S02E08 – Fever Pitch

Sem preconceitos e com pragmatismo, o que importa é encontrar boas oportunidades com perfil bem assimétrico de risco x retorno.

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S02E08 – Fever Pitch

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Pink Floyd – A Momentary Lapse Of Reason

 

Um time brasileiro se dá por satisfeito se conseguir ocupar 70 por cento de seu estádio durante a temporada. Já equipes como Borussia Dortmund, Bayern de Munique, Manchester United e Arsenal ocuparam mais de 99 por cento de seus estádios, em média, no ano passado.

Nos EUA, é a mesma coisa: a ocupação média de times como Green Bay Packers, Seattle Seahawks, New York Knicks e Chicago Bulls beira os 100 por cento. O Detroit Pistons, que tem a torcida menos assídua da NBA, registrou mais de 88 por cento na última temporada.

O Corinthians tem ocupação de 80 por cento no Brasileirão. Se incluirmos todos os campeonatos, a média de 2017 fica em 68 por cento – bem abaixo do que se espera de uma Fiel Torcida para um time com a campanha que tem feito, não?

Dentre os fatores que explicam por que o pessoal vai menos ao estádio por aqui (e mais por lá), acredito que o principal se deva à venda dos “season tickets” – é um direito vitalício que garante ao torcedor ingressos para a temporada toda do seu time do coração.

Se você quiser participar da brincadeira, tem que entrar na fila de espera e torcer para que alguém desista dos ingressos.

Quem não tem o carnê anual, tem que recorrer ao “mercado secundário” – comprar ingressos de algum “season holder” que não esteja interessado naquele jogo por algum motivo em particular.

Se o jogo for muito interessante, ou se o time estiver fazendo boa campanha, paga-se ágio. Se o time estiver mal, dá para comprar com desconto.

Um ingresso para um jogo dos Patriots, atual campeão do Super Bowl, não sai por menos de 250 dólares, por exemplo. No mercado primário, o valor de face é bem menor, coisa de 75 trumps.

Agora, se você quiser assistir a Jets x Dolphins em Nova York, vai pagar menos de 45 pratas – a lei de oferta e demanda é cruel com os times sem muita perspectiva e/ou tradição.

É curioso que cerca de 80 por cento de todos ingressos vendidos na NFL são “season tickets”. Na NBA, o número gira em torno de 70 por cento.

Boa parte do mercado secundário é movimentado por corretores de ingressos – pessoas que compram os “season tickets” e depois vão comercializando ao longo da temporada em busca de lucro. É o cambismo institucionalizado.

Acredite, tem gente que ganha muito dinheiro com isso.

Dentre as estratégias dos caras, a mais legal é comprar ingressos do “underdog” (azarão) e torcer para o time fazer uma campanha melhor do que a esperada – como o pacote para a temporada inclui os jogos dos playoffs, dá para ganhar uma grana “bruta” se acertar a mão.

Na maioria do tempo, o “especulador” sai no zero a zero ou perde um pouquinho de dinheiro ao longo da temporada. Mas, se uma das “apostas” se classificar para os playoffs, ele quebra a banca.

É muito provável que nosso amigo não tenha a menor ideia de quem seja Nassim Taleb, mas, mesmo sem saber, ele é um fiel discípulo do libanês mal-humorado mais famoso do mercado financeiro.

Taleb gosta bastante da ideia de comprar os “underdogs” e de passar boa parte do tempo perdendo pouco dinheiro, desde que, em determinadas condições, esse azarão o deixe rico.

Apostar centavos para ganhar dólares é seu mantra.

No mercado financeiro, em vez de comprar ingressos do New York Jets, você pode comprar uma ação de uma empresa quase quebrada ou uma opção muito fora do dinheiro, pela qual ninguém dá nada, ou quase nada.

Na maioria dos casos, você vai perder dinheiro – a empresa não vai conseguir se recuperar ou suas opções vão virar pó.

Mas, da mesma forma que um time pode encaixar e surpreender todo mundo (pergunte aos analistas esportivos o que achavam do Carille no começo do ano), o resultado daquela empresa enforcada pode surpreender e, de “patinho feio”, passar a ser a queridinha do mercado.

O próprio Taleb foi à forra na Black Monday de 1987 – e hoje não dá satisfações a ninguém exatamente porque alguns de seus underdogs se multiplicaram com o “crash” do mercado americano.

Tanto Taleb quanto os corretores de ingressos passam seus dias olhando para o mercado tentando encontrar assimetrias – onde é possível multiplicar meus ganhos com chances limitadas de perdas?

Quando você compra uma opção, o máximo que pode perder é o valor pago. Mas, se as coisas caminharem a seu favor e algum evento extremo acontecer, os ganhos serão literalmente ilimitados.

É pensando justamente nisso que criamos uma nova série aqui na Empiricus.

No Super Extreme Investment Ideas (SEII), a ideia é procurar em diferentes mercados (pode ser Brasil, EUA, Japão, Europa e até Venezuela) assimetrias para aumentar os ganhos.

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Sem preconceitos e com pragmatismo, o que importa é encontrar boas oportunidades com perfil bem assimétrico de risco x retorno.

Ainda não estamos olhando ingressos para jogos dos Lakers, mas confesso que cheguei a flertar com a ideia de recomendar a compra de bolsas de marca e outros artigos de luxo.

Afinal de contas, não adianta nada ser extremo só no nome.

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