S02E26 – Entrevista com o Vampiro

O legado Temer já é positivo. Você pode até achar o atual presidente um vampirão do mal, mas não há como negar que as reformas realizadas beneficiaram a economia do país.

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S02E26 – Entrevista com o Vampiro

Trilha da semana
Smashing Pumpkins – Siamese Dream

 

Pense em uma empresa – uma grande fábrica de paletas mexicanas.

Vendo as vendas aumentarem, o sr. João M Queines, CEO da companhia, decide mudar o escritório para um endereço mais bacana. Aluga um prédio moderno, contrata um bom arquiteto e faz um centro de vivência para os funcionários, com televisão, videogame e sala de jogos.

Aumenta o salário geral e concede benefícios – todos os diretores com Lexus blindado zero-quilômetro. Às sextas feiras, happy hour com cerveja e comida boa.

Sem contar na construção de uma nova planta, capaz de produzir um zibilhão de paletas por segundo!

Para a festa de fim de ano, chama a Anitta com todas as Poderosas e contrata o Morgan Freeman para narrar o vídeo institucional da empresa.

Depois de uns meses, ninguém mais quer saber de comprar paletas mexicanas. O estoque se acumula, as vendas caem e vem a época de vacas magras.

O CEO é demitido e, em seu lugar, contratam a sra. Margarida T. Acher, que assume com um plano de corte de custos e demissões. Manda devolver a mesa de pingue-pongue e o happy hour do escritório agora é realizado por funcionários preocupados em um bar bem baratinho, perto da sede antiga da Paletex.

O sindicato dos paleteiros se revolta – “estão tirando nossos direitos”. Os diretores choram enquanto veem seus Lexus rebocados e a obra da nova fábrica é interrompida na metade. O controller, alienado que é, se fantasia de pato no chão da fábrica e diz que não vai pagar pela brincadeira sozinho.

Aos poucos, a companhia começa a entregar melhores margens, a geração de caixa é utilizada para reduzir dívidas e, com criatividade, o novo diretor de marketing desenvolve novos produtos, sucesso no próximo verão.

Com o avanço das vendas e um balanço bem mais enxuto, a companhia se torna lucrativa novamente. Em pouco tempo, surge um sentimento de descontentamento. Funcionários pedem aumento e a diretoria começa a brigar por um helicóptero e uma casa em Noronha para eventos corporativos.

A cabeça da sra. Margarida fica a perigo e todo mundo pede pela contratação do sr. Carlos Marx, conhecido por suas políticas de crescimento agressivo, combinando alavancagem e redução de preços para ganhar share.

A anedota representa bem o “swing” que temos entre escolas ortodoxas e heterodoxas quando se trata da administração de economias. Em tempos de bonança e crescimento, a população se cansa da austeridade dos ortodoxos. Às favas com a austeridade – é preciso baixar os juros, fazer investimentos, conceder benefícios sociais e gerar empregos. Emite-se um monte de dívida, já que todo o crescimento mais do que compensará os maiores gastos, e o futuro, claro, será brilhante e promissor.

Depois que se ultrapassa a marca do pleno emprego e as capacidades produtivas do país se esgotam, vem a danada da inflação, seguida pelo desemprego e pela recessão. Ninguém investe, ninguém compra, e o governo está endividado até as tampas.

É preciso, então, chamar um novo time de ortodoxos para tapar os ralos, enxugar as contas e fazer as reformas que nos “tiram direitos”, mas nos entregam um futuro. Vai ter briga e chiadeira, luta dos “defensores do povo” e toda a sorte de traquitanas nos jornais, no Congresso e no Senado.

Depois, com a casa em ordem e o país crescendo, quem veio e arrumou a bagunça é tachado de defensor dos rentistas, inimigo do povo e muito austero, pois não abre os cofres e não investe no país. O humor muda de lado novamente e o povo elege um candidato populista, disposto a gastar mais do que deve e estimular a economia que “poderia estar crescendo muito mais”.

Essa dança das cadeiras entre as duas escolas econômicas existe há séculos e não é exclusividade do Brasil. Por aqui, temos longos períodos de crescimento financiado por dívida externa que são seguidos por anos de austeridade e arrocho fiscal. Na sequência, mais estripulias e endividamento, com desequilíbrio, dívida e inflação.

Verão, Outono, Primavera, Inverno.

Oras, se a história nos ensina alguma coisa é que, depois dos exageros (para ser bondoso) da Nova Matriz de Dilma e seus asseclas, devemos entrar em um longo período de responsabilidade fiscal, já que a questão das reformas é impositiva e não mais propositiva.

Você pode achar Temer um vampirão do mal, pode se escandalizar com os áudios do Joesley e pode ficar horrorizado com as nomeações políticas em troca de apoio (eu também penso isso tudo e mais um pouco), mas não há como fugir do fato de que a transformação institucional realizada no Brasil em pouco mais de um ano é uma das mais profundas e construtivas na história da República.

O legado de Temer já é positivo.

O desemprego, que estava abaixo de 5% em 2014, escalou rapidamente para mais de 13% em junho do ano passado e, embora ainda bem alto, já voltou para 12%.

A inflação, talvez o maior temor do imaginário popular brasileiro, bateu os 10,7% em janeiro de 2016. Com a mão forte de Ilan no comando do Banco Central e o ajuste de alguns desmandos da quadrilha equipe econômica anterior, o IPCA chegou a bater 2,46% em agosto passado. Hoje, está em 2,86%, ainda significativamente abaixo da meta estipulada pelo CMN.

O controle inflacionário permitiu que o Banco Central reduzisse os juros, que saíram de 14,25% ao ano em julho de 2015 para 6,75%, o menor nível da história (com possibilidades reais de chegarmos a 6,5% em março).

A queda dos juros permitiu, ainda que timidamente, a retomada dos investimentos, que geram empregos, ampliam a confiança, levam a maior consumo e melhor resultado das empresas. As companhias investem mais e entramos, então, em um ciclo positivo que se retoalimenta.

Não à toa, o PIB tem respondido de acordo e, depois de 12 trimestres consecutivos de retração, já apresenta dois trimestres positivos e tem tudo para entregar forte crescimento nos últimos meses de 2017 e ao longo de todo o ano de 2018.

 
É esse legado que deve ser validado nas urnas em outubro.

Com a condenação do ex-presidente> Lula e a ausência de um candidato forte à esquerda, a possibilidade da eleição de um presidente reformista e responsável é enorme – isso tem um potencial multiplicador para os ativos de risco brasileiros.

Com a questão fiscal nos trilhos, o tamanho de nossa capacidade ociosa e o ambiente externo (ao menos por enquanto) favorável, o espaço para crescimento da economia e, consequentemente, das empresas é gigantesco e deve se refletir diretamente no mercado financeiro.

Tem muito dinheiro na mesa e ainda dá tempo de aproveitar!

Se quiser saber como, dá uma olhada aqui.