Título do Tesouro é tudo a mesma coisa?

Você sabia que o rendimento das suas aplicações no Tesouro Direto pode variar de acordo com o tipo do título? Os títulos emitidos pelo governo são classificados em três: os prefixados, os indexados à inflação e os pós-fixados.

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Título do Tesouro é tudo a mesma coisa?

Tem investidor de renda fixa que acha que título público do Tesouro é tudo a mesma coisa. Basta escolher o que paga a maior taxa e carregá-lo até o vencimento.

Sinto informar que quem pensa assim está redondamente enganado(a).

O Tesouro Direto tem três tipos diferentes de títulos: os prefixados, os indexados à inflação e os pós-fixados.

Cada título se comporta de uma maneira diferente e terá uma boa rentabilidade em uma fase distinta do ciclo econômico e de juros.

Tem título que ganha mais quando os juros sobem; tem título que ganha mais quando os juros caem.

Além disso, mesmo conseguindo escolher o melhor tipo de título para o momento, há uma grande diferença entre os diferentes papéis no que se refere ao vencimento.

Títulos com vencimento no longo prazo se comportam de maneira totalmente diferente dos títulos de curto prazo. É possível que títulos curtos prefixados subam ao mesmo tempo que títulos longos prefixados caiam.

Pode até parecer loucura, mas é a mais pura realidade.

Ou seja, quando for investir em um título, você tem que pensar:

1. Qual dos três tipos disponíveis vou escolher? Prefixado, indexado ou pós-fixado?

2. E o prazo de vencimento? Longo, meio da curva ou curto prazo?

3. Por quanto tempo vou carregar meu título? Um ano, dois anos… até o vencimento?

Escolher a natureza correta com o prazo errado pode gerar prejuízos.

Podemos citar o exemplo de 2015, quando o Banco Central, comandado na época por Alexandre Tombini, levou a taxa Selic de 7,25 para 14,25% ao ano — as taxas de curto prazo prefixadas caíam, enquanto as longas não paravam de subir.

Fonte: Empiricus

Isso acontecia, pois o mercado acreditava que o BC estava forçando a barra, subindo os juros muito menos do que o necessário, e que tal conduta aumentaria o risco de inflação futura, fazendo com que ele tivesse que subir mais a Selic no longo prazo.

Logo, perdeu dinheiro quem comprou prefixados longos. E ganhou quem comprou prefixados curtos.

Escolher o prazo correto do título, mas errar no tipo dele, também pode acarretar prejuízos.

Veja o que aconteceu neste mês, por exemplo: enquanto a inclinação dos prefixados longos subiu 33 pontos-base (bps), a inclinação dos indexados longos caiu 9 pontos-base.

Fonte: Bloomberg

Ou seja, quem investiu em indexados ganhou, ao passo que quem investiu em prefixados perdeu.

Por último, é possível ganhar muito dinheiro acertando na natureza do título e no prazo (durante um tempo), mas perder toda a rentabilidade no ano seguinte.

Em 2012, quando o BC forçou os juros para baixo, as taxas das NTN-Bs longas apresentaram uma forte queda, valorizando seus PUs em 58%.

Mas como a queda da Selic não era sustentável e acelerava a inflação, o BC teve que subir tudo de novo depois, aumentando novamente as taxas e desvalorizando o título em 63%!

Ou seja, quem se manteve investido na NTN-B 2035 Principal durante 2012 e 2013 não ganhou absolutamente NADA! Em contrapartida, quem vendeu o título em 2012 colocou no bolso um rendimento de quase 60% no ano.

Isso tudo é para mostrar que há duas formas de investir em título públicos:

A primeira é comprar qualquer título, carregá-lo até o vencimento e ganhar a taxa acordada.

A segunda é fazer uma gestão ativa: escolher o título certo, com prazo certo, pelo período certo, e ter o potencial de ganhar retornos tão agressivos quanto se ganharia na Bolsa (58%), mas com renda fixa.

Para escolher o título correto, é preciso conhecer economia, entender o mercado e acompanhar os movimentos do Banco Central.

Quer ganhar muito mais do que está acostumado, fazendo uma gestão ativa de seus títulos?

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