Como a nova Selic vai mudar sua renda?

Todas as boas táticas para Viver de Renda que funcionam para uma Selic de 6% ao ano continuarão funcionando perfeitamente para outra possível Selic de 8% ou mesmo 9% ao ano.

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Como a nova Selic vai mudar sua renda?

Copom mandou avisar na quarta passada que, eventualmente, a depender do IPCA e do próximo presidente, a Selic pode voltar a subir.

“Poxa, mas logo agora que eu estava me acostumando com as novas estratégias de renda adaptadas a este contexto de juros baixos?”.

Bom, se você estava se acostumando, continue se acostumando.

O contexto de juros baixos dificilmente vai mudar, mesmo que algumas altas da Selic sejam confirmadas nos próximos seis a doze meses.

Todas as boas táticas para Viver de Renda que funcionam para uma Selic de 6% ao ano continuarão funcionando perfeitamente para outra possível Selic de 8% ou mesmo 9% ao ano.

Ou seja, não há uma mudança estrutural em jogo.

Seja a política econômica de Bolsonaro ou de Haddad, precisamos de um exercício de imaginação muito criativo para supor qualquer estresse cambial ou repique inflacionário capaz de fazer os juros básicos voltarem sustentavelmente para os dois dígitos.

Selic de dois dígitos não é cenário base de ninguém.

As expectativas do mercado de 2019 a 2021 (Relatório Focus) continuam centradas em um IPCA de 4% e em uma Selic de 8% – o que, por sinal, implicaria um juro real de 4% bem abaixo dos temores hoje refletidos na curva de juros futuros.

Temos, assim, mais um sinal civilizatório para os pisos e tetos administrados pelo Copom.

Pegando o já significativo histórico entre 2000 e 2018, notamos facilmente uma compressão da amplitude entre picos e topos, que vem intimamente associada à tendência de queda da própria taxa.

À medida que a volatilidade da Selic diminui, a magnitude também cai, e vice-versa.

O período de juros acima de 12% – de janeiro de 2015 a fevereiro de 2017 – ainda vai sendo encarado pelo mercado como regra, dada a inércia da memória/trauma recente.

No entanto, seu perfil é claramente de exceção, atribuído a erros crassos de gestão econômica dentro do Governo Dilma.

A trajetória descendente de longo prazo é muito mais forte e embasada do que o repique de Dilma.


Olhando para frente, cada um acredita no que quiser, e teme o que quiser.

Nesse caso, eu prefiro olhar para trás.

Não vejo razão para desespero eleitoral quando falamos da Selic, e dos custos de oportunidade que ela representa.

Carteiras de dividendos e de renda imobiliária vieram para nunca mais voltarem.

Não tem volta.

Nesta nova normal de juros civilizados e civilizantes, elas são a regra, e não a exceção.

Se você deseja mesmo Viver de Renda, dê um adeus definitivo à Poupança e à Selic e migre rapidamente para ações de dividendos e fundos imobiliários.

Quanto antes você migrar, mais vai ganhar.