Um fundo para cada candidato

O tema político está invadindo, enfim, o cotidiano: nunca foi tão difícil entender a linha econômica de cada candidato ou tudo parece óbvio em retrospectiva?

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Um fundo para cada candidato

No domingo, fui buscar a calça que tinha deixado encomendada em uma loja. Não me pergunte exatamente como, mas o fato é que entre um “CPF na nota” e outro “não preciso da minha via, obrigada”, caí em uma conversa sobre o futuro do Brasil sob Jair Bolsonaro.

Dobrei a esquina, subi a escada rolante e caí (sem querer, claro) em uma brigaderia. “Melhor Alckmin ou Marina?”, perguntava o careca entre um gole de café e outro ao companheiro de mesa, enquanto eu tentava escolher entre os sabores coco e amendoim. Saudade de quando o brigadeiro era de chocolate; o cajuzinho, de amendoim; o beijinho, de coco.

Cacei o cartão do estacionamento na bolsa, atordoada com o tema político invadindo, enfim, o cotidiano: nunca foi tão difícil entender a linha econômica de cada candidato ou tudo parece óbvio em retrospectiva?

Se a eleição fosse hoje e um dos quatro favoritos até aqui à cadeira da Presidência segundo as pesquisas fosse eleito, em que fundo eu gostaria de estar? – já explico o propósito deste exercício que até aqui parece simples futurologia.

Antes de tudo, quero deixar claro que não há qualquer juízo de valor abaixo, apenas o efeito esperado do que escuto em minhas andanças pela Faria Lima e pelo Leblon.

Se Geraldo Alckmin vencesse e eleição, para começar pelo tema do momento, em que fundo eu gostaria de estar? Em um fundo de ações, certamente. Pelo que ouço por aí, ele é o favorito dos donos do dinheiro, que apostariam na aprovação de reformas e em um ambiente pró-negócios. A Bolsa provavelmente acompanharia a festa.

Também vejo o mercado fazendo aposta positiva semelhante em Marina Silva, com o respaldo dos economistas Eduardo Giannetti e André Lara Resende. Um bom fundo de ação também atende.

E se minha bola de cristal mostrasse Bolsonaro? O candidato enfrenta mais desconfiança do mercado financeiro, mas flerta com ele, principalmente por meio de Paulo Guedes. Não me impressionaria uma “Carta ao Povo Brasileiro: o retorno”. Gostaria de estar em um fundo de ações, mas também com uma pequena parcela do meu patrimônio em um fundo cambial, exposto ao dólar. Se tudo desse muito errado, o real perderia valor, mas meu patrimônio estaria protegido.

E se fosse Ciro Gomes? Para ele, não vejo voto de confiança do mercado. Gostaria que não me faltasse um fundo cambial neste dia.

Qual é o meu ponto? Se eu fosse você, não passaria os próximos meses sem a dobradinha fundo cambial-fundo de ações no portfólio.

Seu fundo

A Ibiuna, gestora independente pioneira no lançamento de fundos de previdência, acabou de lançar um produto novo com a seguradora SulAmérica: uma versão para aposentadoria de seu fundo long biased.

Em 49% do patrimônio, o fundo vai seguir exatamente a mesma estratégia do gestor André Lion, podendo ficar comprado ou vendido em ações, ou seja, apostando na alta ou na baixa delas. Essa parcela pode ficar com exposição líquida nula ou até 100% comprada em Bolsa.

O produto não se aproveitou das regras novas da previdência, que permitem aos produtos oferecidos no varejo chegar a 70% em Bolsa. No caso dos 51% restantes da carteira, vai reproduzir estratégias de renda fixa nas quais tem maior convicção.

No momento, por exemplo, a equipe dos ex-diretores do Banco Central, Mario Torós e Rodrigo Azevedo, está posicionada em inflação implícita. Para eles, seja qual for o cenário, a tendência é que o nível de preços suba. Em um cenário negativo, a falta de cuidado com questões fiscais pode levar à inflação. E, mesmo no quadro positivo, a política monetária expansionista deve começar a fazer efeito, o que também contribui para um patamar de preços mais elevado.

A posição em inflação implícita é replicada na parcela de renda fixa do fundo de previdência, que também pode, no futuro, investir em títulos prefixados, indexados à inflação e pós-fixados.

Esse é, portanto, um fundo para quem tem estômago para o dinheiro em previdência – já que pode sacodir bastante –, o que faz sentido considerando o prazo longo de investimento.

Uma vantagem em relação aos produtos de previdência disponíveis no mercado é a possibilidade de se posicionar vendido em ações. Com pouca abertura regulatória para investir fora e restrições de administradores há até pouco tempo para posições vendidas, a indústria de previdência de forma geral é muito comprada em Brasil.

A taxa de administração é de 2% ao ano, de tal forma que o fundo pesa no bolso em momentos em que a parcela em renda fixa passar muito tempo pós-fixada; mas, se a estratégia ativa da casa for permanentemente reproduzida, é aceitável. Além disso, não tem taxa de performance e, como um fundo de previdência, também não sofre come-cotas, aquela antecipação de imposto semestral.

A SulAmérica informou que o produto recebe aporte ou portabilidade inicial de 10 mil reais ou contribuições regulares de 800 reais por mês. O plano não tem carregamento na entrada, somente na saída, que zera depois de dois anos.

A seguradora começou recentemente a colocar um pé no mercado de previdências de gestores independentes, até o momento dominado pela Icatu.

Quer entender melhor um fundo? Faça seu pedido em fundos@empiricus.com.br.

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