SELIC na mínima histórica. E agora, renda fixa?

Mesmo com a Selic a 7%, ainda é possível render 20, 30 ou até 40% na renda fixa

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SELIC na mínima histórica. E agora, renda fixa?

Na quarta-feira (6) tivemos a última reunião do Copom do ano, quando a Selic chegou ao seu menor patamar histórico: 7% ao ano. E o Comitê ainda antecipou a possibilidade de mais uma queda de 25 pontos-base para a próxima reunião. Com isso, temos alta probabilidade de a Selic chegar a 6,75% no começo do ano que vem — ou até menos.

A outra ocasião em que tivemos uma Selic nesse nível foi durante a gestão de Alexandre Tombini no Banco Central. Sua equipe derrubou a taxa para 7,25%, sob muito protesto dos economistas de mercado, que alertavam diariamente sobre os riscos da inflação crescente.

Mas desta vez é diferente!

O mercado, se algo, está alertando o BC para uma inflação cada vez mais benigna e sinalizando que há espaço para uma queda ainda maior da taxa.

A diferença é que desta vez o BC seguiu o seu modelo de projeções à risca: esperou a inflação cair, as expectativas ficarem controladas, não se desesperou com a fraca atividade e trabalhou com a independência necessária do governo para focar apenas no controle da inflação.

Enquanto a consequência da forçada de mão do Tombini foi a taxa de juros ter que, logo depois, subir para 14,25%, o resultado do trabalho bem-feito comandado por Ilan Goldfajn é uma Selic que poderá ficar baixa por um longo período de tempo. Talvez até durante todo o ano de 2018.

Além disso, quando ela subir, poderá ir para patamares mais baixos do que a média anterior, ou seja, será mais fácil de o BC controlar inflações futuras.

E isso gera uma série de efeitos positivos para todo o resto da economia, incluindo alta da Bolsa, estímulo para a atividade, melhora da taxa de desemprego, aumento do poder de compra com melhora do consumo, aumento dos investimentos e queda dos spreads de crédito para as empresas.

“Mas isso significa que é o fim da renda fixa?”

De jeito nenhum!

Não acredite em absolutamente ninguém que diga isso. A renda fixa muito provavelmente continuará a ser a maior fatia dos seus investimentos. Ninguém em sã consciência coloca 100% do seu patrimônio em Bolsa.

A renda fixa não é “monoproduto”. Não existem apenas LFTs que passarão a render uma menor taxa atrelada à Selic. Há diversos títulos que podem ser operados de maneiras diferentes e que geram resultados diferentes para cada cenário econômico e de juros.

Até mesmo os pós-fixados, se operados como crédito privado com spreads gordinhos, podem ser ativos-chave com muito potencial de retorno no seu portfólio.

Dois ativos se beneficiam muito em caso de forte crescimento da economia: a Bolsa e as debêntures. Ambos ganham quando a empresa aumenta os lucros, reduz a alavancagem e se torna mais próspera.

Nas ações, o ganho se dá pela melhora dos preços ou pelo aumento de pagamento de dividendos. No crédito, pela queda nas taxas e pelo aumento do preço da debênture.

Mesmo com a Selic a 7%, ainda é possível render 20, 30 ou até 40% na renda fixa. Claro que você terá que correr mais riscos, investindo em títulos privados ou em títulos públicos com vencimentos mais longos. Mas utilizar a Bolsa como alternativa — ou os fundos imobiliários — também é correr mais riscos.

Preparei uma carteira no Empiricus Renda Fixa com potencial de render muito neste cenário atual. Quanto mais o BC conseguir domar a inflação, com a Selic baixa, melhor ela vai performar

Não achamos a queda da taxa Selic ruim. Muito pelo contrário! É exatamente pela queda dela que estamos torcendo.