Viva de Renda

Conversas com mentes brilhantes do mercado

Saber o que os gestores dos melhores fundos do Brasil pensam sobre o cenário macro e como desenvolvem suas estratégias é sempre muito bom, abre as fronteiras do conhecimento. Foi uma enorme satisfação termos proporcionado isso aos investidores nos últimos dias. A Semana de Fundos Vitreo foi uma super oportunidade, pois contou com uma série de debates […]

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Data de publicação
4 de abril de 2022
Categoria
Viva de Renda

Saber o que os gestores dos melhores fundos do Brasil pensam sobre o cenário macro e como desenvolvem suas estratégias é sempre muito bom, abre as fronteiras do conhecimento.

Foi uma enorme satisfação termos proporcionado isso aos investidores nos últimos dias.

Semana de Fundos Vitreo foi uma super oportunidade, pois contou com uma série de debates entre profissionais do mercado que se destacam pelo desempenho histórico acima da média.

Eu conversei com os gestores de fundos de ações – Henrique Bredda, da Alaska; Werner Roger, da Trígono Capital e João Luiz Braga, da Encore.

No nosso painel, o bate-papo foi muito em torno do intenso fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira, inclusive, um fator que tem feito preços.

Eles se mostraram bastante construtivos em suas análises, dizendo que o país apresenta uma série de pontos favoráveis em meio ao conturbado contexto global, principalmente diante da guerra entre Rússia e Ucrânia e do aperto monetário nos Estados Unidos.

Na visão deles, não se trata meramente de especulação, mas sim, de uma busca por ativos promissores, um movimento tende a ter bom nível de sustentação.

Mas no que eles se baseiam para dizer isso?

Eles ressaltaram que o desajuste global na oferta de commodities não é algo simples ou rápido de se resolver e o Brasil se tornar  um player relevante na cobertura do gap aberto pelo conflito geopolítico.

Ademais, como disse Bredda, a guerra escancarou a dinâmica perversa de governos autocráticos, enquanto nosso país é uma democracia. Em que pesem os desafios, por aqui, os contratos e as instituições têm sido respeitadas ao longo do tempo.

Somado a isso, João Braga destacou que os Estados Unidos estão começando a elevar a taxa de juros agora, o que impacta os valuations de empresas de tecnologia sobretudo, e quando o mercado acionário fica morno lá fora, os holofotes se voltam às alternativas nos emergentes, incluindo o Brasil.

Porém, no alvo dos estrangeiros não estão apenas as produtoras de commodities. Werner Roger, da Trígono, que antes de montar a gestora, teve uma bagagem de carreira atendendo investidores institucionais estrangeiros e os conhece muito bem, destacou que eles estão mirando empresas de qualidade de variados segmentos.

De modo geral, a bolsa brasileira está com um desconto grande em relação à sua média histórica. Então, vigora o picking de barganhas.

E, conforme esses gestores de fundos de ações, o Brasil que iniciou mais cedo o aperto monetário, deve revertê-lo antes das economias desenvolvidas, o que beneficiará o setor produtivo como um todo.

Assim, o João, da Encore, chegou a dizer categoricamente que não vê que os estrangeiros estão fazendo apenas um ‘trade’ e que está por vir um ciclo positivo, talvez parecido com 2003-07.

Update em outras áreas

Outros temas me chamaram a atenção. Os gestores da Canuma Capital e da RBR falaram sobre mercado de REITs (Real Estate Investment Trusts), empresas que investem em imóveis nos Estados Unidos e em diversas partes do mundo. Quando bem selecionados, são boas alternativas para diversificação da carteira.

Em um contexto incomum de inflação elevada na economia americana – em torno de 7% nos últimos 12 meses, os REITs funcionam como proteção do patrimônio e possibilidade de ganhos reais, uma vez que os contratos de locação são corrigidos por índices de preços.

Nos EUA, estão em alta REITs dos segmentos de self storage, galpões para armazenamento de bens pessoais ou mercadorias; healthcare, imóveis destinados à área de saúde como clínicas e hospitais e multifamily, empreendimentos residenciais desenvolvidos somente para locações.

Também foi muito legal o debate sobre fundos quantitativos, que utilizam inteligência artificial. Os gestores da Kadima, Canvas e Pandhora comentaram as perspectivas para esse segmento tão inovador e explicaram como estruturam as teses de investimentos, os modelos estatísticos e matemáticos e como ‘treinam’ os robôs para tomar decisões de investimentos.

Interessante, não é mesmo?

Se você quiser saber mais, vale a pena conferir a cobertura dos painéis da Semana de Fundos de Investimento Vitreo no site da Empiricus ou assistir aos vídeos completos no YouTube da Vitreo. Aproveite!

Um abraço!