Não tem que comprar, tem que esperar, porra!

Toda semana é a mesma coisa. Recebo – literalmente – dezenas de reclamações de leitores da Empiricus contra seus respectivos gerentes de bancos ou agentes […]

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Não tem que comprar, tem que esperar, porra!

Toda semana é a mesma coisa.

Recebo – literalmente – dezenas de reclamações de leitores da Empiricus contra seus respectivos gerentes de bancos ou agentes autônomos.

A julgar pelo volume das confusões descritas nas mensagens, só posso concluir uma coisa.

Esses intermediários financeiros não são pessoas de má índole, nem estão mentindo intencionalmente; a maioria deles simplesmente não entende de produtos financeiros.

Não é fácil admitir, mas parte da culpa cabe a nós mesmos, os clientes.

Em vez de fazer perguntas básicas ao intermediário, preferimos nos apoiar em uma relação implícita de confiança institucional.

Os bancos e corretoras sabem muito bem disso – arquitetam sua etiqueta, suas agências e plataformas digitais de forma a transbordar confiança.

Cultivam uma retórica imponente, pouco convidativa a perguntas.

“Somos sérios, somos estudados, queremos o melhor para você e sua família, sabemos exatamente o que fazer com o seu dinheiro”.

Uma gerente simpática geralmente basta para lhe empurrar aquele Fundo DI com 2% de adm, ou previdência privada quase impossível de resgatar antes do vencimento.

Se a conversinha amiga do dia a dia é responsável por 25% do PIB de qualquer país, nos bancos e corretoras ela deve explicar pelo menos 50% dos lucros.

Veja, não há problema algum em confiar num intermediário financeiro, desde que duas condições sejam estritamente atendidas por ele:

1) Explicar no detalhe os produtos financeiros ofertados.

2) Ser 100% transparente em relação aos conflitos de interesse.

Quando furadas, normalmente essas duas condições naufragam juntas.

O gerente ou agente autônomo não quer explicar direito o investimento não porque ele é burro (quase todos são muito espertos), mas sim porque alguém mandou ele vender para bater meta.

Obs: no caso, “alguém” pode ser a própria comissão avantajada.

Conforme me contou um agente autônomo que assina o PRP®, a instrução vinda imediatamente de cima é: “Tá com frescura? Não tem que entender, tem que vender, porra!”.

Por isso, faça a pergunta e, principalmente, preste atenção na resposta.

Se o sujeito se enrolar, mudar de assunto ou começar a usar termos técnicos, fuja.

Verifique se sua carteira está guardada no bolso, peça licença e saia correndo.

Feche o navegador, desligue o computador, tire o modem da tomada.

Só tome cuidado com as portas giratórias. Elas giram, giram, e assim podem trazê-lo de volta ao lugar do qual você queria fugir.