Algo de incomum com as commodities

A Vale opera com margens altas, todo mundo sabe disso. Em condições normais, recorrentes, a margem EBIT costuma ficar acima dos 50%. Eficiência operacional conta, […]

Algo de incomum com as commodities

A Vale opera com margens altas, todo mundo sabe disso.

Em condições normais, recorrentes, a margem EBIT costuma ficar acima dos 50%.

Eficiência operacional conta, a qualidade inata do minério conta e, obviamente, tudo isso coroado com uma estrutura natural de monopólio.

Às vezes, porém, as gordas margens monopolistas do livro-texto escondem outro “fator explicativo” muito mais poderoso para as grandes produtoras de commodities globais.

BP, BHP Billiton, Vale e tantas do tipo carregam consigo uma contraparte da espécie mais grave. Quem mexe com energia, com petróleo e com minério inevitavelmente vive com uma espada de Dâmocles pendurada sobre si e sobre os seus.

Dentro do Mediocristão talebiano, essas empresas rodam todo santo dia com as tais margens absolutamente invejáveis, extraindo recursos não renováveis debaixo da terra. Parecem abençoadas desde o nascimento.

Mas, de vez em nunca, quando o Extremistão dá as caras, grandes tragédias podem ocorrer, comprometendo a geração de caixa e, principalmente, a reputação.

Não há prejuízo pior à reputação do que o mal que um causou a tantos outros, e que então se volta mais uma vez contra um, cobrando partes individuais e coletivas.

Subtraindo os custos do Extremistão das margens invejáveis do Mediocristão, o mercado se prova eficiente mesmo sob contextos de monopólio natural.

 

Leitura recomendada

Hoje podemos ter um avanço relacionado à votação do relatório da reforma da previdência na CCJ -- e é esse o posicionamento tático que estamos divulgando para todos os nossos assinantes com base neste contexto. O movimento dos próximos dias pode abrir grandes oportunidades de valorização. Esse é um movimento que pode colocar muito dinheiro no seu bolso. Felipe Miranda gravou uma mensagem com o passo a passo para seus leitores aproveitarem as oportunidades. É bem importante que você também veja.
 

There’s no such thing as a free lunch, mesmo para os monopolistas, cujas margens elevadas frequentemente escondem perigosos riscos de cauda.

Petrobras e Vale produzem toneladas de lucro em CNTP, distribuem rios de dividendos, mas suas ações nunca devem ser interpretadas como investimentos seguros. Podem ser ótimos investimentos, mas não seguros.

Como heurística do investidor que deseja viver de renda, mantenha-se modesto nessas ações de commodities quando elas estiverem no Mediocristão e estude aumentar posições mediante o ingresso no Extremistão – e não o contrário.

Os ciclos de commodities não são apenas ciclos de negócios, subindo e descendo com o PIB e com a inflação globais. São também ciclos erráticos, de frequência e amplitude imprevisíveis, nos quais, por transmutação genética, muitos cisnes brancos fazem parir alguns cisnes negros, sabe-se lá quando.

Aqueles investidores que ontem lucraram com a realização de suas puts de Vale (muitos doaram solidariamente esses lucros) não o fizeram por desconfiarem originalmente da fragilidade de uma represa.

Não se trata de informação privilegiada. A maioria estava simplesmente carregando uma put emparelhada com o long na ação, ou carregando para se proteger dos EUA e/ou da China.

As puts não têm juízo de valor, não estão muito interessadas no exato motivo da queda da ação. Por isso é que podem valer tanto, produzindo resultados extraordinários (ex. Flash Trader = +1.120%) graças a motivos absolutamente estranhos.