Touro indomável: O Filme da Minha Vida

Essa é a mensagem de hoje. A imagem de um animal incontrolável e imponderável pode servir-lhe de guia para os próximos anos em Bolsa.

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Touro indomável: O Filme da Minha Vida

No começo da adolescência, me meti a encantador de cavalos. Íamos para a fazenda do meu avô Dácio no interior de Minas – e quando falo o interior, entenda Interior – e passávamos tardes inteiras no curral interagindo com os animais. Vestíamos bota e calça jeans, sem camisa. Todos suados sob o sol a pino, calor escaldante.

Nunca me destaquei na função. Sobrava coragem, faltava competência. Bom mesmo era meu primo Roger. Ele colecionava livros e fitas cassetes do Monty Roberts. Parecia conversar com os bichos, ler suas aflições e motivações. Simbiose pura. Bastavam dois minutos de corridas circulares para que os cavalos começassem a inclinar suas cabeças para baixo e a lamber os beiços, como se o convidassem para pastar juntos. Um simples e sutil gesto de encolhimento dos ombros para dentro e os animais passavam a seguir o guia obedientemente.

Montávamos em tudo que podíamos. Cavalos, éguas, burros, mulas, potros ainda não amansados. Só em touro que a gente não montava. Nem o Roger. Touro é bicho indomável. Não adianta você tentar controlar ou amansar. Aquilo é imprevisível e perigoso. Um único erro e já era.

Essa é a mensagem de hoje. A imagem de um animal incontrolável e imponderável pode servir-lhe de guia para os próximos anos em Bolsa.

Do que estou falando exatamente?

Mantidas as correntes condições de temperatura e pressão e o atual curso das coisas, entendo que viveremos nos próximos anos um grande bull market (um grande ciclo de alta, em alusão aos touros, que atacam de baixo para cima) semelhante ao observado entre 2003-2007, com potencial para multiplicar seu capital por 5-10x.

Entendo que:

  • O mundo vive um período excepcional, com condições muitíssimo favoráveis ao fluxo para mercados emergentes. As economias centrais voltaram a crescer acima do esperado, principalmente a Europa, enquanto a inflação mundial tem sistematicamente surpreendido para baixo, num ambiente sem precedentes de liquidez. Óbvio que gostaríamos de ter controle sobre as coisas. De sermos senhores do nosso próprio destino. Mas a verdade é que somos muito mais espectadores do movimento dos mercados brasileiros do que julga nossa vã filosofia. A influência das condições globais sobre os ativos locais é gigantesca.
  • O Brasil é um dos poucos mercados líquidos cujo valuation não é astronômico hoje. Os prêmios de risco aqui, por conta das mazelas da nova matriz econômica e de nossa tragédia fiscal, ainda são bastante razoáveis. Além disso, o mercado local é pequeno para os tantos trilhões que há hoje lá fora – se pegarmos um tiquinho da liquidez internacional, isso aqui multiplica por n vezes.
  • Estamos caminhando, aos trancos e barrancos, com a agenda de reformas – vamos passar a Previdência (mesmo que aquém da reforma dos sonhos, pois estamos acordados, onde fazemos o que podemos e não o que queremos) e outras coisas micro bem importantes; hoje mesmo temos medidas de simplificação tributária.
  • A taxa de juro brasileira deve caminhar para nova mínima histórica e, desta vez, de forma sustentada.
  • As empresas estão bem mais enxutas e devem passar por uma alavancagem operacional brutal, além de se beneficiar da menor despesa financeira com juro baixo, o que deve conduzir lucros corporativos a crescerem na casa de quase 20 por cento por dois ou três anos;
  • O espectro político dominante parece ter migrado para a centro-direita. A pauta das reformas, da maior eficiência do Estado, do controle do orçamento e da privatização não é mais uma agenda do governo, mas da própria sociedade.

 

O resto, pra mim, é meio perfurmaria. Isso sustenta minha visão de bull market estrutural.

O problema dessa construção é justamente a hipótese lá do começo: “mantidas constantes as atuais condições.” Elas nunca se mantêm. Sempre acontece alguma surpresa no meio do caminho. Pode mudar tudo ou ser apenas um susto.

Essa é uma lição fundamental do bull market e você precisa estar ciente. No meio do processo, há quedas de 20, 30, 50 por cento. Imagina se você tivesse se desfeito de tudo no 18 de maior, por exemplo.

Sempre que os mercados sobem muito rápido ou acontece uma surpresa negativa, somos tomados certo pessimismo de curto prazo. “Isso precisa realizar, pois andamos muito na frente dos fundamentos.” Então, muitos tentam reduzir suas posições, sair de Bolsa ou de títulos longos, à espera de um melhor ponto de entrada.

Eu sou radicalmente contra a postura. Acho impossível conseguir fazer este timing do mercado. Se você sai à espera de uma realização, corre o risco de ver o mercado subindo mais 30 por cento, alinhando-se à tese estrutural, que é a realmente importante.

A agressividade para tentar operar no curto prazo costuma ter efeitos muito deletérios para o investidor, pois esses intervalos menores de tempo estão completamente dominados pela aleatoridade. O bull market é um bicho incontrolável.

Em vez de calibrar as posições sempre que algum pessimismo com o curto prazo se instala, prefiro manter sempre uma exposição de 5 a 7 por cento do portfólio em seguros clássicos (dólar, franco suíço, iene, ouro, prata, platina) e adicionar puts (opções de venda) fora do dinheiro num percentual pequeno da carteira.

Se houver sustos no meio do caminho, esses seguros vão se apreciar não linearmente; então você poderá vendê-los e recomprar as posições de risco mais baratas.

E se não houver, você continuará exposto favoravelmente ao bull market, ganhando com sua alta posição em ativos de risco, enquanto tem as perdas limitadas pela devidamente dimensionada posições em seguros.

Sustos fazem parte do bull market. Ninguém monta num touro e espera ficar ali em cima tranquilo. Você se prepara para o salto não adivinhando qual será o próximo movimento do animal. Isso é impossível. Você mantém-se na posição certa, usando os devidos equipamentos de segurança.

O touro inicia a semana dando novos saltos para cima. Mercados em alta com commodities se valorizando no exterior e expectativa crescente por reformas. Hoje temos quatro medidas de simplificação tributária, depois de jornais terem mostrado grande articulação no final de semana em prol da aprovação da reforma da Previdência.

Ações de mineradoras são destaque no exterior, em dia de agenda relativamente fraca. Saem tendência do emprego e crédito ao consumidor nos EUA. Na Alemanha, temos produção industrial. China solta balança comercial à noite.

Por aqui, relatório Focus trouxe nova revisão para baixo nas estimativas para Selic, com mediana agora projetando 7,5 por cento ao final do ano. Balança comercial completa referências do dia.

Ibovespa Futuro abre em alta de 0,34 por cento, dólar cai contra o real e juros futuros recuam.

Encerro hoje com um convite muito especial para conhecer nosso novo relatório, feito brilhantemente pelo João Piccioni, que vai guiá-lo pelas melhores oportunidades de investimento no mercado norte-americano. Seja bem vindo.

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