – considerando a taxa mais comum, de 20%.

Além desse estímulo, a possibilidade de ter a maior parte do fundo em ações vai animar este mercado. Hoje todos os fundos disponíveis no varejo obedecem às regras antigas, que limitam a 49% a fatia em Bolsa.

Agora com o detalhamento da Susep, entretanto, é possível colocar em prática uma resolução do Banco Central, de 2015, que permite aumentar para 70% a fatia em renda variável nos produtos oferecidos no varejo.

Novos produtos mais atraentes vão surgir. Estou de olho para mantê-lo informado (ou mantê-la informada).

 

Nunca te pedi nada

Ô da poupança, o que você está fazendo aí ainda? Conte pra mim no fundos@empiricus.com.br?

Já aprendeu há muito tempo que poupança não é uma boa? Quer assistir a um papo-cabeça sobre o que aconteceu nesta semana com suas ações? Então seu lugar é aqui.