S02E21 – De Volta Para o Futuro

Indo de encontro ao DNA da Empiricus, vou fazer, em primeira mão, todas as previsões certeiras e infalíveis para 2018. Confira aqui!

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S02E21 – De Volta Para o Futuro

Trilha da semana
Arcade Fire – Funeral

 

Quando recebi este espaço, em outubro do ano passado, me deram liberdade para escrever o que eu quisesse, da forma que eu quisesse. O único acordo tácito foi: respeite o DNA da Empiricus.

Se você não sabe, Empiricus vem de Sextus Empiricus, discípulo de Pirro, o primeiro filósofo cético – não creia em nada, duvide de tudo – todas as suas certezas estão erradas.

O ponto central da brincadeira é que não dá para representar o mundo por fórmulas matemáticas. A realidade é muito mais complexa do que sua planilha de Excel ou seus modelos estatísticos são capazes de sonhar.

“Há mais coisas entre a alta e a baixa do que sonha a sua vã metodologia.”

Por aqui, não se acredita muito nessa coisa de modelos complexos prevendo volume de vendas, nível de PIB, inflação e taxas de juros futuras – aquela coisa de “previsão para o ano que vem” não rola – é tabu! É tipo Voldemort, não pode falar o nome.

Em um ato de picardia de fim de ano (duvido que alguém vá ler isso aqui enquanto prepara as malas para Peruíbe), resolvi desafiar o sistema. Às favas com a linha editorial e o ceticismo de Pirro.

Vou fazer, aqui, em primeira mão, todas as previsões certeiras e infalíveis para 2018. Um compiladão bruto do DataMastro com tudo de bom e de ruim que nos espera no próximo ano.

Na pior das hipóteses, me mandam para casa e eu fundo a EconoMastro, a maior empresa de publicações financeiras presidida, administrada, gerida e controlada por um barbudo ruivo.

Prepare-se para as dicas mais quentes do verão!

Bolsa

A Bolsa vai subir, claro! Elegeremos um presidente reformista, a reforma da Previdência vai passar, Temer vai simplificar a estrutura tributária e Macri vai ficar com inveja do legado do vampiro/mordomo mais odiado do Brasil.

Bolsa 94.372 pontos em dezembro. Pode cravar.

A não ser, claro, que elejamos Lula. Ou Bolsonaro. Aí, periga a Bolsa não subir. Pode até cair.

E se estourar a boiada no S&P?

Eita, aí cai com gosto. Vai lá para 32.458 pontos – com desvio-padrão de mais ou menos 25%.

Juros

Selic fecha o ano em 6,25%. Não tem jeito. Bacen vai abrir os olhos, ver que essa inflação não volta nunca mais e vai descer o reio no corte dos juros. Se bobear, vamos até 6% – nunca antes na história “destepaiz”.

Ô coisa boa!

Sempre pode acontecer de o estresse lá de fora contaminar o mercado aqui dentro, não? Vai que o Cirão da Massa é eleito e acena com a privatização do Itaú e com um projeto para dobrar as agências dos Correios? Disparada do dólar? Reservas secando?

Vixe! Daí Ilan vai ter que chamar umas reuniões de emergência, dar um monte de Viagra para a Selic e fazer esse negócio subir com força.

Juros, então, a 12,384%? Isso, certeza!

Desvio-padrão de uns 100 bps.

Dólar

A Coreia do Norte vai explodir o Japão e um vídeo mostrando que o topete do Trump é falso vai vazar. Não tem jeito. Dólar vai para cima. 4,98 reais em 30 de dezembro. Pode anotar. É o fim do sonho da Disney. Orlando nunca mais.

Claro que, com o novo presidente do Fed falando que tem que ir devagar e com essa economia americana, que teima em crescer e gerar empregos mês a mês, pode ser que a coisa fique mais tranquila.

Ah, e se elegermos o tal do Huck, com Armínio assumindo a Fazenda? Dólar a 2,42. É isso. Não varia mais do que 2 reais para cima ou para baixo.

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Bitcoin (bônus)

Bitcoin vai bater 100 mil dólares. Isso, claro, se não descobrirem que foi tudo um grande truque, uma pirâmide criada por Nick Leeson, Bernie Madoff e Jordan Belfort. Todo o esquema vai ser desbaratado pelo Pedro Cerize, em uma revelação bombástica durante a celebração de mais um campeonato mundial de Iron Man.

Vai ser a redenção do Gritty Investor.

Ficou claro que não dá para confiar em previsões, né? Cada uma dessas coisas pode ou não acontecer (talvez a parte do topete do Trump seja um pouco exagerada) e os impactos sobre suas finanças serão os mais diversos possíveis.

Só para não dizer que não fiquei em cima do muro, como um velho e mofado Tucano, tem uma coisa que me permito prever, sem muito medo de errar.

Alexandre Schwartsman vai continuar esfolando Nelson Barbosa em praça pública. Isso porque a realidade, teimosa que é, não se curva à ideologia e às mentiras. O mundo é o que é – não liga muito para suas crenças políticas e/ou ideológicas.

Um grande abraço a todos e obrigado por fazerem de 2017 esse ano incrível que passou.

Um ótimo 2018 a todos nós.

Nos vemos do lado de lá!