FIRE #3: Sobre esta fagulha escondida no seu peito

Domingo é dia de FIRE. Bem-vindo de volta ao nosso ponto de encontro semanal sobre como agilizar sua Aposentadoria. Esta é a nossa terceira conversa. […]

Domingo é dia de FIRE.

Bem-vindo de volta ao nosso ponto de encontro semanal sobre como agilizar sua Aposentadoria.

Esta é a nossa terceira conversa. Caso tenha perdido alguma das duas anteriores, você pode acessar a série completa por meio desta página.

Começo hoje agradecendo por todas as respostas enviadas desde domingo passado.

Mais de 3 mil e-mails chegaram até minha caixa de entrada em fire@empiricus.com.br, e passei boa parte dos últimos dias lendo cada uma das mensagens.

São relatos de experiências da máxima relevância; pensaremos bastante sobre elas ao longo das próximas semanas.

Por ora, quero falar sobre aquele que considero o primeiro obstáculo a todos os investidores que desejam se aposentar antes do senso comum: a moral penitente.

É claro que existem desafios financeiros, e logo vamos passar por cada um deles.

Mas o primeiro desafio não é econômico; trata-se de um desafio moral, herdado de um tabu. Se não formos capazes de reconhecê-lo desde já, não poderemos seguir em frente.

Vamos lá, experimente abrir conversa sobre o FIRE no happy hour de sexta ou no almoço de domingo.

É bem possível que você enfrente uma pressão contra o desejo de se aposentar antes do que a média…

… mesmo que queira fazer isso só para poder trabalhar com o que realmente gosta.

… mesmo que queira fazer isso em nome da sua liberdade individual, com plena autossuficiência financeira.

… mesmo que ninguém de fora tenha o direito de se meter na sua vida.

Em algum momento, alguém do outro lado da mesa vai estar morrendo de vontade de te chamar de vagabundo.

É assim mesmo.

Lembrei disso quando li um e-mail inspirador, enviado pelo Alan:

Eu não entendo nada de eSports, nunca fui tão bom com videogames (exceção para o saudoso Winning Eleven do SNES). Mas sei que tem gente ganhando dinheiro sério com isso, sob diversas maneiras.

Com o tempo e o foco necessários, a Aposentadoria FIRE é perfeitamente capaz de viabilizar um projeto de vida como esse do Alan.

Eu sinceramente não vejo como chamar de vagabundo alguém que economiza e investe 62,5% do que ganha mensalmente, e que tem um diagnóstico lúcido sobre onde quer estar daqui a dez ou quinze anos.

De onde vem o preconceito?

Vem da moral penitente de que o emprego deve ser encarado como um sacrifício necessário, de que precisamos sofrer 40 anos em um trabalho medíocre para depois tentar espremer algo de um INSS sem suco.

Assim, não é difícil entender o grande obstáculo pontuado também pelo e-mail do Alessandro:

O trabalho sem motivação e por sacrifício é a grande epidemia moderna. Estamos cada vez mais cansados de engolir isso goela abaixo.

A maioria das pessoas passa os “melhores” anos de suas vidas profissionais dedicando energia a tarefas inúteis, reuniões monótonas e metas babacas, feitas para nunca serem atingidas.

Ainda por cima, adere-se à lavagem cerebral corporativa, forçando-se a fingir que trabalha no lugar mais legal do mundo, e cada hora extra não é mais do que a obrigação.

Diga-me: é isso que você quer para sua vida?

Não tenho dúvida alguma de que o Alessandro teria total motivação para trabalhar até os 145 anos, se tivesse a chance de fazer o que realmente gosta, se pudesse respeitar sua maior vocação a cada dia da semana.

E o caso do Alessandro, definitivamente, não denota uma exceção.

Pesquisa feita pela YouGov com a população inglesa questionou os participantes sobre a utilidade e satisfação com seus próprios trabalhos.

37 por cento deram feedbacks fortemente negativos e 13 por cento disseram-se incertos em relação à verdadeira resposta.

Na Holanda, 40 por cento afirmaram que não conseguiam identificar uma só razão genuína para a existência de seus cargos e tarefas profissionais.

Por pelo menos oito horas por dia, muitos de nós vivem mergulhados em atividades sem sentido e improdutivas, normalmente ouvindo ordens de um chefe sem tato e sem capacidade.

Talvez eu nem precise falar sobre isso, você já sabe.

Logo, ao mesmo tempo em que estamos discutindo a Independência Financeira viabilizada pelo FIRE, falamos da potencial solução para um problema bem mais crítico.

A perspectiva de uma Aposentadoria Precoce introduz a porta de entrada para dedicarmos nosso tempo, nosso cérebro e nossas almas àquilo que nos motiva da forma mais autêntica.

Sendo um pouco mais ambicioso, eu diria que a Aposentadoria FIRE nos dá a liberdade para expressarmos, depois de um dia de trabalho de verdade, que passou voando: “caraca, eu simplesmente nasci para fazer isso!”.

Ou, como diria Nietzsche, “torna-te quem tu és”.

Se isso é ser chamado de vagabundo, eu, o Alan e o Alessandro temos pleno orgulho das nossas vagabundices.

Até domingo que vem!
Rodolfo Amstalden

PS. E se a pergunta do YouGov fosse para você? Você se sente útil e realizado no seu trabalho atual? Em caso negativo, qual é o motivo de sua insatisfação? Fique à vontade para me escrever mandando um e-mail para fire@empiricus.com.br

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