O value virou growth, e vice-versa

A velha nata do value investing ficou confusa quando Buffett informou publicamente que sua empresa de participações começara a comprar ações da Amazon. Ao longo dos últimos […]

A velha nata do value investing ficou confusa quando Buffett informou publicamente que sua empresa de participações começara a comprar ações da Amazon.

Ao longo dos últimos cinco anos, o valor de mercado da Amazon disparou sem qualquer autorização dos critérios clássicos de identificação de barganhas.

Você sabe: enquanto o value investing crê na compra ao melhor custo possível, o growth investing prefere apostar no melhor crescimento possível.

Quem é que está ganhando a briga?

Nesses mesmos cinco anos de janela histórica, o Índice Growth da Bolsa Americana produziu retornos médios de +14,2 por cento ao ano.

Já o Índice Value alcançou apenas +8,7 por cento ao ano.

Olhando pelo retrovisor atual, o Índice Growth vence também o Índice Value dentro das janelas dos últimos vinte, trinta ou quarenta anos. Virou passeio.

Seria o fim dos tempos de barganhas?

Ou o Índice Growth anda trapaceando?

Desconfio que o conceito de barganha mudou. Aliás, se estou certo, ele mudou junto com o conceito de crescimento, graças a uma quebra de paradigma.

Antigamente, sob um contexto altamente concorrencial, a evolução de uma única empresa ou de um único segmento de mercado acabava eventualmente limitado por importantes forças de resistência, alternando ciclos de reversão à média.

Hoje, o progresso de empresas como Amazon, Google ou Facebook se confunde com os próprios ecossistemas nos quais elas estão inseridas, de forma que as resistências diminuem conforme esses negócios ganham escala.

No limite último, só existe um e-commerce global, uma ferramenta de buscas, uma rede social, um mapa de trânsito. Ganha o jogo apenas a respectiva empresa que se provar capaz de embandeirar cada uma dessas realidades. Winner takes all.

Óbvio que isso não vale para tudo, mas vale para algumas gigantes que compõem o Índice Growth do S&P 500.

Mesmo que o Walmart esteja crescendo bastante, ninguém vai ser louco de pagar caro por Walmart se a Amazon estiver dominando mais mercados em longo prazo.

E mesmo que as ações da Amazon pareçam caras sob as métricas tradicionais, continuam sendo uma barganha para ficar sócio de algo tão gigantesco quanto o e-commerce global.

Em paralelo aos rótulos renovados de Value ou Growth, muda também o arquétipo do investidor.

Antes, o investidor que comprava ações caras conforme os critérios de Value, apostando no Growth, era considerado agressivo, impulsivo e especulador.

Hoje, aqueles que o fazem se correspondem com a paciência demandada por empresas como a Amazon, que pautam seu progresso em cima de metas ambiciosas de longuíssimo prazo, sem dar bola para o 2T19.

Os Money Riders modernos são investidores com horizontes longos, comprando negócios guiados por metas de décadas à frente.

PS. Ironicamente, ações de longo prazo como as da Amazon têm se mostrado capazes de saltos exponenciais em cinco ou dez anos, acelerando a independência financeira de seus acionistas. Para entender mais sobre esse fenômeno, acompanhe aqui nossa nova série especial gratuita, de Aposentadoria FIRE.

Um abraço,
Rodolfo Amstalden

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