Selic foi para 6,75, e agora?

Qual é a estimativa do mercado para o que vai acontecer com a Selic? Existem diversos modelos diferentes de projeções para a taxa de juros futura. Entenda o que essas alterações significam para a economia brasileira e como afetam as suas aplicações em títulos do Tesouro Direto.

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Selic foi para 6,75, e agora?

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu reduzir a Selic para 6,75% ao ano. Essa taxa representa o custo de oportunidade do país inteiro. Ou seja, é a rentabilidade que você teria por deixar seu dinheiro investido ao menor risco possível.

Qualquer opção com potencial de render mais do que isso no ano envolve riscos e, portanto, possibilidade de perdas.

O BC vem reduzindo a Selic desde outubro de 2016, quando ela estava em 14,25%. Totalizamos 750 bps de queda.

Agora, no comunicado da decisão, a autoridade monetária sugere que o ciclo chegou ao fim:

“Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, o Comitê vê, neste momento, como mais adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária.”

E agora? Como será a trajetória da Selic daqui para a frente? E como ficam meus investimentos em renda fixa?

A Selic é utilizada pelo Copom como instrumento para trazer a inflação para o centro da meta. Quando a inflação está abaixo da meta, a Selic é reduzida para baixo do juro neutro (aquele que não acelera nem desacelera a inflação), de forma que estimule a mesma até seu objetivo. Por outro lado, quando a inflação (medida pelo IPCA) está acima da meta, a Selic sobe, desaquecendo a inflação para que ela retorne à meta.

Atualmente o IPCA está em 2,86% no acumulado dos últimos 12 meses. A meta da inflação para este ano é de 4,5%. Ou seja, estamos abaixo do piso da meta.

É por isso que a Selic está tão baixa. Pois o BC a está colocando abaixo do neutro, esperando que isso acelere o índice de preços.

Conforme a economia siga se recuperando e a inflação retorne à meta, é esperado que o BC volte a subir a Selic, pelo menos até o juro neutro.

O que estou querendo dizer aqui é que o BC, os economistas e o mercado já esperam que a Selic volte a subir no início do ano que vem.

Mas até que nível ela vai subir? Em outras palavras, de quanto é o juro neutro? Não sabemos exatamente. Existem diversos modelos que tentam fazer essa estimativa, cada um com um resultado diferente.

Vejamos o que o mercado acha que vai acontecer com a Selic:

O mercado acredita que a Selic deve ter mais chances de subir já para agosto deste ano, e vai atingir o patamar de 10,75% ao longo dos próximos dois anos. Claro que aí no meio não tem só estimativa de juro neutro. Tem também prêmio de risco para o caso de eventos ruins acontecerem no caminho (os tais cisnes negros).

Mas eu acredito que, devido a todas as mudanças e reformas estruturais feitas até aqui, o juro neutro brasileiro está próximo de 9,5%. Se eu estiver correta, a Selic subiria a partir de 2019 e somente até 9,5%.

Isso significa que toda a curva de juros futura seria reprecificada para baixo, e as taxas de juros dos títulos públicos também cairiam. Com o efeito de marcação a mercado, a queda nas taxas de juros dos títulos provocaria uma valorização forte de alguns papéis específicos, rentabilizando muito mais do que a taxa combinada na compra destes.

Quem estivesse investido nesses títulos, veria seu patrimônio aumentar bastante.

Claro que esse cenário inclui riscos, dentre eles, dois muito importantes:

1 – Risco inflacionário nos EUA, provocando alta forte dos juros lá, o que causaria aumento dos prêmios de risco por aqui.

2 – Risco de elegermos um presidente populista, que não faça a reforma da Previdência nem equalize nosso resultado fiscal.

No mais, seguimos acompanhando o cenário bem de perto!

Se você quer saber quais títulos públicos mais se beneficiariam desse cenário de alteração das expectativas da trajetória da Selic para baixo, não deixe de acompanhar a série Tesouro Empiricusem que eu recomendo os melhores títulos públicos para quem quiser investir na segurança do Tesouro Direto.