Peraí que tem mais um pouquinho de “U”

Não é tão comum em outras ciências, mas a economia pode se gabar de algumas curiosas curvas em formato de U. A mais famosa delas […]

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Peraí que tem mais um pouquinho de “U”

Não é tão comum em outras ciências, mas a economia pode se gabar de algumas curiosas curvas em formato de U.

A mais famosa delas talvez seja a curva de Laffer, que é um “U” de ponta-cabeça.

No começo da história, aumentos de carga tributária resultam também em acréscimo de arrecadação para o governo.

Porém, há um valor máximo a partir do qual essa relação se inverte, pois a carga tributária torna-se tão pesada para a população que passa a incentivar variadas formas (legais e ilegais) de otimizar ou sonegar tributos.

Não que haja grandes dúvidas quanto a isso, mas no Brasil já ultrapassamos esse ponto de inversão algum tempo atrás.

Ao que parece, os efeitos do enriquecimento sobre a qualidade de vida se assemelham ao formato em “U” ponta-cabeça da curva de Laffer.

Se você não tem nenhum colchão financeiro, praticamente todo o seu tempo disponível é dedicado a preocupações relacionadas ao dinheiro, arruinando a qualidade de vida e ameaçando condições básicas de sobrevivência.

Ironicamente, porém, se você possui uma enorme riqueza, todo o seu tempo disponível também fica dedicado a preocupações relacionadas ao dinheiro e ao estresse que o acompanha.

O tipo de preocupação muda em cada caso, mas o efeito prático sobre a qualidade de vida acaba sendo parecido.

Sem surpresa, essa relação entre enriquecimento e bem-estar é refletida no cardápio automobilístico.

Estou certo de que você sempre tentará evitar a compra de um carro baratíssimo que dê problema no motor a cada quilômetro rodado.

Por outro lado, aquele automóvel caríssimo precisa ser blindado, no question about it. O motorista fica preso numa caixa, sem o sabor do vento batendo na cara. E, mesmo assim, não dá para se sentir tranquilo com tamanha atenção atraída para si (há quem goste).

É claro que, para a grande maioria dos nossos ossos mortais, o “problema” de ter muito dinheiro ou de ter um carrão não existe.

Existem apenas os problemas de ter pouco dinheiro e o de querer ter mais dinheiro.

Ainda assim, é útil sabermos que, no limite, ambos os extremos são ruins.

Saber esse tipo de coisa nos ajuda a construir metas factíveis de enriquecimento saudável.

Por exemplo: você não deve jamais supor que só vai se sentir realizado financeiramente quando acumular R$ 100 milhões de patrimônio, ostentando jatinho e iate. Isso é utópico, sob dois sentidos. É improvável chegar lá e, se você chegar, não vai ser tão feliz quanto imagina hoje.

Metas de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões em geral bastam para satisfazer todas as necessidades e desejos que realmente importam, sem virarmos escravos do dinheiro.

Mas, no fim das contas, a melhor solução que eu encontrei para esses problemas em formato de “U” é a de simplesmente abandonar metas de patrimônio futuro.

Em vez disso, concentre-se em gerar renda agora.

Quem executa uma estratégia capaz de gerar renda a todo momento nunca terá tantas preocupações relacionadas a dinheiro, nem no extremo inicial e nem no extremo final da curva.