Até o Rachid prefere se fantasiar de bombeiro

Quando eu estava em início de carreira, ainda tentando me situar no mercado, fui convidado para um café com o CEO de uma empresa listada […]

Até o Rachid prefere se fantasiar de bombeiro

Quando eu estava em início de carreira, ainda tentando me situar no mercado, fui convidado para um café com o CEO de uma empresa listada na Bolsa brasileira.

Naturalmente, eu não era o único convidado da ocasião. Além da imprensa especializada, estavam também presentes os analistas de consumo & varejo de todos os principais bancos.

Finda a apresentação feita pelo CEO, esses analistas começaram uma rodada de perguntas e respostas que culminou em um bombardeio crítico:

“Não sei se você (o CEO) percebeu, mas sua empresa está ofertando um produto com margem maior que a dos seus concorrentes, e também com um market share dominante.”

Minha única reação foi: “Uau, que da hora. Isso é raro de se ver. Esse cara é um gênio!”.

Mas não foi essa a reação do bando de analistas.

Em formação bélica, eles estavam disparando contra o CEO, metralhando alertas de que se tratava de um equilíbrio instável, ilusório, pois desafiava os fundamentos da Teoria Econômica.

 

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Graças àquela violação das regras científicas, a ação era para vender. Os mais otimistas poderiam mantê-la em seus portfólios, embora cientes do iminente risco de colapso…

Inevitavelmente, o CEO seria obrigado a reduzir as margens do produto ou abrir mão do share. Se demorasse muito para fazer uma ou outra coisa, provavelmente teria que fazer as duas, simultaneamente.

Hoje, mais de dez anos depois, o mesmíssimo produto continua sendo vendido sob gordíssimas margens, e com um market share ligeiramente maior do que tinha na época.

Mas duvido que algum daqueles analistas se lembre do episódio.

Eles não fazem ideia do que é “a bolha da eficiência” – uma obsessão desmedida de achar que todos os rios da vida real correm para o mar do MBA.

Aliás, se a pessoa ao seu lado usa cotidianamente os verbos “maximizar” e “otimizar”, tome cuidado. Ela pode deduzir que você está comendo um brigadeiro para tentar recuperar peso, quando tudo o que você quer é ser feliz.

Como diferenciar os usos adequados da eficiência versus a bolha da eficiência?

Em vários aspectos de um negócio, eficiência e sucesso andam juntos. Isso acontece em parques fabris, centros de logística e demais atividades altamente lógicas e mecânicas.

Mas não acontece sempre. Nas áreas de RH e de Marketing, por exemplo, eficiência e sucesso podem ser variáveis pouquíssimo correlacionadas.

Não há surpresa alguma nessa fraca correlação. Talvez, inclusive, ela seja a norma para a maior parte das coisas da vida.

Você deseja alguém que faça um sexo eficiente?

Quer encher a cara de forma eficiente no casamento do seu melhor amigo?

Escolheu seu cãozinho devido à eficiência da raça?

Em RH, uma estratégia de enorme probabilidade de sucesso, embora pouquíssimo eficiente, implica contratar 15 ou mais pessoas ao mesmo tempo, sem grandes crivos seletivos, e então simplesmente observar como elas trabalham juntas ao longo dos próximos meses.

Em Marketing, a cada novo almoço, ouvimos que os vídeos e textos longos que produzimos são impróprios para o novo mundo digital. E que precisamos de mais algoritmos de direcionamento da jornada dos nossos leitores.

Que jornada é essa? A jornada da eficiência? A jornada na qual eu devo maximizar a receita da Empiricus, minimizando os caracteres desta newsletter?

As poucas pessoas estritamente eficientes que eu conheço são desagradáveis.

Você espera duas semanas depois da Páscoa para dar um ovo mais barato de presente?

Você presenteia com flores de plástico, em nome de um amor menos perecível?

Esqueça essa história de investir em ativos que obedeçam a uma fronteira eficientíssima de risco-retorno.

Se a eficiência fosse mesmo atrativa, os strippers fariam shows vestidos como contadores, e não como bombeiros.